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TV - Variedades

BBB – 2ª parte

Big Brother Brasil em 6 Atos

FALTA DE RESPEITO. Sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor. Mais do que isso, como tal, sou cria de Deus. Faço parte de uma criação seletiva (ainda mais agora que estão dizendo que Deus é brasileiro), devidamente criado com criatividade, eu me tornei uma criatura criativa. Comecei a criar desde cedo e até hoje não perdi esta mania de dar existência a idéias. Para se ter uma idéia, a sigla “BBB” sugere, com criatividade, algumas criações: Bom, Bonito e Barato”, Besteirol Baseado na Banalidade”, Babaca Bêbado Babando”, Baixaria à Base de Basbaquice”, Bicha Bexiguenta e Baldia”, enfim, qualquer junção de vocábulos – a gosto e a contragosto –, que faça sentido, ou que não faça, dependendo da criatura que os criou (os vocábulos), como cria do criador maior, à luz da fertilidade imaginária; se tiver criatividade.

O que não faz sentido algum é o programa. Produzir um programa nos moldes do Big Brother Brasil, no Brasil avermelhado, ou como os leitores queiram chamá-los (o Brasil e o programa), é uma tremenda falta de respeito ao mui desprezado povo brasileiro, que há muito tempo faz mágica para sobreviver e muitas das vezes não tem o que comer em casa, pelo simples fato da “mídia roxa” se dar o direito de agredir a audiência, afrontar diretamente as regras básicas de comunicação e atentar contra o estado democrático de direito com sutis toques de sadismo e humor negro, num completo desserviço à sociedade, independente de classes (eu também estou dentro). Não me empurre pela goela abaixo o que não quero degustar.

Os “olhos mecânicos”, já conhecidos, permanecem bem arregalados – são as mil câmeras de TV, estrategicamente posicionadas no lado de dentro, que permanecem ligadas durante as vinte e quatro horas do dia para o registro dos inúmeros flagrantes. Bastava apenas dez por cento dessas câmeras, estrategicamente posicionadas no lado de fora, para o registro de flagrantes do cotidiano do nosso povo, protagonista do popular programa “Little Friend Favelado”. A sigla “LFF”, também sugere, com criatividade, algumas criações: Lasque-se, Fodido Favelado”, Latrina pra Freguês da Fome”, Lombriga Fresca e Fofinha”, enfim, vou parar por aqui porque corro o risco de faltar com o devido respeito aos meus princípios de amigo – aos meus, eu disse! Prefiro, honestamente, a expressão “Pequeno Amigo” a “Grande Irmão”. O “Grande Irmão” é falso, assumiu a autoria das três criações criativas para a sigla “LFF” e nem está aí para a hora do Brasil, nem para os nossos “Littles Friends Favelados”. O “Big Brother”, da “Big Rede Globo” e da “Big Audiência Manipulada”. Bam… Bum…

No confronto e contraste diretos das imagens, as câmeras internas mostram ao público a suntuosidade da mansão “BBB” (Condomínio Fechado da Riqueza), com seus inúmeros cômodos, verdes jardins e majestosa piscina; mostram gente inútil, ociosa, fútil, imbecil, não fazendo absolutamente nada, comendo e bebendo do bom e do melhor, dormindo em camas confortáveis, desfrutando das regalias nababescas e das incontáveis mordomias pagas pelos patrocinadores, que são pagos pela audiência consumidora e, como se tudo isso não bastasse, gente que ganha muito dinheiro e prêmios materiais, com impressionante facilidade. Enquanto isso, as virtuais câmeras externas – se instaladas e ligadas fossem – revelariam a fragilidade dos barracos marca “LFF” (que compõem o Condomínio Aberto da Pobreza), feitos de madeira tosca, ou de lixo industrial, com um cômodo apenas, denso matagal e vala aberta; mostrariam gente humilde e muito esquálida, remando contra a maré, desempregada ou trabalhando na informalidade, comendo e bebendo das migalhas deixadas pela sociedade do capital, dormindo sobre papelões, ou ao relento, e gozando da negligência dos poderes públicos, estimulada por interesses escusos. Este quadro de desigualdades é por demais triste – só dá IBOPE em tempos de “Bigs” campanhas político-eleitorais, que elegem “Bigs” Caras-de-pau.

