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Política

Cagada homérica.

Cagada homérica.

O ato de defecar é um ato de contrição. Isso eu posso afirmar com segurança.

Outra coisa segura é que o vaso sanitário é um dos melhores lugares para alguém expressar o arrependimento de seus pecados cometidos ao longo de algum tempo – se bem lembrados –, independente se as eventuais preces sejam feitas antes ou depois do ato (em si) de defecar. A penitência final, como castigo imposto para expiação dos erros, esta pode esperar, deixar pra depois da evacuação de matérias orgânicas acumuladas. Na confissão virtual, tanto o padre quanto a igreja não têm nada a ver com isso, com coisas acumuladas ao longo de algum tempo. Ato censurável.

Penso em fazer uma live qualquer dia desses quando a vontade de bostar for intensa. O público brasileiro, respeitável, merece o melhor das merdas.

Vêm-me à cabeça pensamentos furtivos – outros nem tanto. Nesses momentos de profunda concentração a maldita política entra na fila das prioridades mentais. Aproveitando um pouco da força desencadeada abaixo, tento retratar a realidade como ela é, mas a memória falha no meio da produção fecal que, a depender do volume, provoca a mistura de ideias, sobretudo quando imagens de políticos desfilam à minha frente; algumas das quais refletidas nos azulejos das paredes do WC, ainda umedecidos em razão do meu banho matinal com sabonete Francis.

Brasília continua sendo um imenso palco para a representação de bizarrices. Aproveito o show e relaxo no ato, já que no vaso eu não posso praticar ioga. Com consciência eu me prendo aos fatos, mas o mau odor deixa a atmosfera insuportável. Uma questão de ter ou não ter a capacidade de suportá-lo naquelas horas de profunda solidão. Levantar da sentina ainda é ação prematura porque tem merda a caminho – sempre tem. Muita. Sentina é sinônimo de vaso sanitário, latrina.

Na primeira piscada, eu percebo evidente o Sistema de Tramoias e Falcatruas montado pelos parlamentares, numa relação espúria com outros figurões da República. Coincidentemente, o Sistema de Tramoias e Falcatruas tem as mesmas iniciais de STF. Estamos vivendo a era das siglas e abreviaturas. Na segunda ação de contrair a abertura exterior do tubo digestivo, a cara porca do Bolsonaro me aparece à frente, caçoando do Coronavírus, compactuando com o Centrão, vendendo a alma ao Diabo e à Justiça para salvar o seu filho senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) no caso das “Rachadinhas”; a cara feia do Bolsonaro insiste em ficar â minha frente discursando sobre o que fazer com as Estatais a exemplo da Petrobras. Na terceira piscada do furingo (Cu), vejo a banda podre da Câmara dos Deputados articulando manobras para abrandar o “castigo” a ser imposto ao deputado federal Daniel Silveira (PSL/RJ), que certamente não perderá o seu mandato – pelo menos agora.

Não houve a quarta piscada. O Cu trancou, a merda se negou a sair – fiquei absorto por conta dos pensamentos gerais. Foi aí que comecei a lembrar da Dilma Rousseff, do José Dirceu & Cia Ltda., e ainda da possibilidade do senador Fernando Collor de Mello se lançar candidato a presidente da República em 2022. Daí pra frente só alegria. O feto de bom peso que se negava a nascer deu sinais de vida; olho pra dentro do vaso sanitário e lá estava ele, sorrindo, boiando ao sabor da descarga inicial. Foram necessárias mais três descargas sequenciais para que tudo descesse pelo esgoto central do prédio, juntamente com as imagens de todos os canalhas relembrados naquele ato. Lavei o rabo com álcool 70 e proibi a minha mulher de acender o seu cigarro perto de mim. Na real eu não fumo.

Uma lição: A prisão de ventre por si só já é um sofrimento para diminuir a culpa da pessoa – Deus pune os contumazes cagões com este sacrifício. O tamanho da cagada não determina a extensão da vontade do autor em fazê-la. Somos o que comemos!

Fiquei na dúvida se publicava esta “matéria” na categoria Pensamentos ou se na categoria Política. Optei pela segunda. Tem tudo a ver. Peido bem dado é prova de Cu apaixonado – suspiro anal. Quantas e quantas expirações audíveis não são dadas nas plenárias do STF e do Congresso a cada sentir dos gases. Não falta inspiração. Haja merda!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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