Polítitica
A propósito do livro “pornopolítica paixões e taras na vida brasileira”, de autoria de Arnaldo Jabor (Copyright 2006, EDITORA OBJETIVA LTDA), eu tenho publicado aqui no meu Blog, em 29/07/2012, um ensaio de livro de título “Polítitica”, contendo 54 crônicas sobre a malfadada política brasileira. Todas elas, além da exposição de ideias clássicas, trazem críticas ácidas num contexto de pontos de vista pessoais. Eu e o Arnaldo Jabor temos um gênero textual reflexivo e opinativo muito semelhante. Não se trata de coincidência literária. Para reflexão: “O Inferno sinaliza que o político é alguém que traz má sorte e desgraça, alguém que nasceu com mau destino!”. Leia abaixo a introdução do livro Polítitica.
Todo ano eleitoral me deixa com uma comichão danada, um prurido mental, um desejo forte de meter o cacete, uma ansiedade incontrolável de falar o que eu penso sobre a política brasileira. Devo pegar leve. A expectativa não é das melhores. Quanto mais se mexe na merda mais ela fede. Das entranhas do poder constituído corre um mar de excrementos, vísceras purulentas. O meu lado crítico-político-social ainda vai me deixar em maus lençóis. Ele se revela de modo escarpado, devo confessar. Em 2002 fui abduzido da ideia de escrever sobre política e sobre políticos – um espírito livre apoderou-se da minha mente e inutilizou as minhas mãos. O que se opõe ao bem, quando quer se manifestar, não manda aviso prévio. Um então candidato a presidente da República Federativa do Brasil, pernambucano (alma reencarnada na cidade de Garanhuns em 27/10/1945), me levou para as trevas. O seu nome, Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje coleciona uma série de “Ex”: Ex-político, Ex-sindicalista, Ex-metalúrgico, Ex-presidente da República. Continua brasileiro e sarabulhento. Meu inferno astral foi enfático de 1º de janeiro de 2003 a 1º de janeiro de 2011. Tementes ao Padre Cícero (ou Padim Ciço) dizem que Lula ressuscitará no Planalto Central – uma alma penada disse que será no sertão nordestino.
Juntei as minhas “Crônicas aforísticas da vida política”, construídas em boa parte daquele período, e distribuí cópias em várias editoras que não se pronunciaram até agora, talvez por obra do astral ou do Padim Ciço – para minha salvação, minha redenção. Arnaldo Jabor publicou o seu livro ‘Pornopolítica’ em 2006 (Editora Objetiva), simplesmente maravilhoso; recomendo a leitura. Não sabia que parecíamos tanto. Neste meu Blog divulgarei as minhas Crônicas aforísticas da vida política, num total de 54, sequencialmente enumeradas, de modo que considero este um lançamento oficial do meu livro não publicado. Boa leitura.
Pois bem, hoje, domingo, 29 de julho de 2012, reeditei a 54ª Crônica Política, sob o título “A exceção como regra”. Neste livro – Polítitica – as 4 dúzias e meia de crônicas aforísticas dão ênfase aos primeiros anos de governo do ex-metalúrgico. Qualquer coincidência deixa de ser semelhança. Clique no Link e boa leitura, ou acesse as Crônicas na Categoria Política, visualizada na Home Page.
______
Amigos leitores, com a licença que me é concedida, aproveito o ensejo para republicar neste espaço a 3ª Crônica das 54.
Política & Políticos. Em quem acreditar?
Jamais gostei de política. Sou um apolítico confesso. Faço apologia a quem não serve a interesses partidários, como os servidores públicos de antigamente. Lembra? A política tem duas vertentes. A primeira diz que “é a ciência do governo dos povos e dos negócios públicos”. A segunda conceitua “a maneira hábil de agir e tratar”. Procurarei me situar na segunda vertente para tentar explicar a primeira – sem traumas, sem fraturas expostas. Desde que me conheço por gente, e olha que quase seis décadas faz, a boa política foi trocada pela politicagem ou politiquice, caracterizada pela prática de política mesquinha, interesseira. O político de hoje acompanhou essa tendência e ele passa, com os devidos méritos, a ser chamado de politiqueiro, por força da profissão e da opção.