Contra-regra, acabou o 1º Ato.

2º Ato – AUDIÊNCIA EM DISPUTA. Entrar no jogo do “vale tudo” é decisivo para as emissoras de televisão que lutam pela conquista da audiência, cada vez mais fragmentada. Granjear a fidelidade, ainda que temporária, dos espectadores, hoje não depende tanto da qualidade dos programas exibidos, na medida em que o nível de exigência deles caiu nos últimos anos. Com reduzidas doses de anestésicos comunicacionais, se consegue grandes efeitos de idiotização. Neste caso, a qualidade é uma variável questionável. O público espectador se enlouquece, vai ao delírio, quando as TVs usam expedientes apelativos e golpes baixos, que já fazem parte do processo de catarse; a rigor. Por conseqüência, rapidamente os objetivos são alcançados, não obstante, na contrapartida, ocorre a inversão de valores – o que menos importa para as TVs –, sobretudo quando os resultados apontados pelas pesquisas especializadas ratificam a liderança de audiência em horários específicos (nobres).

Os patrocinadores, anunciantes, batem palmas e as emissoras faturam como nunca. Tudo o que foge à regra, atrai e estimula. Estamos frente a questões deveras emblemáticas. Rotular o ruim como a única e, talvez, a última alternativa de entretenimento, sem dúvida, provocará várias conseqüências desastrosas e sinistras para a formação desta como das próximas gerações. Longe de ser simpático a quaisquer manifestações de censura coercitiva, estou convicto que, para determinados casos, a aplicabilidade de “regras de conduta” é plenamente factível para que o efeito multiplicador do “lixo cultural” não se converta em problema sem solução. Fenomenologicamente, para captar e capturar – atrair e prender – a audiência da massa de espectadores é mais do que certa a implementação imediata de ações descompromissadas com o bom-senso e o pudor. A disputa pela audiência parece recrudescer e não há regras nesse jogo. Os telespectadores não param de consumir produtos ruins – é o ‘real-imaginário’ dando sinais imperativos.  

Lamentavelmente, estamos todos submetidos – subjugados – a tristes espetáculos que nada contribuem para o desenvolvimento cultural do nosso povo; muito pelo contrário, ajudam a destruir o pouco que de bom ainda existe. Talvez se queira construir uma ponte entre o modelo tradicional de comunicação e outro que permita a quebra, sem preconceitos, das regras que regem, ainda que duvidosamente, o atual sistema, transformando-o num produto secundário. Como pano-de-fundo, surge, com premência, a necessidade da “experimentação do novo”, que coloca, habilmente, em destaque, os telespectadores em primeiro plano na ordem de prioridades estabelecida pelos criadores desses macabrismos. Entretanto, esta mídia de futilidades não tem o direito de tratar os diferentes públicos como se fossem “objetos manipulados pelos prazeres subjetivos”, porquanto é notória a sua missão: completo deleite das mentes como desejo expresso. O importante é gozar; não importa como e por qual lado.  

No inferno televisivo, Satanás – com suas mil facetas – encarnará o personagem do anjo salvador e, objetivamente, colocará uma venda nos nossos olhos e nos fará beber uma poção alucinógena, para que não tenhamos a real visão do caos e a percepção da exata profundeza da eterna morada dos demônios virtuais, na qual, a “Indústria Cultural”, bem representada pelas televisões brasileiras, com suas agendas lotadas de programações doutrinadoras, nos está convidando, com muita honra, para entrar e participar desta orgia, devidamente aquecida pelo fogo da perdição. Ah, ah, ah, ah, oh, oh, oh, oh! Sai, sai, “Cão”!

