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Consultoria & Marketing

Macaquinhos nos ombros

Macaquinhos nos ombros

Literalmente, se fossemos caçar todos os símios que habitam as florestas, reservas naturais e zoológicos para colocarmos nos ombros dos outros sempre que desejássemos transferir os problemas de trabalho, quer estejam sob a nossa responsabilidade ou não, certamente faltaria macaco. O macaco aqui é outro, ele é virtual, não pesa fisicamente, não tem formas definidas, todavia, representa simbolicamente atitudes pessoais; estas sim, dependendo de como são tomadas podem acarretar danos irreparáveis.

Certa ocasião um dos sócios de uma empresa de prestação de serviços na área de telefonia prospectou clientes potenciais, lojistas de um Shopping recém-inaugurado, oferecendo-lhes uma gama de serviços desde a instalação de equipamentos, treinamento de funcionários no novo Software e, sobretudo, programa de manutenções tanto preventiva como corretiva. A empresa prestadora de serviços mantém uma equipe full-time no dito Shopping. Porém, ao vender os serviços, o tal sócio da empresa, no corpo-a-corpo, não soube “vender o pacote” deixando de explicar aos clientes, detalhadamente, os termos firmados em Contrato, com isso, importantes informações não foram passadas conforme deveria. Pois bem, eis que num belo dia o telefone toca, o Supervisor da equipe atende, e leva a maior bronca de uma lojista que alegou ter comprado gato por lebre, que um determinado serviço não funcionava a contento, enfim, tudo era uma porcaria. Moral da história, aquele Supervisor teve o seu fígado comido, mas não esmoreceu, enfrentou o problema e o solucionou, preservando a imagem do sócio.

Como não foi ele que vendeu os serviços ou negociou diretamente o Contrato, poderia se dar o direito de responder simplesmente: “Isso não é comigo, favor dirigir-se à pessoa que negociou diretamente com a senhora, passar bem, boa-tarde”. Esse é o típico exemplo do “Vou colocar o macaquinho no ombro do outro” – aqui, no meu ombro, ele não fica, não quero problemas para mim. Veja que não é problema de falta de competência, é falta de compromisso com ele e com a empresa. “Eu não quero saber”, Isso não é comigo, é com o fulano”, são jargões conhecidos. Verdade é que, quando há a oportunidade todo mundo quer “tirar o seu da reta”. Se não sou o dono da bola, chuto pra frente. Se não tenho mulher, segura que o filho é teu.

Certo? Não, errado. Expor as pessoas é desleal, compromete a organização, o todo, o grupo de trabalho. Cada qual deve fazer a sua parte, e a sua parte pressupõe ações de ajuda. No quartel aprendemos uma coisa indispensável na lide diária: “Cobrir a retaguarda”. Entenderam? Conquiste sempre a confiança dos seus superiores e o respeito dos subordinados. Jamais se exima de responsabilidades, mesmo porque você também faz parte da empresa que a qualquer momento pode ser questionada pelo cliente. Aliás, diz a máxima: “O cliente tem sempre razão”. Aos olhos do cliente, que quer atenção constante, atitudes descompromissadas como a que relatamos, não só destroem a imagem da empresa no mercado, como passa a impressão de uma empresa com perfil de “Casa da mãe Joana”, de um barco sem comando, que só visa lucratividade imediata, sem se importar com os clientes que lhe pagam e esperam que a contrapartida seja verdadeira. A relação de consumo é uma via de duas mãos.

Mesmo fora do expediente normal, ainda mais se o colaborador é possuidor de um nº de telefone pago pela empresa que o permita dar o suporte aos clientes quando necessário, segundo o descrito nas suas atividades, o “plantão operacional” não acaba depois do horário, muito pelo contrário. É incorreto pensarmos que o funcionário tem que trabalhar todas as 24 horas do dia – é insensato, utópico. Sabemos, também, que se a sua carga de trabalho for excessiva, a sua produtividade ficará sobremaneira prejudicada. Ele também tem a sua vida pessoal, família. Atitudes seletivas fazem o diferencial positivo nos processos de trabalho. Não nos esqueçamos disto. Importante salientar que a maioria das instituições não dispõe de metodologias eficazes de mensuração do grau de envolvimento de um colaborador nas atividades desenvolvidas, sobretudo dos portões da empresa para fora. Como escopo da análise, podemos afirmar que o feedback dos clientes é fundamentalmente importante.

Discuta, divida responsabilidades, participe, opine, resolva, colabore, empenhe-se, corra atrás, oriente, treine, ensine, faça, ajude, estenda as mãos, acompanhe. Não se faça de rogado. Um dia você precisará de ajuda, ninguém é suficiente no ambiente de trabalho. Dependemos uns dos outros para se conquistar um resultado final. Regras básicas do bom convívio existem para serem seguidas. Todos agradecem.

Cuidado, você pode errar na escolha e colocar uma macaca no ombro do colega, e o macaco pode não gostar. Deixe de macaquice, a macacada vai gozar a sua cara. Não se esqueça de que macaco é um mamífero do grupo dos primatas, como o homem, então assuma o seu papel e deixe o animal em paz. Se não fizer isso, eles podem aparecer no plural.

Frase do dia:

“O melhor dos mundos para mim pode estar desfocado na visão dos outros”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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