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Fatos em Foco

1º de julho de 1970

1º de julho de 1970.

Sequestro do avião Caravelle PP-PDX da Cruzeiro do Sul fracassa na pista do Galeão.

Os quatro sequestradores: Eiraldo Palha Freire foi baleado na ação e morreria uma semana depois. Os outros três, Fernando Palha Freire, Jessie Jane Vieira de Souza e Colombo Vieira de Souza Júnior, foram presos e condenados a mais de 20 anos de prisão.

Foto que ilustra cartão postal
Endereçado ao governo brasileiro e que pede a libertação do casal Jessie Jane
Colombo Vieira de Souza Jr. Cedem UNESP.
Verso do cartão postal
Traz mensagem em sueco e português dirigida ao presidente Geisel,
que sucedeu ao general Médici. Cedem UNESP.

JORNAL DO BRASIL

1º CLICHÊ

Rio de Janeiro, quinta-feira, 02 de julho de 1970. Ano LXXX – Nº 74

FAB retoma avião sequestrado e prende em ação fulminante quatro terroristas

EFICIÊNCIA E SEGURANÇA – Depois de metralhar os pneus do Caravelle da Cruzeiro, os militares o cobriram com uma nuvem química de espuma de sabão e o invadiram.

Em ação inédita no mundo, fulminante e precisa, militares da Aeronáutica conseguiram ontem à tarde, no Aeroporto do Galeão, frustrar o sequestro do Caravelle PP-PDX da Cruzeiro do Sul para Cuba, que havia sido dominado na rota Rio / São Paulo por quatro terroristas – três homens e uma mulher.

O avião foi obrigado a retornar ao Galeão para reabastecimento, do que se aproveitaram os militares para metralhar os pneus do trem de aterrissagem. Os sequestradores ameaçaram explodir o Caravelle caso não lhes fosse permitido prosseguir a viagem, mas as autoridades não se intimidaram e envolveram o avião em espuma química e gases.

Como os sequestradores não podiam ver o que estava ocorrendo fora, os militares arrombaram as sele portas do aparelho e o invadiram. Durante a tomada do avião, um dos terroristas feriu-se gravemente na cabeça e alguns passageiros sofreram pancadas e contusões, entre eles o comediante Renato Corte Real.

Finda a operação militar, os sete tripulantes e 30 passageiros, além dos sequestradores, foram retirados do avião e levados para o Hospital de Aeronáutica, de onde saíram após a tomada de depoimentos. Os quatro terroristas, todos presos, seriam os irmãos Eiraldo e Fernando Palha Freire, Colombo Vieira Sousa Júnior e a mulher Jessie Jane, nomes dados por eles próprios ao embarcarem no Rio. O destino do avião era Buenos Aires.

Um jato da empresa norte-americana National Airlines foi desviado na manhã de ontem para Cuba quando voava de Miami a Nova Orleans. O avião, com sete tripulantes e 34 passageiros, foi sequestrado por apenas um homem.

Menos de 21 horas depois de a OEA haver condenado energicamente os atentados terroristas o Hemisfério, uma bomba de grande potência explodiu na madrugada de ontem na sede da Junta Interamericana de Defesa, em Washington. Não houve vítimas, apesar dos elevados prejuízos materiais.

O edifício da Junta está situado a 20 quarteirões do prédio da OEA, onde 12 países apresentaram ontem candidatos à Comissão Jurídica Interamericana que deverá definir a ação continental contra o terrorismo e os sequestros políticos. (Págs 2, 3, 5, 7 e 8).  

1º caderno – Página 2

Nota da FAB – O Ministério da Aeronáutica distribuiu ontem à noite a seguinte nota oficial:

“O Centro de Relações Públicas do Ministério da Aeronáutica informa que na tarde de hoje quatro criminosos armados de revólveres, entre eles uma mulher, obrigaram o comandante da aeronave PP-PDX da Cruzeiro do Sul. que decolara do Rio de Janeiro com destino a São Paulo, a regressar ao Rio (Aeroporto do Galeão), a fim de reabastecer-se de combustível e prosseguir para Cuba. Após o pouso da aeronave as autoridades da Aeronáutica tomaram as medidas adequadas à salvaguarda das vidas ameaçadas pelos criminosos e, após ação rápida e decisiva, prenderam os delinquentes a fim de serem julgados de acordo com as leis do país. Durante a ação, um dos criminosos ficou ferido e encontra-se em estado grave. Todos os passageiros passam bem e nada sofreram, à exceção do comandante Harro Cyranka, que recebeu ferimento perfurante numa das pernas, o que, todavia, não o impediu de se ocupar com o bem-estar de seus passageiros. O competente processo criminal foi instaurado e o Ministério da Aeronáutica agradece aos passageiros, que foram unânimes em repudiar os malfeitores e cooperaram para que sua prisão decorresse sem maiores dificuldades. Ten. Cel. Isberti Colens Garcia”.

