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Política

Viadagem.

Viadagem.

No linguajar chulo, viadagem significa “estar de frescura”, “ficar de mimimi e quásquásquás”. Sentados em cima dos muros, os caras ficam incomodados com certas coisas que estão acontecendo por aí. Pura viadagem, vou repetir, pura viadagem. Não gostaram? Podem entrar com Ações no Supremo, lá também tem alguns tipos. Então mandem rasgar os dicionários. Num deles está escrito: “Viadagem. Frescuragem, baitolagem, boiolagem, frescura; atitude infantil, provocação ou qualquer tipo de criancice inferida com o objetivo de irritar o próximo. Comportamento afeminado de certos homens”. Entendeu? Uma simples troca de letras do lugar onde estão pode fazer você ficar mais confuso; não confunda Viadagem com Vadiagem – nesse sentido, Vadiagem não tem nada a ver com Vadia. É isso aí malandro. Em casa de ferreiro só tem ferro. Em terra de cego ninguém enxerga.

Daqui a pouco alguém irá sugerir o emprego do termo “Bullying sexual” para enquadrar quem se atreva a fazer um gesto ou deixar escapar uma palavra que supostamente venha a agredir o semelhante com comportamento diferente do seu. Já não chega o Cerceamento da liberdade e agora essa ideia. Pessoas estão sendo impedidas no mundo de se locomoverem pela falta de Passaporte de Imunização (Passaporte Sanitário) – aqui no Brasil não será diferente –, da mesma forma falta pouco pras pessoas serem amordaçadas para que não se manifestem acerca de as suas ideias contrárias ao que pensa a Ditadura branca. Nem por isso foi criada uma histeria, uma doença nervosa, digamos assim. Práticas absurdas, estas sim, têm agredido os indivíduos, verbal, manifesta e fisicamente. Além dos prejuízos econômicos decorrentes.    

Eu não queria tocar no assunto, mas, ele se encaixa perfeitamente no contexto. Em recente visita de trabalho a um presídio (sigilo de fonte), mantive contato com alguns românticos presos que estavam discutindo (no bom sentido) o recente caso envolvendo o jogador de vôlei, Maurício Souza, demitido do Minas Tênis Clube pelo cometimento de crime de homofobia. Tudo começou no mês passado, mais precisamente em 15 de outubro. Após a editora norte-americana DC Comics, especializada em histórias em quadrinhos e mídias relacionadas, divulgar em seus “quadrinhos” que o “Novo SUPERMAN” é BISSEXUAL, Maurício Souza fez críticas à mordaz criatividade da DC Comics, nesses termos: “Ah, é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”. Disse o atleta na legenda de uma publicação no seu Instagram. Maurício Souza foi infeliz por não ter percebido um detalhe importante: O super-herói BISSEXUAL trata-se do “Novo SUPERMAN”, de modo que o “Velho SUPERMAN” (Kal-El) é heterossexual na extensão da palavra. Outro erro de Maurício Souza: Não ter feito a queixa diretamente aos seus pais Jor-El e Lara Lor-Van pela opção sexual do novo filho. Talvez Maurício Souza acerte desta vez comprando uma passagem (de ida) para o planeta Krypton – voando ele não pode ir, como nas partidas de vôlei.                

A sociedade digital não perdoa erros infantis. A verdade aparecerá e o bem acabará vencendo. Antes tarde do que mais tarde. Quero deixar claro, e bem explicadinho, que eu tenho vários amigos e amigas (do peito) na classificação LGBTQIA+. “LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, Queer, intersexo e assexuais). Nela, o ‘Q’ vem da palavra inglesa Queer e serve para designar quem transita entre os gêneros feminino e masculino e até mesmo para além dessa binaridade”. In verbis. Voltando à vaca fria, sem hipocrisia barata, a gente sabe o que realmente acontece dentro dos presídios. Certos tabus são literalmente jogados por terra. Contra a “força coletiva” não dá pra resistir; quem tentou se deu mal.

Quando chega um preso novo ele é imediatamente submetido a um “teste de sobrevivência”. Como funciona: Enfiam um ovo cozido (sem casca) dentro do CU do novo preso e o fazem caminhar por dez vezes no perímetro da cela. E aí? Se o ovo cair até a quinta volta é sinal de que o CU já foi arrombado. Ficará mais fácil comê-lo. O ovo? Não, o CU. A mim me parece ser o resultado razoável. Vale lembrar àqueles que nunca foram presos que há outro tipo de teste feito com ovo de galinha. Qual? Enfiam o ovo cru (com casca) no interior do CU do cara e o obrigam a dar duas voltas, apenas, no perímetro da cela. E aí? Como o ovo quebra na tentativa de enfiá-lo no CU do cara, o teste serve para que os autores da crueldade vejam e analisem os seus trejeitos, a maneira como o cara anda. Moral da história: no primeiro teste, caindo ou não o ovo; no segundo teste, comprovando não ser comprometedora a forma de andar do cara; nos dois casos concretos, o novo preso será sumariamente “enrabado” do mesmo jeito pelos outros detentos que formam uma fila desorganizada, cada qual aguardando a sua vez de colocar o ovo pra funcionar.

Essa experiência foi fantástica. Eu acho que deveríamos levar outros temas para dentro das penitenciárias com o objetivo de ouvirmos as opiniões dos presos; eles são extremamente sensíveis aos problemas dos injustiçados. Adoram receber estupradores, pedófilos, assassinos de crianças, entre outros de igual ou maior periculosidade. Políticos eles adoram. As cadeias brasileiras são consideradas verdadeiros laboratórios psico-sociológicos. Mas… Olha. Pelo amor de Jesus, estamos proibidos de levar este assunto para dentro das salas de aula. Só os professores têm o direito de abrir a boca e firmar posição ideológica. Se bem que penitenciária não tem nada a ver com ideologia de gênero – um assunto que deveria ficar fora das salas de aula.

Conheço muitos casos de pessoas que não se aceitam e ficam culpando as outras pelos seus recalques, frustrações, covardias. Não saem dos armários nem por reza braba. Surgem crises das mais variadas possíveis, e quem está ao redor tem que conviver com isso. Recomendo aos políticos, determinados magistrados, religiosos, autoridades ligadas a direitos humanos e afins, que passem um bom período de férias dentro das penitenciárias brasileiras. Lá esse pessoal comprovará algumas realidades: todo mundo é igual perante os mais antigos, o pau come solto, quem fala grosso vira mulherzinha de cabaré, escreveu não leu morre. Fim de papo.

Post Scriptum – Os Trapalhões, programa humorístico, estrelado pelo grupo Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, hoje seria “politicamente incorreto”, sobretudo pelas suas falas, jamais passaria nas TVs e certamente os quatro estariam presos a mando do Alex.

E tem mais. Os novos presos que participaram dos testes dos ovos estão reivindicando junto ao Supremo Tribunal Federal que a música Telma, Eu Não Sou Gay (Calúnias LP/1983 – Ney Matogrosso) seja tocada pelo menos 24 (vinte e quatro) vezes por dia em cada penitenciária brasileira. O ministro Luís Roberto Barroso já se ofereceu como relator. Recordar versos é viver. “Eu deixei aquela vida de lado. E não sou mais um transviado. Telma, Eu Não Sou Gay. E não é meu esse baby-doll”.   

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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