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Consultoria & Marketing

Eu não sei

Eu não sei

Sou admirador do Consultor de Empresas Max Gehringer, por isso, o ouço regularmente na Radio CBN. Questões emblemáticas são discutidas numa atmosfera amena e com interessante conteúdo. Temos opiniões comuns nos pontos de vista defendidos. Simultaneidade ocasional.

Em agosto de 2006 estava realizando um trabalho de consultoria numa empresa do ramo de bebidas e me recordo que um dos assuntos mais badalados na ocasião versava sobre o medo que as pessoas tinham de dizer “Não sei”. Esse comportamento é muito atual. Com receio de dizer ao chefe imediato que não sabe executar uma determinada tarefa, quando esta lhe é confiada, o requerido tem toda a possibilidade de desencadear um processo de desgastes generalizados acarretando, por consequência, o famoso retrabalho, trazendo no vácuo o aumento de custos. Funcionário sabido é aquele que admite quando não sabe. Isso não o diminui absolutamente em nada, muito pelo contrário, evita problemas, para ele e para a empresa onde trabalha.

Assumir riscos desnecessários não é prova de autoconfiança, é burrice. Diga com firmeza “Eu não sei fazer, preciso de orientação e de ajuda”. Tal postura não denota humildade, mas sim inteligência. Se o funcionário se cala, admite saber fazer, compromete-se, e aí que as coisas saem erradas. Ao encarregado imediato cabe identificar as potencialidades de cada um dos seus subordinados, isso encurta a distância entre o pedir e obter resultado. Ao funcionário cabe procurar aprender com quem sabe e se reciclar constantemente, seja através de cursos promovidos pela própria empresa como em instituições de ensino fora dela.

Comumente, quanto mais elevado o cargo, o executivo tende a adquirir autoconfiança, o que o leva, muitas das vezes, a não admitir que não saiba determinadas coisas ou que não tem na ponta da língua determinadas respostas. Dominar tecnicamente a sua área de atuação e ser bem aceito entre os colegas de trabalho não são fatores suficientes que garantam ao questionado o pleno domínio de todos os assuntos da empresa, ainda mais quando outros departamentos, direta ou indiretamente, estão envolvidos no processo. A gestão participativa – compartilhada – pressupõe divisão de responsabilidades. Contudo, ainda tem pessoas que não percebem isto.

No processo de comunicação de uma empresa – não importando o grau de informalidade – podem ocorrer ruídos. Muitas das vezes a decodificação das mensagens não é processada convenientemente pelo receptor e isso pode acarretar duplas interpretações. Portanto, checar as informações junto às suas fontes é prudente, antes que sejam passadas adiante por alguém que diz saber tudo. São comuns problemas advindos da tomada de decisões baseadas em informações erradas e que podem levar a empresa a amargar prejuízos inesperados e a sofrer consequências irremediáveis. De preferência, após o tradicional “eu não sei”, peça um tempo para retornar com o “feedback”. Solicite um tempo, mas não o apraze. Os subalternos geralmente têm uma valiosa contribuição a dar, jamais os despreze, sobretudo aqueles que “fazem funcionar a máquina”, aqueles que estão na base da operação industrial, esses são os verdadeiros agentes do processo produtivo. De onde menos se espera, surge uma excelente idéia. Fique atento para identificar essas pessoas.

Sempre que puder, complemente a resposta para a melhor compreensão da problemática. Um exemplo: O presidente de uma indústria de refrigerantes perguntou ao gerente de produção quantas caixas de um determinado produto seriam engarrafadas no terceiro turno para atender ao departamento comercial. O gerente de produção poderia se limitar a responder: “15.000 caixas”. Entretanto, foi mais além na sua resposta, complementando-a: “Total de 15.000 caixas. Já o turno da manhã ficará comprometido porque faltarão garrafas, caso haja continuidade dessa produção, e para não comprometermos a eficiência da linha seremos obrigados a mudar o tamanho do vasilhame”.

É sempre bom lembrar que o uso rotineiro da evasiva (escapatória) “eu não sei”, aos olhos dos superiores hierárquicos, pode representar três coisas: 1º) Desinteresse pelo que está acontecendo, caracterizando má gestão do negócio; 2º) Não querer se comprometer ou não se envolver no processo por receio de ter aumentado o seu trabalho; 3º) O mais aplicável, incompetência.

O que vou dizer agora não é uma cobra de 7 cabeças para quem não sabe, e sim importantes “dicas” para quem quer aprender:

1ª dica: “Em terra de cego tem muita topada”.

2ª dica: “Só abra a boca quando tiver certeza, perdão, quando o momento for propício”.

3ª dica: “Só dê opinião quando o sinal estiver verde”.

4ª dica: “Saiba dividir idéias para que você não as perca”.

5ª dica: “Não sofra antecipadamente porque você não é peru de festa”.

6ª dica: “A raia miúda é a sua maior aliada”.

7ª dica: “Provoque as mudanças, antes que mudem você”.

Coincidência o número 7. Isso foi só uma simultaneidade ocasional.

Tenham um bom dia de trabalho.

Augusto Avlis.

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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