Tripulação e passageiros – O Caravelle PP-PDX decolou no Rio com sete tripulantes e 34 passageiros. Relação da tripulação: Harro Cyranka (comandante), Herman Schindler (l.° oficial), Wilson Fernandes Sanches (2.° oficial), Irene Alves de Medeiros, Maria Nilma Moreira, Luís Carlos Valença e Rossini de Medeiros (comissários).

Passageiros – Teresa Gomide Corte Real e Renato Gomide Corte Real, além de outros 32 passageiros listados.

1º caderno – Página 3

SEQUESTRO – Tiros de metralhadora nos pneus do trem de aterrissagem e banhos de fumaça química no avião foram os processos utilizados pelos militares da Aeronáutica para impedir o sequestro do Caravelle da Cruzeiro do Sul para Cuba. Os terroristas – três homens e uma mulher – estão presos.

TIROS EM PNEU DE AVIÃO E FUMAÇA IMPEDEM SEQUESTRO – Militares da Aeronáutica e agentes federais conseguiram ontem à tarde frustrar o sequestro de um Caravelle da Cruzeiro do Sul para Cuba, ao utilizar um processo inédito e altamente eficiente: metralhar os pneus do avião no Aeroporto do Galeão e impedir a visão dos sequestradores – três homens e uma mulher – com gás químico.

Vinte e nove passageiros e sete tripulantes do Caravelle PP-PDX da Cruzeiro do Sul, sequestrado por quatro terroristas sobre o litoral paulista, viveram ontem cinco horas e 20 minutos de pânico no Galeão, onde a aeronave pousou para abastecer por exigência dos sequestradores, que pretendiam levá-la para Havana.

O aparelho voava a rota Rio / São Paulo / Buenos Aires e aterrissaria em Congonhas às 10h10min. Os terroristas – quatro homens e uma mulher – forçam o retorno ao Galeão, temendo a segurança do aeroporto de São Paulo, mas foram capturados a bordo, após operação que durou 50 minutos, a 300 metros da estação de passageiros.

PNEUS METRALHADOS – O aeroporto estava quase vazio, às 01h30m, quando o PP-PDX, comandado pelo piloto Harro Cyranka decolou para São Paulo, no vôo 105 da Cruzeiro do Sul. Havia a bordo 34 passageiros com sete tripulantes; em Congonhas ficariam quatro passageiros e subiriam 30 que, como eles, se destinavam a Buenos Aires.

As 10h5m, a torre de controle do Galeão captou mensagem do comandante do Caravelle informando que a aeronave regressava ao Rio para reabastecer, mas ninguém deveria se aproximar dele, exceto o pessoal da manutenção. O Caravelle, segundo o piloto Cyranka, estava sob domínio estranho. Às 10h30m, logo que o aparelho taxiou na pista, a 300 metros da estação de passageiros, oficiais da FAB metralharam os quatro pneus do trem de aterrissagem, demonstrando claramente que não admitiriam a consumação do sequestro.

O ULTIMATO – Cercado por praças da Aeronáutica, viatura do Corpo de Bombeiros, uma ambulância e agentes à paisana, o Caravelle permaneceu na pista. Pelo rádio, os sequestradores ameaçaram explodir o aparelho se não lhes fosse assegurada a decolagem para Havana, depois do reabastecimento e substituição dos pneumáticos furados. A primeira mensagem dos terroristas, captada na sala da DAC, não impressionou os oficiais da FAB, que responderam com outro ultimato: se os passageiros e os tripulantes não fossem libertados até 15 horas, as consequências seriam da responsabilidade dos próprios sequestradores.