3º Ato – BURACO DA FECHADURA. Quem nunca espiou pelo buraco da fechadura, que se cale. Quem mente nunca ter feito, condenado será à fogueira. O substantivo feminino brecha quer dizer abertura feita em muralha de fortificação; fenda; ruptura; espaço vazio; lacuna. O verbo brechar, muito “conjugado” na região norte do Brasil, significa bisbilhotar; investigar com curiosidade; levantar suspeitas; examinar; dar uma espiadela; espreitar; enfim, observar escondido e secretamente, mas, sempre de olho na vida alheia como alvo principal. Só não vale pagar na mesma moeda, de modo que quando passamos a ser o objeto de desejo a coisa fica complicada.

Quero saber quem nunca deu uma de espia; espião; vigia; sentinela; agente secreto – é claro, menos aquele “secreto” de nacionalidade portuguesa. Desde crianças, gostávamos – e éramos empurrados pela curiosidade normal – de meter os olhos (primeiro o da direita) nos buracos das fechaduras, sejam das portas dos quartos, ou dos banheiros, enfim, de algum outro cômodo que pudesse revelar, e desnudar, algo de extraordinário, todavia, sempre com a pretensão de flagrar alguém trocando de roupa ou em cenas de sexo explícito. Tudo era válido pela obtenção do prazer proibido. De pênis ereto, a punheta era certa. Siriricas também eram comuns, desde que longe dos meninos de pênis ereto.

Fui condenado a rezar duzentas “Aves Marias” e quatrocentos e trinta e sete “Meu Pai” (Nossos), logo depois que me confessei com o pároco da igreja do meu bairro, Dom Custódio de Oliveira e Silva. As Aves Marias eu rezei contando só os números pares e a oração que o Pai nos ensinou somente os números ímpares. Em seguida, pequei novamente, porque disse à minha mãe que o padre tinha cara de tarado e de pedófilo (A pedofilia, também chamada de paedophilia erotica ou pedosexualidade, é a perversão sexual, na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes, ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade, ou no início da puberdade). Cuidado!

Minha mãe, mesmo me amando muito, me esconjurou. Pecados à parte, aquilo nos estimulava e despertava a libido. Os desejos reprimidos davam lugar às “fantasias reais” e muitas das vezes, é fato, provocávamos orgasmos através de masturbações (punhetas, só com as mãos), pensando nas priminhas ou nas empregadas dos outros – só de imaginar comer uma das próprias irmãs, era o suficiente para despertar a cólera divina, a propósito do estímulo do Diabo encarnado. Sonhos eróticos estavam liberados, desde que não acordássemos os nossos avós.

Com o passar dos anos, algumas pessoas se transformaram em “Voyeur” – ativistas –, com certo destaque pela sua potencialidade. Na realidade, quem já teve o prazer de experimentar o exercício do “Voyeurismo”, dificilmente deixa de fazê-lo, em razão da imensa excitação sexual sentida ao olhar para as “partes”, ou atividades sexuais, dos outros. Neste caso, não se trata, apenas, de gozar com o sexo dos outros. O buraco, ou melhor, os buracos, nunca estão no exato lugar que a gente pensa que estejam quando precisamos deles. De vez em quando o tato pode ajudar a descobri-los. Ninguém liga para os odores. Os produtores do programa “Big Brother Brasil” conhecem muito bem desta matéria. Sabem perfeitamente que explorar este campo reservado da mente humana torna a audiência prisioneira, enquanto sentir clímax continuado, ou de forma sucessiva, e a necessidade claríssima de tornar livres determinadas vontades guardadas no inconsciente. Libertar-se de tabus e dogmas passa a ser o objetivo número um do indivíduo. Esses mesmos produtores nunca se deixam revelar. O instinto sexual como força vital é a peça-chave, ou melhor, é o buraco certo.

