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Coitado do Burro

Coitado do Burro

Ninguém nasce sabendo. O processo de aprendizado demora. São muitas fases que precisam ser vencidas. Aprender para apreender, para depreender, para compreender, para deduzir, para inferir, para concluir. Cada qual paga certo tributo ao tempo cronológico e depende fundamentalmente de pessoas nesse processo, desde a mais tenra idade. O modelo funciona desse jeito. Uns conseguem mais rápido do que os outros, prova é que o tempo durante o qual se aprende difere em razão de particularidades que acompanham o fato. Com o passar dos anos, há quem permaneça estagnado no tempo e no espaço; não evolui. Há quem siga em frente em constante aperfeiçoamento, cresça, conquiste, progrida, realize. Tudo é uma questão de oportunidade. Os horizontes também são dessemelhantes.

Uma atitude grosseira parte da sociedade que se acostumou a chamar os outros de burro quando não sabem determinadas coisas. Esquece-se, de repente, que quem tem o hábito de chamar os outros de burro, deveria antes fazer uma introspecção – exame que se faz de si mesmo. Essas pessoas, muito provavelmente encontrarão no fundo da alma um quadrúpede perdido, aguardando um novo chamado. Os sabidos, por regra do jogo, ficam autorizados a humilhar quem diz não saber, sem perguntar se querem aprender. Esse procedimento rudimentar é levado para dentro das empresas e já tive o desprazer de presenciar dramáticos acontecimentos.

Certa ocasião um funcionário foi escalado para substituir uma peça avariada de um motor estacionário que ficava numa altura de uns dez metros do chão. Subiu no andaime, pôs-se a trabalhar, e percebeu que tinha esquecido uma chave de boca com a medida exata da cabeça dos parafusos. Lá de cima pediu para o seu auxiliar jogar a chave certa. O Supervisor de manutenção, gritando para toda a fábrica ouvir, não perdeu tempo: “Ô seu burro, além de esquecido, você está pedindo a chave errada”. Caíram na pele do colega de trabalho e, para surpresa geral, ficou tão aparvalhado que acabou fazendo a ligação errada queimando o motor.

Simples retórica: Pessoas há que tentam transformar outras em perfeitas idiotas, pelo simples fato de fazê-las entender que não são tão importantes assim por não saberem ou dominarem certas informações; estas se sentem manipuladas, e com isso, perdem a vontade de defender os seus próprios pontos de vista com medo de “sacanagens explícitas”. As empresas têm perdido bons funcionários mal compreendidos pelos seus superiores, que os avaliam de forma inadequada. Na paralela, outros chefes preferem mantê-los como “carregadores de piano”, que continuam a serviço de um sistema manipulador. Ofensas verbais são passíveis de processo nas esferas trabalhista e cível. Os empregadores devem cuidar para que isso não aconteça sob pena de responderem ao pé das Leis. Quem se sentir vítima de alguma forma deve exigir reparos morais. Uma temporada de caça aos verdadeiros burros é bem vinda.

Verdade é que o simpático quadrúpede é sempre lembrado em situações inusitadas, mas ninguém assume de peito aberto que quer passar por elas. O interessante é que as pessoas insistem em pedir às outras que assumam a identidade do animal. Acho que todo mundo já chamou alguém de burro ao longo da vida, seja político, técnico de futebol, o chefe, ou mesmo um parente distante – próximo dá problema. Da parte do burro, ele pede encarecidamente que as pessoas mudem um pouco o tratamento amigável, ou seja, que passem a chamar os outros de jumento, asno, burrico, mu ou mulo (animal híbrido de jumento com égua ou de cavalo com mula). O burro só aceita o uso do seu nome na expressão “Pra burro”, que significa muito, em grande quantidade ou intensidade, ou quando nos referirmos aos políticos brasileiros, na condição de indivíduos estúpidos, broncos, ignorantes ou teimosos.

Frase do dia:

“Se um burro lhe der um coice não corte a sua pata, porque levará uma pancada com a outra”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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