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Esportes

Daqui não saio, daqui ninguém me tira

Daqui não saio, daqui ninguém me tira

 

Essa minha mania de ler as últimas manchetes toda vez que navego na Net é uma coisa horrorosa. Não aprendo mesmo! A necessidade de me manter razoavelmente informado, dada a velocidade como as coisas acontecem, não me dá outra escolha. Quem costuma ficar indignado é o jornaleiro porque não compro mais notícias impressas com a mesma assiduidade de antes. A simpática foto de Ricardo Teixeira me persuadiu a bisbilhotar a matéria. Ora, se os juizes de futebol erram descaradamente nas arbitragens e nada acontece com eles, não podemos condenar os juizes de direito no caso Ricardo Teixeira. Em parte Ledio Carmona concorda comigo: “Projeto, carência e cornetas – Espetáculo – Dois clássicos, pouco mais de 15 mil pagantes, estádios às moscas e erros decisivos da arbitragem = Cariocão 2012” (Coluna Jogo Aberto, Jornal A Tribuna, Vitória, ES, quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012). Repito: “Erros decisivos de arbitragem”. Por enquanto.

À luz do cabaré, quem morrem de amores pelo Ricardo Teixeira é o comentarista Juca Kfouri e o técnico Leão (Pode ser o bicho da Receita). Os últimos escândalos envolvendo a figura do presidente ainda em exercício da CBF – Confederação Brasileira de Futebol, e também presidente do COL – Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, parecem não abalá-lo. Para quem está no cargo há 23 anos, supostos envolvimentos em casos de corrupção (propinas recebidas da falida empresa de Marketing ISL na década de 90, superfaturamento de um amistoso entre Brasil e Portugal em 2008, e etc), não seria muito pouco para o linchamento público? O desgaste de sua imagem perante a FIFA e o Governo Federal é pirotecnia.

Inocência acreditar que Ricardo Teixeira deixaria a CBF. Existem muitos interesses econômico-financeiros de caráter particular que transcendem qualquer sentimento de patriotismo, sobretudo além das nossas fronteiras. Estou mais preocupado é com a montanha de dinheiro que está saindo dos cofres públicos para o “financiamento” da Copa 2014, é com os processos de licitações, é com as famigeradas prestações de contas. Por outro lado, aqui no Brasil, acusações não são para serem rebatidas ou comprovadas, e sim para serem desmoralizadas.

Foto: Getty Images - Ricardo Teixeira e Ronaldo em evento da Copa de 2014

Será que está tudo indo pro espaço?

Ricardo Teixeira jamais renunciará ou pedirá licença dos cargos que ocupa. Podem apostar. Nesse galinheiro não entra outra raposa. Na última sexta-feira, 17 de fevereiro, a CBF soltou um comunicado dando conta que ele retornaria às atividades normais logo após o Carnaval. Os rumores sobre o seu afastamento tendem a arrefecer quando começar o desfile das Escolas de Sambas do Rio de Janeiro, no sábado, dia 18. Tudo acaba no esquecimento, ou melhor, em cinzas. Uns ficarão contra, outros a favor, apoios declarados, dissidências silenciosas, ameaças ocultas de retaliações; tudo isso faz parte das regras do jogo com o primeiro tempo correndo. Teixeira não nasceu para ser bode expiatório, muito menos levar bolas nas costas. Denúncias de corrupção também correm dentro da FIFA e ele sabe perfeitamente por onde atacar para se defender.

Ao som dos tamborins e cavaquinhos, a pátria de chuteiras está descalça, mas orgulhosa por ocupar o 7º lugar no ranking da FIFA (1º Espanha, 2º Alemanha, 3º Holanda, 4º Uruguai, 5º Inglaterra, 6º Portugal). Os obtusos apaixonados ainda dirão: “Isso não importa porque a Argentina está em 11º lugar”. Aos tolos torcedores, que continuam dando com os ombros, só resta o consolo de continuar torcendo por um escrete escroque (porque se apropria do seu sentimento maior) escalado por quem domina o futebol brasileiro em todos os sentidos, não é de hoje. Cadê o técnico? Cadê o dinheiro? Enfim, o ópio do povo não é o futebol, é a ilusão.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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