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TV - Variedades

BBB – 1ª parte

BBB – 1ª parte

Jurei por um bom Deus nunca mais ler, escrever ou comentar sobre o Big Brother Brasil, por questões pessoais, de foro íntimo, não revelável. A intelectualidade quando atinge a um nível mediano, constrói uma barreira de autodefesa contra o bombardeio de boçalidades, chuva de porcarias, festivais lúgubres e cenas de burrice explícita, ações essas provocadas pela mídia comercial. Também se o fizesse, jamais correria com medo de represálias por parte dos Deuses maléficos que habitam o sistema comunicacional. Uma vez plugado, as notícias com revelações explosivas me chegavam com a velocidade da luz. À prova dos episódios marcantes e das informações incontestáveis, não me restou outra escolha senão direcionar a minha postura. Os fatos são substantivos e as circunstâncias adjetivas.

Madrugada de sábado, dia 8 de janeiro de 2012. No programa “Altas Horas”, primeiro do ano, o apresentador, “ex-jornalista” Pedro Bial, leva uma saia justa do Boni e fica com cara de ovelha tosquiada. Bial passou tremenda vergonha com piada do BBB feita por Boni. Serginho Groisman perguntou para Bial se ele vê TV, e ele respondeu: “Eu gosto de coisa ruim na TV”. Aí, Boni, valendo-se de sua peculiar retórica aguda, disparou sem piedade sua metralhadora giratória: “Então você assiste ao BBB”. Sorrisos amarelos, gargalhadas estapafúrdias fora de tom e pensamentos de “Bem-feito”, “Fo… dane-se”, “Toma papudo”, tornaram-se a tônica da pauta de Groisman por um bom tempo do programa. A ordem do dia custou a ser retomada.

Madrugada de domingo, dia 15 de janeiro de 2012. Após a primeira festa da casa do BBB, cenas quentes embaixo do edredon denunciam abuso sexual e suposto estupro cometido por Daniel, tendo como “vitima” a Big Brother Monique – é Big, é Big, é hora, é hora, é hora…! A repercussão do caso envolvendo o casal tomou proporções gigantescas, jamais vistas, a ponto de boa parte de o país achar que Daniel foi condenado pelo racismo. As discussões em torno desse “suposto” estupro no reality show continuam em ritmo frenético.

Dois episódios distintos, mas que conduzem a um único entendimento. Boninho (José Bonifácio Brasil de Oliveira), diretor do BBB e de outros programas de núcleo da Rede Globo de Televisão, é filho do Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho). Boni não faria ou diria algo que prejudicasse a carreia do filho. Será que a previsão de uma audiência decadente foi socorrida pelo Marketing propositalmente ilusionista para chamar a atenção, sobretudo da base da pirâmide social, que se alimenta de futilidades, seu prato preferido? Fato é que o programa tem gerado muita polêmica. E de contradições vive o povo brasileiro, que se esquece que estamos em ano eleitoral. A céu aberto, ou na calada da noite, já tem político jurando inocência, enquanto a corrupção no Judiciário é varrida para debaixo do tapete vermelho.

Quinta-feira, 19 de janeiro de 2012. Recebi, por e-mail, sob o título “Mude de canal, você tem o controle”, um Artigo escrito por Luiz Fernando Veríssimo. O amigo amazonense, de pai e mãe, que me encaminhou esta preciosidade de artigo, goza do meu mais profundo respeito e destacada admiração, sobretudo pela sua rara inteligência, perspicácia e bom gosto, por isso, acredito que não iria brincar com coisa séria, ainda mais em se tratando daquele autor e sabedor das minhas prováveis reações caso me sentisse ofendido, ou melhor, mais ofendido do que já estou. Não se trata de expressão batida. O Artigo começava assim: “Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência”. E termina dessa forma: “Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída a nossa sociedade”.

Fui conferir na Net, não porque desconfiava do meu amigo amazonense, e lá estava o artigo, assinado pelo Luiz Fernando Veríssimo. Na transcrição do texto, o meu amigo cometeu um pequeno engano, sendo o correto: “A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira”. O final, digamos que confere. Não vou me ater nos entremeios, mesmo porque os meus prováveis leitores já terão lido o artigo na íntegra e tirado as suas próprias conclusões, ainda que subliminar e fenomenologicamente. Ao Veríssimo eu digo que não tive dificuldade alguma em encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência, de modo que, já na edição nº III do BBB, entre espasmos e vômitos, eu escrevi o que pensava e julgava sobre a sua abjeta produção.