Verdade que a politização não passa de quimera; o indivíduo politizado é uma balela e o exercício de politizar – no que tange a tornar consciente dos deveres e direitos de cidadão, enfim, dar consciência política aos eleitores – está muito longe de se tornar realidade nesse país varonil, com seus 16 milhões de analfabetos; a maioria dos quais eleitores, votantes por obrigação como fiéis seguidores, com poder de decidir eleições regionais e de engrossar a estatística de votos válidos nacionais. A urna eletrônica é um santuário para eles. Por que o João da Silva disse que “a política é um produto fecal e os políticos fedem?”. Provavelmente o JS se politizou. Cada um responderá a seu modo. Eu, particularmente, já tenho uma opinião formada não é de agora. Bola pra frente; perdão, voto na urna, ou melhor, “aperta a tecla CONFIRMA”. Descanse em paz Brizola, longe da sua inimiga Urna Eletrônica. O José de Deus não pode viver sem ela e o João da Silva já comprou uma para treinar seus vizinhos.
Exumei o meu diploma de jornalista, aproveitei o pouco do tempo que surgiu e passei a registrar os espetáculos circenses assistidos na corrida eleitoral de 2002 e depois da ocupação dos cargos públicos a partir de 01 de janeiro de 2003. Perdi algumas noites de sono, troquei os horários de fazer sexo, desaprendi a dançar bolero e o resultado desta paranóia toda foi reunir pouco mais de 50 matérias políticas (nunca dantes editadas) – e só –, que deixo aqui, neste protótipo de livro, para quem quiser tomar conhecimento delas, como leitor, não como político. Chega de mau cheiro! Como escritor, não quero mais saber do assunto. Falta-me ar puro. Quero respirar e não consigo. O oxigênio é escasso, por isso, vou trabalhar onde ele é abundante. Escrever sobre botânica será o meu prato predileto, diretamente no campo, longe dos ratos e da sujeira – as borboletas serão bem-vindas. Elas são o meu bem-querer.
Achei por bem não incomodar ninguém para escrever o prefácio deste meu livro. Até que um decrépito colega de faculdade implorou para fazê-lo, mas levei em conta dois detalhes. Primeiro, ele ainda não está muito legal da cabeça porque levou muita porrada da PE (Polícia do Exército) na época da repressão política e hoje ele se dedica a escrever, única e exclusivamente, piadas pornográficas para um veículo alternativo da sua cidade, e, segundo ele, política e sacanagem andam juntas; os políticos se apresentam no palco como protagonistas, com a sua usual protérvia, conforme o script, zurrando o tempo todo nos nossos ouvidos. Segundo detalhe, preferi colocar como primeira matéria o título “Nota 11”, escrita em 01 de fevereiro de 2003, que fez parte do meu primeiro livro de crônicas Um cavalo chamado “HEURY”, por considerá-la oportuna, até porque trata a questão da “dominação cultural e ideológica” com alguma propriedade, pouca isenção e nada de imparcialidade… Sou humilde!
Político entende de montaria – e de sacanagens também –, dizem os especialistas em equitação política. A política brasileira é campeã na produção de espetáculos tétricos. Velhas raposas treinam os chacais novatos e estes, por sua vez, assessoram as hienas camufladas. O mar de lama que cobriu o Brasil, de ponta a ponta, sobretudo nos últimos anos, no cenário político, pelo menos serviu para uma coisa: serviu para testarmos o nosso poder de resistência e a nossa capacidade de compreender que os tempos mudaram, que não cabem ações truculentas, senão defender o sagrado direito ao voto livre e democrático – este, sem dúvida, a verdadeira arma de justiça, de limpeza ética e responsável pelo renascimento de um Brasil melhor. É nisso que acreditamos; o resto é retórica pura.
Com muito prazer, passo o bastão para um colega jornalista que queira continuar donde parei. Daí pra frente é por sua conta e inteira responsabilidade. Só tenho uma recomendação a fazer: não se esqueça de levar a máscara de oxigênio sempre que for à Brasília entrevistar algum político, esteja ele em recesso ou não, esteja ele fedendo ou não. Só espero que não vá se contaminar com a burrice antológica explícita nos corredores e demais dependências do Palácio. Desejo-lhe boa sorte. Ah, já ia me esquecendo: o nobre colega está convidado para o bota-fora.
Augusto Avlis
Navegue no Blog opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 1.110 artigos publicados em 16 Categorias. Boa leitura.
Discussão
Nenhum comentário ainda.