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Pensamentos

O mundo que queremos.

O mundo que queremos.

Dentre tantas opções no universo Deus resolveu justamente me colocar aqui neste planetinha sem importância, tirando-me a chance de escolha enquanto espírito era. Mas, não pretendo abandoná-lo para me aventurar por outros mundos – vá que eu encontre um planeta inferior pior que o nosso, sem chance de voltar! O “Todo-poderoso”, criador do Céu e da Terra, sem precisar de projetos de engenharia e de contratar mão de obra especializada, sempre soube o que estava fazendo; aliás, esta é uma das suas grandes qualidades. De todo modo, a humanidade que conhecemos, na sua breve existência, também nunca foi adepta aos manuais de procedimentos disponíveis, preferindo divagar na sua vã filosofia – cada qual ao seu modo, com boa dose de egocentrismo, inveja, hipocrisia e outros tantos sentimentos ruins.

Dificuldades de (na) convivência sempre existiram, de modo que isso não é novidade pra ninguém. Cada ser humano é movido por sua conduta moral, salvo o indivíduo que sofre de complexos de inferioridade e tenta imitar alguém – geralmente identificado como ídolo e merecedor de idolatria. Princípios religiosos só confundem as mentes porque a credulidade, uma vez construída sobre areia movediça, assume o papel dos antolhos – o que coloca as pessoas na condição de animais de tração. A rigor, desde o nascedouro, os indivíduos já mostram algum tipo de tendência a acreditar em tudo aquilo que lhes dizem; mais adiante, a crer em tudo o que lêem – o que é enxergado nem sempre é prova de verdade. Ainda no berço a mãe diz: “Se não tomar a mamadeira a Cuca vem pegar você!”. A criança cresce com boa dose de imbecilidade e na fase adulta passa a acreditar em Fake News.

A ingenuidade é o passaporte para o enfraquecimento e deterioração das relações humanas. A fé exacerbada em coisas ocultas contribui para a formação do quadro letárgico – numa visão geral, um estado de diminuição da capacidade mental. Com a ampliação do conhecimento passa-se a perceber os dogmas como incertos e discutíveis. Importante ressaltar que o ponto fundamental de qualquer doutrina que se pretenda apregoar é o princípio da dominação. A falta de uma “ciência absoluta” tem criado uma atmosfera de incertezas sobre os rumos a seguir. Nem sempre as concebidas “forças divinas” podem socorrer as populações da Terra. Questões sobrenaturais também têm interferido negativamente na nossa forma de sentir as coisas, assim como na maneira com que realizamos algo. Deixamos muitos ideais pra trás e não voltamos para pegá-los. Simples assim. Tudo tem uma razão de ser; as coisas acontecem porque têm que acontecer. Será? A rigor, tentamos escapar dos julgamentos quando os dedos são apontados na nossa direção. Não tive culpa, não fiz nada pra isso acontecer, o fulano de tal é o culpado – e assim por diante. Regras e exceções só confundem a nossa cabeça. Desvios também são padrões.

É provável que estejamos habitando o planeta Terra com três finalidades: primeira, interagir com todos os seres vivos na natureza; segunda, através do respeito mutual buscar a paz interior; terceira, conquistar o autoconhecimento para compartilhá-lo com os semelhantes. Contudo, a Lei das probabilidades é cruel quando acontece a nosso desfavor. Há saída menos dolorosa? A meditação é o mais importante caminho para se chegar ao conhecimento – quando meditamos estamos em silêncio; ficamos com nós mesmos em completo controle do estresse; resgatamos a autoconfiança; com o poder da mente fazemos renascer a alegria, a fé desconhecida, a esperança como última. Acordo todos os dias com a sensação de insatisfação pessoal, de que falta algo a realizar; uma coisa que incomoda e que não sabemos o que realmente é. Sou um aventureiro disposto a descobertas, a experimentar coisas novas. Talvez isso me faça diferente das pessoas que conheço.

O que é a vida para mim senão a tentativa de permanecer vivo, indefinidamente. O que é a morte para mim senão a ilusão de continuar vivo, desprezando-a. É triste saber que todo o seu conhecimento será sepultado junto com a sua presunção, lado a lado. É sábio não levar isso em consideração como forma de engano. Se eu sigo a luz que guia os meus caminhos, diante da escuridão eu paro. Se o desafio de continuar o estirão for mais forte, recuo três passos diante das incertezas. Verdade é que o mundo está precisando de silêncio, de paz e tranquilidade. O excesso de barulho provocado pelos sons das palavras que saem pela boca das pessoas; as guerras causadas em decorrência de posições conflitantes tomadas pelos indivíduos, pelos sistemas e governos, independente das suas posições; a agonia fruto da violência e das dúvidas; tudo isso tem feito muito mal à humanidade que teima em ser a única, eterna e resiliente. A humanidade nunca conseguiu desligar o “alerta máximo”, sempre viveu sob altas tensões. Isso é estimulante. “Os ideais são pacíficos, a história é violenta”. Trazendo a arte para a vida real, eu ouvi esta frase assistindo ao filme “Corações de ferro” – drama da Segunda Guerra Mundial protagonizado por Brad Pitt. Um bom tema para reflexão; se profunda, ou não, não saberia dizer. A falta de cultura é compensada pela estupidez. O maior corrosivo é o tempo – dele ninguém escapa. O mundo que queremos simplesmente não existe. 

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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