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Política

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA – Primeira parte

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA – Primeira parte

HOME INSTITUCIONAL HISTÓRIA – “A história da fundação da ABI se confunde com a de seu perseverante idealizador Gustavo de Lacerda. Criada em 7 de abril de 1908, seu principal objetivo era assegurar à classe jornalística os direitos assistenciais e tornar-se um centro poderoso de ação. Segundo o próprio Lacerda, a Associação deveria ser um campo neutro em que se pudessem abrigar todos os trabalhadores da imprensa.” […]. A ABI, portanto, é uma entidade histórica, com 118 anos de fundação.

Faz algum tempo, a ABI deixou de ser um “campo neutro”, passando a atuar politicamente, com presidentes alinhados a ideologias reinantes, tornando-se um “centro poderoso de ação”, só que em defesa de interesses de grupos. Prova disso são os seus discursos e posicionamentos diante dos fatos políticos. Deveria ser a principal defensora da liberdade de expressão, todavia, assumiu o papel de “neutralidade”, para não dizer outra coisa, diante das aberrações jurídicas praticadas pelo Supremo Tribunal Federal, sobretudo no decurso do “Inquérito das Fake News” (Inquérito 4781), uma investigação aberta em março de 2019 pelo STF para apurar notícias falsas, ameaças e ataques contra a corte, seus ministros e familiares. Desde que foi instaurado de Ofício, o Inquérito 4781 é relatado única e exclusivamente pelo ministro Alexandre de Moraes. Juristas pelo Brasil jogaram palavras ao vento quando se propuseram debater sobre o assunto. A ABI simplesmente se calou, contrariando a sua própria história.

Ao contrário, a Associação Brasileira de Imprensa já “teve um papel central e de grande relevância na campanha das Diretas Já (1983-1984), servindo como abrigo político, fórum de debates e base de articulação para os atos públicos que exigiam o voto direto para presidente do Brasil. A sua sede era considerada um ‘Espaço de resistência’, funcionando como um ponto de encontro seguro para a realização de reuniões de lideranças civis, partidos de oposição, artistas e sindicatos de classe”. Leia-se.

A mudança de postura da ABI trouxe a lume o lado sombrio da Instituição; o viés ideológico pode ter sido o principal responsável. Vai levar algum tempo para se chegar à normalidade. O aparelhamento do Estado é geral. Da sua atuação, de 2019 pra cá, restou vergonha. Vamos aguardar para ver qual será o seu posicionamento diante da decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou uma investigação contra fonte de jornalista em reportagem sobre Flávio Dino, seu comparsa no STF. A preocupação da ABI não deveria ficar tão somente na esfera da “preservação do sigilo de uma fonte jornalística”, e sim ir muito além disso, sugerir medidas legais e urgentes para conter os abusos de autoridade e as inconstitucionalidades da Suprema Corte. Até agora nenhuma palavra. Optar pelo silêncio só faz aumentar o grito dos oprimidos; é ser cúmplice!

Continua na Segunda parte.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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