Quinta-feira, 19 de janeiro de 2012. De acordo com a coluna da jornalista Fabíola Reipert, a Globo quer tirar Pedro Bial do comando do reality show e colocar Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte de São Paulo, em seu lugar. Acredita a Globo que a imagem de Bial passa por um processo de desgaste e que Leifert, por ser jovem, renovaria o público do programa. Será? Verdade é que a Globo mais parece uma banca de peixeiro, que espanta as moscas e deixa exposto o peixe podre. O pior disso tudo é que tem gente que não reclama do mau cheiro. Como fraco apresentador de programas esportivos, Tiago Leifert certamente daria muitas “bolas nas costas” do suposto público renovado. Talvez a Globo prefira manter, por enquanto, o Bial à frente da mesmice assistida, mesmo sabedora de que ele, Bial, conversa com os participantes do Big Brother Brasil como se fosse aquele adulto empregando uma linguagem estranha ao tentar se comunicar com um bebê aflito com gases. Só falta Pedro Bial assumir publicamente, depois da acertada permanência da suposta estuprada, que “mulher é igual a alça de caixão, um larga, e vem o outro e põe a mão”. Com tudo isso, o BBB produzirá outros acontecimentos marcantes que rechearão a agenda da massa televisiva. O Brasil parou e não se fala em outra coisa.

Gota d’água:

Revista Veja Edição 2253 – 25 de Janeiro de 2012

Passou dos Limites?

Capa revista veja

Descrição: PASSOU DOS LIMITES? – A reação a uma cena tórrida de sexo no BBB mostra que, felizmente nem tudo é permitido, mesmo quando tanto se anuncia o fim da privacidade.  

Há exatos nove anos (2003), na edição de nº III do Big Brother Brasil, indignado com o lixo cultural ao qual estava submetido o indefeso povo brasileiro, resolvi escrever um artigo de mesmo título, ou seja, BBB, fazendo uso do dom da criatividade que Deus me concedeu ainda no ventre materno. Incrível como o texto está tão atual, as previsões tornaram-se realidade, o programa continua infausto – simplesmente o que mudou foi o estado de catarse e torpor dos telespectadores, que se agravou. Na 2ª parte, reproduzirei o artigo, na íntegra, dirigido a todas as pessoas que odeiam o programa, assim como eu, ao tempo em que rogo perdão àqueles que gostam, só assim livro-me de condenações e constrangimentos literários. A revolta perde o sentido quando não há seguidores. Ao sensato cabe o direito de escolha. Será que somos todos pacientes de traumatismos recalcados? Como diria minha avó: “Os incomodados que se mudem”. Não. Que vão jogar bosta na Geni – enquanto houver excremento de sobra.

Augusto Avlis.

Continua na 2ª parte.

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

3 comentários sobre “BBB – 1ª parte

  1. Bom dia caro augusto!!
    Em minha opinião,eles queriam mostrar um zoológico humano,os mais terriveis sentimentos de meros animais presos que mostram a todo momento que não passamos de animais,e que em uma jaula,não somos diferentes dos primatas.
    Abraços.

    Publicado por GISLAINE | 30/05/2012, 11:47
    • Gis, permita-me chamá-la assim.

      Oportuno o seu comentário. Realmente estamos presos em jaulas virtuais e não nos damos conta disso, estamos subjugados a sistemas com propostas obscuras, contudo, o processo educacional é a chave para a nossa libertação. Leia a matéria “Prisão sem grades” nesse meu Blog na Categoria Crônicas aforísticas. Essa crônica faz parte do meu livro “Um cavalo chamado Heury”. As 30 crônicas que o compõem podem ser lidas na categoria citada.

      Grato pelo comentário e um forte abraço.

      Publicado por augustoavlis | 30/05/2012, 14:19

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  1. Pingback: BBB – 2ª parte « Opinião sem Fronteiras - 06/02/2012

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