4º Ato – ATOR COADJUVANTE. Especialistas que se ocupam dos fenômenos psíquicos e do comportamento humano concordam num ponto: violência, situações que envolvem dinheiro e sexo são os principais ingredientes que estimulam reações, sejam de amor e ódio, paixão, sentimentos de culpa, desejos incontroláveis, por exemplo. Essas mesmas “reações”, uma vez identificadas, ganham a preferência na forma de pensar e interagir das pessoas. Esta tendência leva o indivíduo a valorizar o ridículo em detrimento do sensato. Por tese – simbolicamente –, este pode ser um modo pelo qual a pessoa tenta escapar das agruras da vida; o que seria um “basta virtual” para os seus problemas. Também, de que adiantaria pensar demasiadamente neles, se a sua solução mais depende dos outros do que de si próprio, sobretudo quando se trata de desemprego, falta de oportunidade, descaso dos poderes públicos, violência, fome, frio? Portanto, esses gritos “não conscientes” de Chega! Não quero mais! Estou fora! não são indicativos de cessação de situações ou questões difíceis e embaraçosas, mas podem, mais do que perfeitamente, ser sintomáticos, ou seja, podem revelar a existência da “necessidade inconsciente da substituição”. É como se abríssemos a porta do nosso cérebro e deixássemos entrar pensamentos mais tênues, os quais tomariam o lugar dos problemas – fariam às vezes de. Saca? Este processo é o que faz uma pessoa deixar de pensar numa determinada coisa e, imediatamente, sem que perceba, está pensando em outra, completamente diferente. Algumas pessoas até parecem se comportar de maneira estranha, levando as outras, que as cercam, a deduzirem que estão “navegando na maionese”, desligadas, enfim, coisa que o valha.

O povo se considera um mestre na arte da “navegação na maionese” e no “Processo de Substituição”. Prova disso, é que ele, o povo, por opção e não vocação, é “explicitamente voyeur”. Veja os candidatos que elegeu nas últimas eleições de outubro de 2002, desde Deputados Estaduais, Federais, Senadores, Governadores, até o nosso mais novo Robin Hood de Brasília, o não reconhecido petista Lulalá (porque trocou o PT, Partido dos Trabalhadores, pelo novo partido TP, “Tô Perdido”). Vão gostar de assistir às putarias dos políticos na ‘PQP’. Agora, Lulacolá assiste, também na primeira fila, a sacanagens explícitas feitas por políticos devassos e por seus asseclas despudorados – se chega ao orgasmo, isso eu não sei.O corpo do Estado, aqui e lá, está com câncer generalizado, totalmente enraizado – vide o exemplo do escândalo no Rio de Janeiro, conhecido como Propinoduto, envolvendo fiscais de renda na remessa ilegal de quase quatro dezenas de milhões de dólares para a Suíça sob as “vistas grossas” dos médio e alto escalões da “área”. Todo dia, nos meios e veículos de comunicação, pipocam noticiários por todos os lados trazendo à opinião pública (que opinião?) novos casos de corrupção, desvios de verbas públicas, roubos comprovados, mutretas (eu prefiro mutreta a motreta), enfim, toda a sorte de falcatruas. Não há mais espaço na mídia para notícias boas. O povo, no seu mais completo e eficaz exercício da “Substituição”, está se satisfazendo com outros tipos de sacanagem, na medida em que já se auto-convidou para participar, como ator coadjuvante, do Big Brother Brasil. Falta atitude; sem precisar expor o sexo – ou se deliciar com o sexo dos outros.

Prestígio, minutos de fama, contratos de publicidade à vista, sair do anonimato, muito dinheiro em jogo, exposição na mídia, são fatores que compõem o quadro geral de interesses que leva milhares de pessoas a se inscreverem, segundo dados levantados, no primeiro estágio do “BBB”, que é o de seleção e classificação dos candidatos, para, então, terem uma chance de participação efetiva no programa. É um Deus nos acuda. Vale tudo. As cartas estão marcadas.

