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O Sucesso

O Sucesso

Numa das palestras que proferi para funcionários da área comercial de uma multinacional do ramo de refrigerantes, um deles me perguntou o que eu entendia sobre Sucesso. Antes de conceituar ao pé da letra esse substantivo masculino, vamos procurar entender qual o seu verdadeiro significado para a sociedade da competição: Sucesso é a percepção que você tem de “ser” ou “estar” melhor do que os outros, pessoas do seu mundo de relacionamento, quer na escala pessoal, social, cultural, intelectual, econômica, ou o que você preferir como “artigo de comparação abstrata”. Então, chega-se à conclusão que o conceito de Sucesso vai muito além de o que sucede; acontecimento; bom êxito; resultado feliz. Você promove as ações.

O querer mostrar, ou simplesmente aparentar, determinadas situações, ou meras circunstâncias, é determinante para se estabelecer esse sentimento. Deixou de ser uma necessidade implícita para se tornar uma conveniência explícita. O homem é levado, ou se deixa levar muitas das vezes, pela “vaidade competitiva” e as regras para se entrar nesse jogo são duras, impessoais, impiedosas, desumanas. Há quem se predisponha a pagar o seu preço. Tudo bem, conhecendo os riscos. Muitos não conseguem, digamos, “segurar a viola”, desistem no meio do caminho com facilidade e ficam curtindo frustrações pro resto da vida. Criticar de tudo e de todos passa a ser item deveras indispensável no cardápio diário. A sociedade cobra o Status.

A primeira ordem na lista de prioridades passa a ser espalhar cascas de banana pelo caminho onde os seus concorrentes passam. A busca desenfreada pelo sucesso faz você conjugar mais o verbo “ter” do que “ser”. É mais importante possuir tudo o que se deseja do que conquistar. A ordem natural das coisas é virada de cabeça para baixo. A primeira pessoa do singular nunca foi tão exigida na conjugação dos verbos nesses últimos tempos. Eu primeiro, depois eu, depois de mim sou eu, e, por fim, você, se não puder ser eu de novo. Entendeu? Infelizmente, cada qual olhando exclusivamente para o seu próprio umbigo. Jogue limpo.

Depois que você conseguir tudo o que quer, sentir-se-á vitorioso, um cara realmente de sucesso, parabéns, caso contrário, será mais um para engrossar a galeria dos derrotados. Cantarolar vitória antes do tempo é desaconselhável, sentir-se derrotado todo o tempo é problemático. Buscar um equilíbrio; eis a questão. Reflita sobre a sensação de vazio interior, que age mais drasticamente do que a corrosão na lataria de um carro. O preço que se paga pelo sucesso é alto, em alguns casos até mesmo impagável, e o expediente que se emprega para atingi-lo muitas das vezes está em desacordo com as boas normas de conduta.

Passar por cima de todo mundo é imperativo. Atropelar quem está na frente, uma questão de sobrevivência. Pra tudo há um tempo, ou deveria, mas parece que para determinadas pessoas o ponteiro que marca as horas corre na mesma velocidade do ponteiro dos minutos. A velocidade excessiva desloca os retrovisores – na maioria dos casos, moral, ética, dignidade, respeito, princípios e honestidade não valem absolutamente nada. Embalagens descartáveis. Conselho: Não se dependure no saco do seu chefe, em nada irá ajudá-lo, mesmo porque lá você poderá encontrar outras mãos, que podem estar sujas. Cadeira de bajulador só tem três pernas!

A pressa de se chegar ao topo, descarta qualquer tipo de aprendizado sistematizado. Esquece-se, de repente, que quanto mais alto se está, sem o devido embasamento, mais rápido o tombo. “Faça sempre o que eu mando, nunca o que eu faço”. Essa máxima sendo substituída por: “Questione oportunamente as ordens insensatas e copie as boas ações”. “Manda quem pode, e obedece quem tem juízo”. Esse outro aforismo substituído por: “Divida responsabilidades e valorize a participação”. Será que estamos devidamente preparados para tão profunda mudança? O ser humano é formado por feixes de egocentrismos, que deles faz o seu centro de interesses. A cegueira virtual decorre desse processo.

Portanto, outra máxima nos remete à reflexão: “O sucesso existe na plenitude desejada, desde que não seja alcançado por outra pessoa, para que não sobre para nós somente a amarga inveja”. É o que está valendo, para as pessoas que não fazem por merecê-lo.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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