>
Você está lendo...
Esportes

Só morto

Caixão e vela preta. Todo mundo esperava isso. Acalmem-se, porque não haverá enterro de gente viva! Quem não dispõe de tempo para administrar os negócios pessoais elege alguém para assumir o seu posto oficial na empresa. Conciliar as duas atividades quase sempre é impossível, ainda mais quando negócios privados rendem mais e estão interligados à entidade da qual participou de corpo presente. O adeus a quem não foi, assim eu vejo a recepção dos brasileiros a Ricardo Teixeira, que teve uma brilhante saída pela tangente. Se for para o bem de todos, diga ao povo que renuncio ao cargo de Presidente da CBF, mas continuo me locupletando. “Não tenho mais idade nem tempo para dar tanta satisfação àqueles que querem experimentar do mel, sem nunca terem provado do fel”. Diria Ricardo Teixeira numa entrevista de portas fechadas. A miopia dos malhadores de Judas é triste demais. Só não enxerga aquele que não quere ver. Quantos e quantos interesses em jogo… Teixeira diria mais ainda: “Fora da CBF os cães e os chacais de plantão me esquecerão”. Na política também é assim. Não é?

Ricardo Teixeira, Ex-presidente da CBF

Ricardo Teixeira formalizou a sua renúncia da presidência da Confederação Brasileira de Futebol, CBF, na segunda-feira, 12 de março de 2012, após 23 anos de conquistas pessoais, alegando problemas de ordem pessoal e de saúde. Verdade é que ficou evidente que há muito mais coisas por trás da sua decisão; caroços é que não faltam debaixo deste angu. Ricardo Teixeira acumulou louros suficientes para garantir-lhe uma velhice com fartura e dignidade fora dos gramados. A imprensa esportiva “especializada” vai deitar o cabelo neste episódio. O circo já pegou fogo, o gato fugiu, a zebra está pintada – alguém quererá a sobra da tinta; só não sabe se branca ou preta. Quem entende da cor verde é o próprio e também os seus asseclas.

Para o Deputado Federal Romário (PSB-RJ) o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é um “câncer do futebol brasileiro” e previu que José Maria Marín venha a ser uma AIDS. Se brincadeira ou não, o Baixinho terá represálias, como já teve, por parte de entidades que lutam pelo fim do preconceito contra portadores do vírus HIV. A comparação feita pelo deputado Romário foi extremamente infeliz. Conhecendo bem a personalidade do Romário, certamente já separou outras terminologias para empregá-las contra os seus desafetos, tais como leproso, sardento, asqueroso, purulento, morfético, tuberculoso… Eta língua afiada. Como mesmo que ele é conhecido?

Quem comemorar o episódio da renúncia de Ricardo Teixeira é trouxa. O futebol brasileiro continuará com a mesma cara – tudo como dantes no quartel de Abrantes. Uma limpa na CBF como alguns fanáticos esperam; e podem continuar esperando. Mudanças só de mesas e de salas de trabalho. Já vi este filme. Deixemos o homem em paz. O país está sangrando, os nossos bolsos esvaziando, a política faturando, os eleitores abobalhados, os torcedores enganados. Pra frente Brasil, salve a Seleção. Ronaldinho Gaúcho irá a Londres… Que merda!

As más impressões desaparecem com um simples sopro do vento, até porque o Brasil não tem memória. Pressões, cobranças, críticas, denúncias, ainda que fundadas, jamais abalariam o chefão do tráfego, muito embora os seus inúmeros desafetos torcessem na geral para que a casa caísse. O superfaturamento de amistosos da Seleção Brasileira não passa de “dever de casa” passado por políticos de Brasília. A preocupação agora é com o superfaturamento das obras de reformas e construções dos estádios de futebol com vista à Copa do Mundo de 2014. Quero deixar claro que o Deputado Federal Romário não tem nada a ver com isso, assim como a presidente Dilma Rousseff. Até quando o brasão da CBF ficará desfocado? O dinheiro sujo (limpo dos contribuintes) está bem nítido nos bolsos de muitos.

Na final da Copa São Paulo deste ano, Marín, um dos responsáveis pela entrega das medalhas aos campeões, foi flagrado colocando uma delas no bolso, entendendo como normal aquela atitude, qualificando-o (ele mesmo) como merecedor daquela “cortesia”. Quantas medalhas o sucessor de Ricardo Teixeira, José Maria Marín, roubará até 2015? Quem acertar ganha uma foto ao lado dele, ou, se preferir, ao lado do Romário – com boca fechada.

Uma frase de placa:

“Colchão velho guarda os contornos do corpo do seu usuário”.

Augusto Avlis

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 152 outros seguidores

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: