Supremo manicômio – Vigésima nona parte
Se para nós seres normais, que possuímos mais de dois neurônios, fica difícil compreender os trâmites processuais do Supremo Tribunal Federal, imagina o que se passa na cabeça da maioria da população (que não tem a quantidade ideal de células fundamentais do sistema nervoso) quando se vê diante dessas informações, do conjunto de atos e procedimentos realizados no andamento de um processo dentro da Corte. Não, eu não quero imaginar.
O STF virou uma casa de loucos varridos, simples assim. Agora dividida, como se reparte um pedaço de pão dormido, a Corte estabeleceu uma Constituição própria e independente para cada um dos seus ministros. É coisa de maluco ou não é? Lá atrás eu falei sobre a necessidade de um “freio de arrumação”, mas agora chego à conclusão que o Supremo precisa de camisa de força e de tratamento psiquiátrico. A insegurança jurídica, a meu sentir, é o menor dos prejuízos; há coisa mais assustadora e sombria acontecendo nos bastidores da instância máxima da Justiça brasileira. Justiça, aonde ela está? Sumiu, ninguém viu. Foi pra puta que a pariu, mas vamos tirá-la da zona e dar-lhe uma vida decente.
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, arrancou das mãos do maluco Alexandre de Moraes (não aguento mais falar, escrever e ouvir esse nome) o Inquérito das Fake News (Inquérito 4781), uma investigação aberta de ofício em 14 de março de 2019, que continua assombrando Deus e o mundo, e até a mãe dele, que morre de vergonha. “Eu não te eduquei pra isso”, diria ela. E daí? Daí que “Fraquin” não fez isso para punir Moraes, nem por pena das vítimas velhas, novas e futuras. O que tem de novidade é que “Fraquin” não pretende pedir o arquivamento desta aberração jurídica, ele quer manter aberto o Inquérito 4781 sabe-se lá por qual motivo. Eu tenho os meus palpites. Guardo-os pra mim. Fato é que, na sexta-feira, 09/10, ele negou o pedido do ministro Luiz Fux para ter acesso aos Inquéritos das Fake News, das Milícias Digitais e de Petições que levaram à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujos advogados peticionaram a revisão criminal. A coisa não para por aí. Tem mais merda a caminho, e da grossa. Fujam.
Como está hoje, segunda-feira, 12 de outubro de 2026, o andamento do Inquérito das Fake News? Continua sob a relatoria de Fachin e passa por uma “revisão” para posterior arquivamento. Será que Fachin está procurando chifre em cabeça de cavalo? Compreendo que, depois que foi revogada a designação de Alexandre de Moraes, este Inquérito deveria ter sido arquivado imediatamente, por possuir vícios de origem, portanto, é totalmente ilegal, de modo que todos os atos praticados são nulos por natureza.
A Petição (Pet) nº 15.198 é um dos processos vinculados às investigações da Operação Compliance Zero (e demais desdobramentos) do STF sobre as fraudes no Banco Master, que estava sob a relatoria do ministro André Mendonça. Não está mais. Vale lembrar que a Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal deflagrada em 18 de novembro de 2025, um dia após a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, um dos responsáveis (não o único) pelo maior esquema bilionário de fraudes financeiras do Brasil, e de corrupção generalizada, envolvendo políticos, agentes públicos, dirigentes, empresários e mais uma gama de desonestos engravatados. Edson Fachin arrancou a relatoria das mãos do ministro André Mendonça e sentou em cima das investigações, como se acomoda sobre almofada macia. Tudo parado, nada anda. Será que “Fraquin” é o problema? Noutro vértice, está mais do que provada a sua incompetência para presidir o Supremo, pela falta de atitude, coragem e peito de pombo. Tem cheiro de cocô de hiena no ar.
A Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, tramita no STF por meio da Petição (Pet) nº 15.041. Além deste processo principal, existem desdobramentos com novas fases da Operação, registradas sobre outras Petições. De novo, o ministro André Mendonça perdeu a relatoria. Em setembro deste ano, Fachin determinou a remessa, à presidência, das Pets 15.041 e 15.556, relativas às fraudes no INSS e ao chamado caso Master, além de assumir a relatoria da Pet 16.662, ocorrida no dia 12/09, após o processo ser enviado pelo então relator, ministro André Mendonça. Principais pontos sobre a Pet 16.662: 1º) A Petição foi aberta a partir de informações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero (ligada ao caso do Banco Master), citando o empresário Daniel Vorcaro; 2º) Menções diretas ao ministro Alexandre de Moraes. Foi só chegar, oficialmente, no nome de Moraes que o Edifício “Balança Mas Não Cai” começou a rachar.
No frigir dos ovos, ninguém quer investigar porra nenhuma, nem a Polícia Federal (PF) do Diretor-geral Andrei Rodrigues, nem a Procuradoria Geral da República (PGR) do Procurador-geral Paulo Gonet. São dois os motivos: Primeiro, ambos estão envolvidos até o último fio de cabelo com Daniel Vorcaro nos escândalos de corrupção, uma vez que restou provada a intimidade com o ex-banqueiro. Segundo motivo, nomes de gente graúda da República aparecem nas investigações, sobretudo o de Lula. Os bandidos estão se autoprotegendo, ninguém larga a mão de ninguém. Por isso, a “delação premiada” de Daniel Vorcaro não é levada adiante pela PF e pela PGR. A lei do silêncio impera em Brasília, mas, a situação vai chegar num ponto no qual tudo será esclarecido, doa a quem doer. O caminho será encurtado a partir da vitória do Flávio Bolsonaro (PL) no 2º Turno das Eleições, e, claro, com o novo Congresso a partir de 2027. Preparem a pipoca e a Coca-Cola.
O coitado do Daniel Vorcaro foi preso duas vezes, a primeira no dia 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos (SP), e a segunda vez em 04 de março de 2026, preso preventivamente numa nova fase da mesma Operação. Não vou entrar no mérito, na análise da questão principal, contudo, numa situação dessa, estando solto, o risco de destruição de provas é muito provável que aconteça, da mesma forma ameaças às testemunhas, intimidações de pessoas, enfim, o mesmo modus operandi de criminosos de colarinho branco (ou vermelho) e punhos de alpaca. Seja como for, Vorcaro continua preso e as autoridades que o prenderam não querem dar-lhe voz, as mesmas que tiveram por bom tempo relações espúrias, práticas desonestas com o ex-banqueiro.
A Revista VEJA, em recente edição, revelou um áudio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no qual afirma que “o do Lula foi por fora, foi errado”. Nesse áudio, Vorcaro compara o suposto repasse para um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o patrocínio dado ao filme “Dark Horse” (sobre Jair Bolsonaro), que ele, Vorcaro, classifica como uma operação regular, ou seja, um patrocínio normal sem contrapartida. Ao contrário, segundo Vorcaro, destinara R$ 30 milhões (trinta milhões de Reais) em “dinheiro vivo”, entregues diretamente ao Instituto Lula, em troca de acessos aos Fundos de Pensões de Estatais pelo Banco Master. O que mais virá à tona? Temos que nos preparar para os impactos emocionais decorrentes das novas revelações, que, de certo, virão. Nunca dantes na história do Brasil imaginaríamos algo parecido. Desde 2003, quando Lula assumiu a presidência pela primeira vez, há 23 anos, vemos o PT mergulhado em escândalos crescentes de corrupção, mesmo quando houve o intervalo de governo Temer/Bolsonaro. Boa parcela da população está absorta, tomada por um estado de êxtase, ficando alheia ao que acontece ao redor, talvez porque nada mais causa perplexidade. É hora de mudar!
Continua na Trigésima e última parte.
Augusto Avlis
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