Os eleitos participantes, “tolos” – iluminados pelo ocultismo –, terão que trocar de máscara na porta de entrada da casa “BBB”. Uma vez lá dentro, espontaneamente, farão três promessas: primeira, comprometem-se (tudo previamente combinado entre as partes) a mostrar os seus corpos em total ou parcial nudez – na verdade, é como se fosse um prévio ensaio, um teste mesmo, para futuros contratos com revistas especializadas; segunda promessa, concordam em encenar momentos de intensa sexualidade, de falsas intimidades, de transas simuladas, de brigas, reconciliações, de conchavos, complôs e traições, de risos brancos ou coloridos e choros compulsivos; terceira e, por enquanto, última promessa, aceitam pôr em cena exemplos de relacionamentos norteados pela hipocrisia, por “reais” sentimentos dissimulados e “falsas” falsidades desmedidas – cobras engolindo cobras num jogo desleal de interesses; num perfeito disse-que-disse e perigosas “relações conectivas”; contatos simplesmente corporais. Por fim, chega-se à conclusão que as pessoas só querem se promover. Uns fingem de um lado, outros do outro. Ninguém tenta comer o cu daqueles que se fingem de mortos porque o Pedro Bial não deixa. Quem se finge de morto na hora errada não come nada cozido ou assado – ainda corre o risco de ser enterrado antes do tempo.

5º Ato – BUNDA JÁ VIROU CARA. O povo brasileiro quer – e está cada vez mais ávido, desejoso, ardente, sôfrego e voraz – assistir a cenas de sexo (há muito ele não faz), e falta pouco, muito pouco mesmo, para ver o interior dos úteros, e pênis, aos pares, balançando no horário nobre, durante o jantar. Pinto duro não balança, só entra. Que bom! Só faltam os festins licenciosos e, pra quem preferir, melhor, os banquetes libertinos, os bacanais, as orgias coloridas – em preto e branco também serve. Afro-descendente com branco, branco com amarelo, branco com branco, enfim… Vale tudo. Diga-me com quem dorme que quero dormir junto. E Afro com Afro? 

Todas essas profundas aberrações – anomalias monstruosas – terão lugar comum na mídia planetária, infelizmente. Alguns críticos, e pessoas sérias, já classificaram o programa como nojento. Eu, particularmente, vou mais longe, todavia, por uma questão de juramento, calo-me; só desta vez. Para o “paredão”, de fuzilamento, aqueles que trouxeram este “lixo cultural” para o nosso país e incentivam a sua exibição em salas abertas (nossos lares). Este “lixo cultural” pode perfeitamente ser reeditado nas versões IV, V, VI, VII, VIII, e assim por diante. Só depende de você, telespectador, tomar a decisão do que fazer com o botão da TV, mais conhecido como “liga/desliga”. A curiosidade é uma merda! O Brasil inteiro vai ficar de olho na tela. Basta abrir a janela e se deixar mostrar total, ou, se esconder, parcialmente.

6º Ato – FATO APOCALÍPTICO. O cidadão de bem, se considerado como tal, tem coisas mais importantes pra fazer e não é difícil tarefa citarmos alguns bons exemplos: dar plantão num hospital de cancerosos, ou de aidéticos, ou num asilo, ou num orfanato. Quem sabe até numa unidade prisional. Quem sabe limpar a cidade que ele mesmo ajudou a sujar naquele momento de falta de lucidez. Quem sabe convencer os bandidos e marginais a largarem a vida de crimes. Quem sabe dar aulas de honestidade aos políticos. Quem sabe dar o ombro para os favelados, os pobres e os desafortunados se confortarem; enfim, fazer algo de proveitoso, em prol de toda uma comunidade carente de recursos e, sobretudo, de esperança. A prática da putaria explícita não pode ser mais importante do que isso. Implementadas estas ações, aí sim, seriam, de fato, exemplos de bons serviços prestados ao próximo e à sociedade como um todo. Vamos sugerir que a produção – caríssima, por sinal, pra vender o que se propõe – dos próximos (eventuais) programas com o título Big Brother, se espelhe nestes exemplos para justificar a junção do nome Brasil àquela terminologia inglesa. O programa Big Brother Brasil – não importa em que versão – traz consigo uma tremenda carga de mensagens subliminares, que não passam do limiar da consciência. Influências de época causam traumas de infância, resultando abalo mental (emoção violenta) que pode levar a uma neurose. A geração que se inicia, desprotegida, está sujeita a isto, invariavelmente. Urge a necessidade da revisão de valores intrínsecos ao processo de comunicação. Mas, a necessidade do domínio da massa…

