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Política

Sob efeito de entorpecente.

Sob efeito de entorpecente.

Roberto Jefferson, uma figuraça, a “bola furada” da vez. Roberto Jefferson Monteiro Francisco nasceu na cidade de Petrópolis (Região Serrana do Rio de Janeiro), em 14/06/1953. Ele é do signo de Gêmeos, o que explica um pouco a sua personalidade. Seu Horóscopo para hoje, dia 28/10/2021: “Os processos comunicativos pedem que você fique mais de boa, amigo. Papo de combater excessos e aperfeiçoar sua postura nos relacionamentos. Eita! Isso devido ao trânsito da Lua Minguante no setor das ideias, tensionada a Sol e Saturno. Escuta mais e fala menos, tá? #FicaFica!”. Leia mais em: https://capricho.abril.com.br/horoscopo/signo-gemeos/ Muito difícil ele escutar mais e falar menos, eu diria impossível.

Roberto Jefferson, outrora, já foi um cara gordo, transmitia uma aparência de bonachão, um Político e Advogado brasileiro simpático. Prefiro chamá-lo de “Jeffinho”, mantendo os dois “ff”. Fica melhor assim para não dar confusão na cabeça dos desavisados. Falar do seu Curriculum Vitae é perder tempo; a sua vida toda está descrita nas páginas da OAB, do Congresso, na imprensa e nas páginas policiais. Não faltam fontes para teses universitárias envolvendo o seu nome como tema principal. Ainda vem mais história boa por aí. Cadê o homem do gravador?

Vocês acreditam amigos leitores, que o Jeffinho começou a sua “carreira artística” em maio de 1980? Pois é verdade. Jeffinho estreou na TV, num programa da extinta Rede Tupi, chamado “Aqui e Agora”, cujo âncora era nada mais nada menos do que o famoso Tenório Cavalcanti – “O Homem da Capa Preta”. No quadro do “Aqui e Agora” era simulado um Tribunal no qual uma pessoa aleatória era submetida a julgamento por um júri formado por convidados. O ator Roberto Jefferson, o Jeffinho, atuava como advogado de defesa do justiceiro “Mão Branca”. Por outro lado, Tenório Cavalcanti (advogado e político) interpretava o papel de Promotor de Justiça. Ao final do julgamento, ou seja, do programa, o justiceiro “Mão Branca” foi absolvido pelos jurados. História boa. Na vida real, com muitos desafetos políticos rondando por perto, Tenório Cavalcanti portava a sua querida “Lurdinha”, uma submetralhadora MP-40 de fabricação alemã, arma muito utilizada pelos Nazistas na Segunda Grande Guerra. Jeffinho deve ter dado algumas rajadas com a MP-40, por isso seu gosto pelas armas.

Uma história não muito boa para ser lembrada. O Presidente Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), respeitosamente, Roberto Jefferson, fez fama em todo o território nacional por ter “delatado” o esquema do Mensalão (compra de votos de parlamentares em 2005, no governo Lula), à época o maior escândalo de corrupção do país. Efeito bumerangue: Roberto Jefferson denunciou o esquema de corrupção no governo e restou provado o seu envolvimento e participação direta nele, o que lhe valeu uma condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470, em novembro de 2012, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pena: 07 anos e 14 dias de prisão + multa superior a R$ 740 mil. A sua pena foi reduzida em 1/3 por ser colaborador nas investigações. Neste caso ele falou mais e escutou menos. Por ter falado o que não devia Jeffinho sofreu outro Processo, o de cassação. No dia 14 de setembro de 2005, o seu mandato de Deputado Federal foi cassado no Plenário da Câmara dos Deputados, sendo o placar de votação: 313 votos a favor, 156 contra, 13 abstenções e 5 votos em branco e nulos. Roberto Jefferson perdeu os seus direitos políticos por 08 (oito) anos, ficando inelegível por esse período.

O trânsito da Lua Minguante no setor das ideias parece não ter fim. Roberto Jefferson foi preso preventivamente no dia 13 de agosto de 2021 pela Polícia Federal (PF) que cumpria mandado expedido pelo STF no âmbito do inquérito dos “Atos antidemocráticos”. No último domingo (24), a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro noticiou que Roberto Jefferson (político preso) encontrava-se internado “em observação” no Pronto Socorro-Geral Hamilton Agostinho, localizado no Complexo de Gericinó (Zona Oeste do Rio de Janeiro), desde à tarde do dia anterior, sábado (23). Segundo o ministro Alexandre de Moraes “Neste momento, verifica-se a plena capacidade do hospital penitenciário em fornecer o tratamento adequado ao preso, não havendo qualquer comprovação de que o seu estado de saúde exija nova saída do estabelecimento prisional”.

A meu juízo, o simples fato de Jeffinho alegar dores na lombar não é motivo suficiente para ser agraciado com uma “transferência” pura e simples da unidade prisional onde se encontra para hospital particular, salvo se ficar comprovado que ele, Roberto Jefferson, está recebendo doses elevadas e sucessivas de drogas, medicamentos ou outras substâncias (proibidas pelas Leis dos homens), com ação direta no seu sistema nervoso central e com isso causando um estado de entorpecimento, sensação de embriaguez ao volante. Se essa suspeita for verdadeira, os tais estupefacientes foram os causadores das “dependências” e progressivos danos físicos e psíquicos identificados no ex-deputado federal. Há prova suficiente. Quem afirma ter “disco rompido” não escreve uma carta daquelas de dentro da prisão, Complexo Penitenciário de Bangu, ainda mais afirmando que o presidente Jair Bolsonaro e o seu filho, senador Flávio Bolsonaro, “se viciaram em dinheiro público”. Se isso não bastasse, Roberto Jefferson, sob efeito de entorpecente, disse que vai convidar o vice-presidente Hamilton Mourão para o PTB – aliás, o PTB (Partido das Tramóias Brasilienses) já está rodando bolsinha para expulsá-lo do partido. A conferir. Por essas e outras, Alexandre de Moraes não está de todo errado – só pecou por querer fazer tudo sozinho; se fosse mais inteligente pegaria uma Carta de Custódia assinada pelos ex-ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello.

A carta de Jeffinho na íntegra:

O Bolsonaro era a ruptura. Foi eleito para romper com uma velha política, que teve origem na redemocratização, toma lá dá cá, governo de coalização, cada partido recebe um naco da administração e se remunera. E o povo?

“O povo que se lasque”.

O Bolsonaro deveria ter aprofundado a ruptura, os choques seriam intensos, como o rugido das ondas nas paredes rochosas dos litorais. Mas ressaqueado até que passasse esse ciclo da lua. Quando tudo, tudo, seguiria o retorno da nova liderança. Mas ele foi cercado pelas figuras do Centrão, que o fizeram capitular frente aos rosnados das bestas famintas de dinheiro público. E o povo? O povo gostaria de ver as bestas enjauladas ou abatidas a tiros pelos caçadores. Mas o presidente tentou uma convivência impossível entre o bem e o mal. Acreditou nas facilidades do dinheiro público, Esse vício é pior que o vício em êxtase, quem faz sexo com êxtase tem o maior orgasmo ou ejaculação que o corpo humano de Deus pode proporcionar. Gozou com êxtase, para sempre dependente dele. Desfrutou do prazer decorrente do dinheiro público, ganho com facilidade, nunca mais se abdica desse gozo paroxístico que ele proporciona.

Bolsonaro cercou-se com viciados em êxtase com dinheiro público; Farias, Valdemar, Ciro Nogueira, não voltará aos trilhos da austeridade de comportamento. Quem anda com lobo, lobo vira, lobo é. Vide Flávio.

Nosso caminho é outro. Queremos um governo dos justos, que felicite e orgulhe o povo. Um governo que não roube e não deixe roubar. Um governo que sirva o povo, não se sirva dele. Um governo que trabalhe com o poder do amor, jamais com o amor do poder.

Reparem, quando eu quis construir um partido com bases nas expectativas honradas do povo brasileiro, abri mão de lideranças viciadas em velhas práticas; Rondon, Albuquerque, Campos, Cristiane, Benito, Armando, Arnon Bezerra, etc…

Não é fácil fazer a mudança, ela machuca até a gente, pois temos que atingir gente que amamos, mas que se recusa a compreender os novos objetivos.

Bolsonaro precisava peitar.

Se os filhos atrapalham, remova-os. Valdemar Costa neto e Ciro Nogueira puxam para trás qualquer mudança de práticas, para uma nova vereda de austeridade e honra.

Ruptura com a corrupção tem um peso, leva gente que nós gostamos. Mas é o que o povo espera.

