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Política

A merda da política – 11ª parte.

A merda da política – 11ª parte.

Salve lindo pendão da esperança!

Salve símbolo augusto da paz!

Tua nobre presença à lembrança

A grandeza da Pátria nos traz.

Primeiros versos do Hino à Bandeira Nacional do Brasil.

Quinta-feira, 19 de novembro de 2020. Uma data para ser comemorada como nos velhos tempos de escola; alunos perfilados com a mão no peito, em sinal de respeito, cantando o Hino na sua plenitude, uns com lágrimas nos olhos demonstrando amor e patriotismo. Infelizmente tudo isso ficou no passado. Hoje, a merda da política inverteu os valores; hoje, a merda da política destruiu completamente o currículo escolar, desorientando o processo educacional e as ações dos professores, dificultando, ainda, a aprendizagem em todos os graus de ensino; hoje, a merda da política estimulou práticas corruptas – como vem estimulando –, inclusive com o constante desvio de verbas destinadas à pasta da educação, deixando de construir novas escolas, não valorizando os professores com formação especializada de ponta e deixando de pagar melhores salários; hoje, a merda da política fechou os olhos até para o roubo sistemático de merenda escolar, na maioria dos casos, a única refeição das crianças durante o dia. Hoje, dia 25/11/2020, decorridos seis dias do “Dia da Bandeira”, ainda penso com imensa saudade no meu 1º ano do ensino primário, quando tinha 7 anos de idade e devidamente alfabetizado. Salve lindo pendão da esperança! Bandeira manchada com vermelho sangue.

De volta à nossa triste realidade. As campanhas políticas, tanto no 1º quanto no 2º turno das eleições municipais de 2020, não têm mostrado nada de novo até agora, é sempre mais do mesmo, promessas feitas, feitas promessas e promessas por fazer: fala-se muito em política de geração de empregos e renda, em educação de qualidade, em saúde para todos, em ações sociais para a diminuição da violência, fala-se em planejamento urbano e sistema viário, em moradia para os mais pobres, em requalificação do serviço público, fala-se em controle de gastos públicos, em investimento em infraestrutura, em redução das desigualdades, enfim, fato é que ninguém, nenhum candidato promete “não roubar” dinheiro público, como bem faziam os antigos e como fazem os presentes políticos ladrões. Em geral, nos debates é só blá, blá, blá, blá e blá. De um lado, um diz: “Sua mãe é puta”. Do outro lado, a resposta: “Seu pai é corno”. Sobra de tudo: “Se eleito for, eu juro construir uma ponte unindo a Terra à Lua; se eleito for, eu doarei terrenos em Marte para novos assentamentos; se eleito for, eu acabarei com a pobreza pagando um auxílio mensal de três salários mínimos a quem precisa; se eleito for, eu garantirei que os pobres e miseráveis comam seis refeições por dia e ainda façam um lanche antes de dormir”. Os desgraçados dos eleitores acreditam – a maioria deles, com certeza. Deus nosso tá vendo tudo isso acontecer. Haja paciência, haja saco! Salve símbolo augusto da paz!

Políticos de merda. Filhos das putas! Perdão, eles não têm culpa alguma, apenas eles são o retrato falado do povo que representam. Estamos literalmente diante de um flagelo cultural, educacional e social. É dura a realidade, mas é o que temos. Escolher entre merda e bosta, eis a questão. Entra governo, sai governo, entre uma eleição e outra, nada muda, absolutamente nada, senão pra pior. O sentimento geral (acredito que de todos) é de desolação, de destruição arrasadora da esperança. O descompromisso com a verdade, sobretudo com a coisa pública é notório, está na cara. Chega de populistas! A República Populista (Quarta República) acabou! Iniciou em 31/01/1946, na gestão do presidente Eurico Gaspar Dutra, e teve um final trágico em 02/04/1964, com o presidente João Goulart sendo deposto. O ícone da República Populista foi o presidente Getúlio Vargas, com o qual Lula se comparou um dia – “Não tenho pretensão de me matar. Vou enfrentar. Já provei minha inocência. Quero que provem uma única culpa”. Tua nobre presença à lembrança. Lembranças que às vezes são más, contudo, não fazem as pessoas mudarem de postura.

A Sexta República está em vigor, que, aliás, de Nova República não tem absolutamente nada – nasceu em 15/03/1985 e perdura até os dias de hoje. Por ser uma mistura mal elaborada das cinco Repúblicas anteriores, a “Nova República” acrescentou ao regime presidencialista maiores doses de corrupção sistêmica e endêmica, adicionou total descaso com a população e decretou a certeza da impunidade para os ladrões do erário – poderosos ingredientes que vêm provocando reações adversas ao país com a destruição em massa das Instituições e com a falência da moral e da ética públicas. Fato é que o exercício da política no Brasil está rasteiro – vem sendo praticada no pântano das conveniências –, sobretudo pelo fato da intelectualidade ter dela, da política, se afastado por motivos vários, no momento dispensados de comentários. A não renovação dos quadros com políticos preparados e a falta de uma visão programática têm criado espaços para o surgimento de oportunistas travestidos de bons políticos, ao tempo que corroboram com a máxima de que “O Brasil não é um país sério!”. Certo dia chegou a ser, quase. Em qual das seis Repúblicas? A grandeza da Pátria nos traz. Ou, nos trará a “Sétima República”. Quem sabe?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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