O mundo caminha para a globalização, não no sentido da união dos povos, mas, sobretudo, com a finalidade de “juntar riquezas” para dividi-las com os poucos países dominadores, que certamente mostrarão aos demais, no tempo hábil, o seu grande poder de intimidação pela força bélica – única e exclusivamente. Temos que pensar muito sobre esta possibilidade real, não imaginária. Não podemos ressuscitar os “Três Patetas”, nem o cinema mudo (sinto saudades), mas, somos obrigados a tomar conhecimento de que Michael Jackson gostava de dormir com crianças, não para atacá-las sexualmente – segundo ele –, mas para liberar o seu instinto materno.

Pode até haver confronto de opiniões, porém, podemos chamar tudo isso de modernidade e de evolução? O que não diriam os mais conservadores, tamanha a blasfêmia? E a Igreja, como se posiciona? Liberdade de expressão não é isso. A que ponto a moral e os bons costumes chegaram. A valorização exacerbada do podre e do supérfluo – sem exagero – cresce na medida e na proporção em que se estimula o “gosto pra tudo” e se desenvolve produtos ruins para satisfazê-lo (o gosto); ainda que duvidoso.

Faltam redatores de humorismo e humoristas também são escassos. Não podemos só contar com o Palácio da Alvorada e com o Ceará. Como será no futuro que não tarda? Com certeza, as emissoras de televisão já estão preparando, com todo o requinte de uma produção nababesca – servem também os estilos de Pompéia, Sodoma e Gomorra –, cenas domésticas de sexo explícito, assim como implícito, selecionadas por uma audiência interativa (por espectadores interagentes). Tornar-se-ão líderes de audiência; sem dúvida alguma. Que as trepadas sejam de “galo” ou de “coelho”, porque a casa Big Brother Brasil, Global, onde acontecerem essas cenas de sexo ao vivo e a cores, pode estar perfeita e estrategicamente localizada no ponto de impacto de uma nova e gigantesca onda TSUNAMI. Este sim, seria um fato apocalíptico – inesquecível para aqueles que sobreviverem –, não as trepadas de galo. Os coelhos já terão fugido…

 FIM

Augusto Avlis escreveu dentro do picadeiro Brasil, em alguma hora, em qualquer dia, semana, ou mês do ano de 2003.

Direto do local onde se amestram cavalos:

 Aviso ao respeitável público

Peça de uma só apresentação – sairá de cartaz – porque os palhaços estão cansando.

Leia a 1ª parte

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

4 comentários sobre “BBB – 2ª parte

  1. Bom dia, meu grande amigo AUGUSTO,parabens pela criação do seu blog, tenho certeza, que teremos muita informação e comentários ótimos, dignos de sua pessoa.

    Publicado por paulo henrique simoes porto | 07/02/2012, 09:09
  2. Bem,continuando… uma receita de sucesso do Capitalismo émanejar seres humanos através do manejo dos objetos.Bem melhor quando são os obejetos.
    Muito boa matéria.
    Abraços.

    Publicado por GISLAINE | 30/05/2012, 12:07
    • Gis,

      Grato pelo comentário. Vale lembrar que o texto foi escrito há uma década. De lá pra cá muita coisa aconteceu e nada mudou, sobretudo quanto à produção da comunicação de massa, que se vale de mecanismos doutrinadores. Faça também uma leitura das matérias que compõem a Categoria Educação. Certamente os conceitos inseridos ajudarão na compreensão dos cenários.

      Forte abraço.

      Publicado por augustoavlis | 30/05/2012, 14:27

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  1. Pingback: BBB – 1ª parte « Opinião sem Fronteiras - 06/02/2012

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