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Cheguei atrasado!

Cheguei atrasado!

Dormi mal a noite; o relógio não despertou; o ônibus não passou no horário programado; passei mal, fui ao médico; minha mãe adoeceu; meu pai morreu; enfim… Arranjar mil desculpas para justificar os atrasos rotineiros de nada adianta, até porque o patrão dirá: “O que é que eu tenho com isso?”. Ele está totalmente certo. Lembre-se de que você foi contratado para responder por uma determinada carga horária de trabalho paga pela empresa – se você considera pouco o salário não cabe aqui a discussão; é outro departamento. Chegar atrasado uma vez ou outra, tudo bem, faz parte do processo, uma normal contingência que ocorre nas relações empresa x funcionário, mas desde que a parte contratante seja informada com a devida antecedência, ainda mais agora que vivemos em tempos de sofisticados celulares e outros tantos mecanismos avançados de comunicação virtual. Nunca deixe o seu chefe ficar sem informação.

Todos temos problemas que precisam ser administrados. É insano pensar que somos obrigados a nos comportar como naquela época em que não havia a CLT. A escravidão funcional acabou; ponto final. Quantas vezes você chegou atrasado no emprego? Já mensurou o quantitativo de horas que deixou de trabalhar? Fato é que o empregador não quer saber se o Departamento  Pessoal/RH fez as devidas deduções no seu contracheque (holerite para os paulistas). Com certeza ele estará mais preocupado com os resultados, com a produtividade. Isso ele cobrará dos seus superiores, com certeza. Dica importante: O funcionário que segue sistematicamente as regras da empresa onde trabalha e, sobretudo, preenche todos os requisitos necessários, é lembrado para promoções verticais, ao passo que o “contumaz errante” é muito mais observado pelas chefias, só que pelo lado negativo; é o que está valendo. Quando a empresa quer promover alguém, no processo de avaliação geralmente leva bastante em consideração a falta de responsabilidade e a displicência do funcionário, sendo que a competência passa a ter um peso menor; uma questão que leva à desclassificação do candidato. Portanto, não pise na bola.

Vamos imaginar outro cenário: Um colaborador qualquer dá sinais claros que perdeu o interesse por aquilo que executa, está cansado com a rotina de anos, o trabalho não rende, a produção fica comprometida, o chefe imediato se aborrece; choques de opinião e de interesses passam a ser comuns. A coisa é simples de entender e fácil de resolver; se houver vontade. Nesse caso, todas essas variáveis podem diretamente influenciar no comportamento do funcionário e uma das consequências é o fato de ele chegar atrasado ao trabalho com frequência; é como sentisse a sensação de estar indo pra forca. Seus ombros pesam, é um funâmbulo sonolento – a queda é certa e sua “morte funcional” realidade. A culpa não é do funcionário e sim da chefia cega.

Deixar o funcionário esquecido no fundo da sala é um erro capital. O chefe deve ficar antenado e ligar o “desconfiômetro” para evitar que isso aconteça. Uma simples transferência de seção ou departamento pode ser a transfusão de otimismo de que precisa o funcionário desmotivado. É comum encarregados “negligenciarem” os seus subordinados por entenderem que se eles não reclamam é porque está tudo bem – triste engano. Da chefia exige-se uma gestão participativa e valorização constante dos seus comandados, que devem ser chamados a tomar parte dos processos decisórios. Outra coisa, um “muito obrigado” faz bem ao ego das pessoas, um gesto de reconhecimento. Como vimos, são ações não complicadas que trazem enormes benefícios para todos, sobretudo para a empresa.

A rigidez de compromissos de tempo é condição firmada quando do início do expediente legal, ao passo que as flexibilizações, quando possíveis, são adotadas mais pro final da jornada de trabalho. Nem sempre a rijeza impõe constantemente regras de conduta, seja uma variável limitadora das relações, ou atitude que impeça a busca por outras opções de comportamento, de sorte que à ela podemos atribuir o condão da máxima “O que é negociado não sai caro”.

Uma corrente de pensamento defende o que chamamos de “horários flexíveis de trabalho”, ou seja, o funcionário define o turno que melhor se adapte ao seu perfil, considerando uma gama de fatores de ordem biológica, psíquica, emocional ou social. Não é só o funcionário que tem que se adaptar à empresa por obrigação, a empresa também tem as suas responsabilidades para com o colaborador por respeito. Constantes mudanças têm ocorrido diuturnamente nas relações trabalhistas, sobretudo pela ação dos Sindicatos de Classe. Lembre-se que entre duas ou mais pessoas, de um lado a Jurídica e do outro as pessoas Físicas, deva-se reservar um bom espaço para negociações. A estratégia manda que nenhuma das partes deva dar as costas a um convite para sentar à mesa. Dito isto, é sempre bom evitar contratempos.

Outra tendência mundial, que virou febre na Europa e em muitos outros países, é o chamado “Home Offices”, pela tradução, “Escritórios Residenciais”. Como exemplos aqui no Brasil, as multinacionais Ticket e Shell, depois de comprarem o conceito, obtiveram bons resultados como aumento de faturamento, redução de custos e maior engajamento por parte dos funcionários que se enquadraram dentro desta nova prática de serviço. Na Inglaterra, cerca de 80% das empresas têm algum funcionário trabalhando em casa e o objetivo é atingir o percentual de 100% no decorrer deste quinquênio. Sem dúvida alguma é uma experiência extraordinariamente positiva. Cabe ressaltar, contudo, que os funcionários escolhidos para executarem as suas atividades no ambiente doméstico-familiar precisam, acima de tudo, ter severa disciplina, compromisso com os resultados e zelar pela imagem da empresa. Daí pra frente resta dar um “adeus” ao cartão ou à assinatura de ponto e suprimir do vocabulário expressões como “Cheguei atrasado”, “Perdão, não acontecerá mais”, “Foi só dessa vez, chefe”, “Tô lascado!”.

Porém, o mais importante disso tudo é que os funcionários deixarão de matar virtualmente os seus parentes na tentativa de justificarem os atrasos, como foi até então. Já em casa, no “Home Offices”, esses mesmos funcionários terão que bem administrar a palavra NÃO toda vez que a esposa ou o marido pedir que façam alguma coisa dentro do expediente de trabalho como passear com o poodle, molhar as plantas, limpar a piscina, ir ao supermercado, fazer sexo ou dar aquela merecida dormidinha depois do almoço.  No final todos acabarão se entendendo e o estresse será coisa do passado, até surgirem os novos problemas. Acorda, está na hora de levantar, porque o chefe daqui a pouco fará uma reunião on line – ligue o computador!

Augusto Avlis.

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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