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Procrastinação

Procrastinação

Uma vez um dependente de álcool, cansado de ser cobrado porque não cumpria a promessa de deixar de beber, numa noite qualquer, resolveu escrever um cartaz que foi pregado nos pés da cama onde dormia. A mensagem: “Amanhã deixarei de beber”. Quando acordava no dia seguinte, lia o cartaz e voltava a beber. Noutro dia, acordava, lia a mensagem e bebia. E assim por diante, até morrer de cirrose. Isto é procrastinação. O alcoólatra adiou uma decisão, usou de delongas, contemporizou. Resultado, a falta de atitude cobrou-lhe um preço muito caro.

“Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”. Esta máxima, extremamente verdadeira, está estampada nos manuais das organizações. A ordem de prioridades criada pelo funcionário pode não atender às necessidades da empresa e ainda estabelecer rotas de conflito, o que na maioria das vezes acontece. Saber o que é mais urgente, o que deve ser feito primeiro, de que forma e quais ferramentas devo utilizar para chegar ao melhor resultado, é uma ação que decorre de um processo consensual. Alguém na empresa, geralmente o superior imediato, faz uma solicitação e o colaborador cumpre regularmente o pedido. Por outro lado, há aqueles chefes que tentam passar por cima dos seus pares e pedem serviços com maior prioridade, sendo que esta prática é bastante comum em tribos com mais caciques do que índios. O funcionário não deve se estressar e sim buscar um equilíbrio entre as forças. Fazer-se de morto não resolve. Assuma.

“Manda quem pode e obedece quem tem juízo” é uma máxima questionável, na medida em que, havendo espaço para uma boa conversa, o funcionário pode dar a conhecer ao solicitante que precisa de um tempo para a execução do pedido, porque dependerá disto ou daquilo, que outras ações estão na fila de resolução, que se parar o que está fazendo poderá causar sérios prejuízos à empresa. Comumente o mau chefe costuma dizer: “Faça isso aqui primeiro e deixe o resto para depois”. Tomar atitudes politicamente corretas talvez seja a saída para ficar bem com todo mundo. Pedir reforços operacionais é estratégico do ponto de vista dos resultados. Por outro lado, ninguém será considerado incompetente por ter sido honesto e assumir uma postura de profissional quando recusa um trabalho, digamos, “quase urgente”. Jamais acumule serviços que não tenha condições de realizá-los, simplesmente para fazer “média” com os superiores. Colegas de trabalho, no mesmo nível hierárquico, têm por hábito jogar para cima dos outros, chamados “competentes”, tarefas que são de sua inteira responsabilidade. Cuidado: esses gostam de ver a caveira dos colegas. Existem tarefas consideradas rotineiras, independem de agendamento extraordinário; pedidos extemporâneos enrolam o meio de campo. Olhos abertos.

Resumo da ópera: Empurrar com a barriga não é boa política. Deixar para última hora também não. Ser político, em tese, pode dar a conotação de bajulador. O correto é deixar a política para os políticos. Negociar sempre. A falta de objetividade obriga o colaborador a “ganhar tempo” para ver se o chefe esquece. Achar que os colegas deveriam fazer o trabalho e não você; no fundo pode haver um tipo de “jogo sujo” para incriminar um colega de seção. Dar uma de esperto; sair pela tangente; fazer média com outro encarregado; isso é comum. Acumular papéis sobre a mesa não quer dizer que você está trabalhando muito, está ocupado, também não é sinônimo de eficiência. Deixar para outra hora mais propícia, para outro dia, risco de cair no esquecimento, quando se lembrar da tarefa que deixou de ser feita pode ser tarde demais. Há funcionários que gostam de acumular trabalho, é aquele negócio de “deixa comigo”, “deixa que eu faço”, acaba não fazendo nada. O procrastinador é um enrolador por natureza. Moral da história: Procrastinação, no fundo, mais parece um palavrão, então, afaste essa palavra do seu vocabulário porque o Departamento de Pessoal pode encarar a sua demissão como primeira na ordem de prioridades. Deixo para vocês mais uma “Frase do dia”:

“Em casa de ferreiro tem muito ferro”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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