7 de setembro ficou imaculado. Todo o povo saiu às ruas para dizer, eu autorizo, não havia volta, não havia transigência com as velhas práticas. Mas por algum motivo, Bolsonaro fraquejou. Não teve como seguir. Escrevo isso insone. Não preguei meus olhos. Esse pensamento queimou minhas pestanas, não consegui fechar meus olhos e dormir.

Vamos por nós mesmos.

Vamos convidar o Mourão. O PTB terá candidatura própria, quem sabe apoiamos o Bolsonaro no segundo turno.

Não é fácil afastar um filho, sei a dor de afastar a Cristiane. Mas o projeto político está acima das concessões sentimentais.

Não se transige à tirania.

Não se transige à opressão.

Não se rende homenagens à ditadura, não se curva às ameaças dos arrogantes.

Nosso edital sinalizará um novo caminho.” A candidatura própria tem precedência sobre as demais”.

Gustavo, leva a carta ao general Mourão. Convide-o para a disputa a Presidência, quem souber percorrer a terceira via, vencerá a eleição.

São 05h30min, não preguei meus olhos. Minha cabeça está acesa e ligada. É o fogo do Espírito Santo mostrando o caminho a se seguir.

Não visitem mais a Carminha, ela é desembargadora, ele é da turma do Supremo. Nós somos políticos, nossa gente é outra. Somos de outra tribo.

Candidatura própria tem precedência.

7 de setembro é um dia inacabado, quem souber construir o sonho de nosso povo, virará vitorioso as páginas de nossa folhinha.

Deus abençoe nossa gente.

Deus proteja nosso Brasil.

Deus é nossa força e vitória.

Abração.

Roberto Jefferson.

7 de setembro é dia inacabado.

O povo foi ludibriado.

Post Scriptum“Gustavo, leva a carta ao general Mourão”. Não seria esta carta uma “Mensagem à Garcia”? No quadro do “Aqui e Agora” era simulado um Tribunal no qual uma pessoa aleatória era submetida a julgamento por um júri formado por convidados. O ator Roberto Jefferson, o Jeffinho, atuava como advogado de defesa do justiceiro “Mão Branca”. Por outro lado, Tenório Cavalcanti (advogado e político) interpretava o papel de Promotor de Justiça. Ao final do julgamento, ou seja, do programa, o justiceiro “Mão Branca” foi absolvido pelos jurados. História boa. Mas, se o julgamento fosse hoje certamente teria outro finale, caso o papel do justiceiro “Mão Branca” coubesse ao ator Roberto Jefferson.

E tem outra coisa, só para relembrar o tempo em que a velha imprensa brasileira era mais séria. FOLHA DE S. PAULO – BRASIL. São Paulo, domingo, 12 de junho de 2005. ESCÂNDALO DO “MENSALÃO”. Roberto Jefferson acusa Polícia Federal de agir politicamente e diz que caiu em “armadilha” preparada pelo ministro José Dirceu. “Se fizerem algo comigo, cai a República”. DA EDITORA DO PAINEL. Folha – Nos últimos dias, o Sr. passou a temer por sua segurança? Jefferson – Não temo, não. Depois do que eu já disse, se fizerem alguma coisa comigo, cai a República. Creio em Deus. Rezo.

Perguntas: O que, na verdade, Roberto Jefferson quis dizer com aquela frase “se fizerem alguma coisa comigo, cai a República”? As informações que ele mantinha guardadas a sete chaves seriam uma espécie de escudo de proteção? Por que Roberto Jefferson não falou tudo o que sabia, mesmo sabendo das consequências? Muita coisa não poderia ter sido evitada se ele revelasse à Nação os seus segredos? Existiria Petrolão? O Brasil estaria passando por tantos problemas hoje, causados em grande parte por sua omissão do passado? A política brasileira seria a mesma? Fato é que as informações eram e são muito graves. Por que, então, Roberto Jefferson não as revela hoje, em respeito a ele próprio? Quando teve a oportunidade de “ser a ruptura”, simplesmente se acovardou por interesses pessoais, portanto, deve ser punido por isso, porque a sua covardia prejudicou o Brasil e os brasileiros. É fácil começar a carta escrevendo “O Bolsonaro era a ruptura”, como se isso fosse abrandar o seu remorso. Ademais, eu acho que improvável o abatimento da sua consciência. Em 2005, você Roberto Jefferson, entre a ruptura e a corrupção, escolheu a corrupção – um peso que carregará por toda a sua vida.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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