Ambas as posições, seguidamente, foram reafirmadas; a FAB passou a aguardar o término do prazo para invadir a aeronave. Simultaneamente, colocou três ônibus da Sata próximos da aeronave para uso dos passageiros. Mais quatro viaturas dos bombeiros, totalizando nove, postaram-se ao lado do Caravelle, enquanto cerca de 50 soldados, convocados às pressas, circundavam o aparelho. Pequenos tratores lançadores de pó químico e fumaça de grande densidade foram estacionados na pista, a poucos metros do avião.

COMEÇA O CERCO – O clima na estação de passageiros, ainda vazia, era de tensão entre funcionários da Cruzeiro do Sul e das outras empresas. A aeromoça Sônia, que voou ontem com o comandante Cyranka, tentou chegar até a aeronave para encorajá-lo, sendo obstada pela segurança da pista. Harro Cyranka, primeiro piloto a cobrir a rota Rio / Porto Alegre em vôo direto, segundo a aeromoça, estaria reagindo calmamente.

Ele é o terceiro comandante mais voado do mundo. E sua calma é impressionante. Cyranka é o piloto mais antigo da empresa, talvez o mais hábil entre os comandantes brasileiros.

Na pista, às 14h40m – a 20 minutos do fim do prazo dado pela FAB – oficiais começaram a andar por baixo da aeronave, dando a entender que buscavam meios de penetrar. O comandante Cyranka, percebendo o movimento sob a cabina, fez gestos largos, sugerindo que eles deveriam se afastar. Cinco minutos depois, mais duas ambulâncias rodeavam o avião. Apenas duas aeronaves se encontravam na pista prontas para levantar vôo: uma da TAP, com saída prevista para Lisboa às 15h15m e outra da Pan American – vôo 202 – para Brasília, Port of Spain e Nova Iorque.

Quarenta e um passageiros, muitos deles irritados, esperavam este último vôo. A Pan American pressionada, e após retardar bastante o vôo 202, decidiu consultar a Base Aérea do Galeão sobre a possibilidade de autorizar o embarque. Um oficial pediu que a companhia esperasse alguns minutos, “meia hora, no máximo”, porque o avião da Cruzeiro do Sul seria logo liberado. A empresa transmitiu a informação aos passageiros e despachou as bagagens. Ás 15h10m, para surpresa dos que se achavam na estação de passageiros, a aeronave seqüestrada começou a ser lavada com água ejetada por pequenas mangueiras. E, à distância, pode-se observar um homem subir na fuselagem do Caravelle.

A OPERAÇÃO – O presidente Médici deu ordem para a tripulação não decolar. O avião ficará na pista até o resgate dos passageiros.

A frase do operador de tráfego Bezoni prenunciou o ataque ao Caravelle. Às 15h10m, todos entenderam a razão da lavagem: a água ejetada na fuselagem, uma espécie de cola, serviria como fixador da espuma marrom com que a aeronave seria banhada. As mangueiras de lona, desenroladas dos tratores, começaram a espalhar sobre o dorso do aparelho, em jatos fortíssimos, grande quantidade de espuma. A aeronave, em poucos minutos, ficou coberta por uma camada marrom, como se fosse chocolate.

Segundo o pessoal da FAB isso impediria que os sequestradores alvejassem alguém do lado de fora, pois lhes anularia a visão; os passageiros, igualmente, nada veriam. Somente o comandante Cyranka e o primeiro-oficial Schindler, através da janela da cabina, podiam ver o que se passava na pista. Coberta a aeronave, praças e oficiais da FAB forçaram as portas de emergência, para arrombá-las. Sete pontos do aparelho foram atacados simultaneamente: as duas portas da frente, próximas da cabina de comando; as quatro saídas de emergência, duas de cada lado, sobre as asas; e a porta traseira. Empunhando porretes, quebravam os vidros das janelas, para lançar pó químico dentro do avião. Um mulato, de camisa azul, após galgar a asa esquerda, esmurrou as portas, furiosamente. Outro, louro e magro, dava coronhadas na fuselagem. Nuvens de fumaça branca, que atingiam 10 metros de altura, escondiam parte do avião, bloqueando a visão do pessoal confinado na varanda da estação. Quando se dissipavam, outras nuvens eram formadas. Dentro desse clima, três ônibus penetraram na pista, em intervalos regulares, para recolher passageiros, e levá-los ao setor militar do aeroporto. Ouviu-se três tiros: um surdo como se ecoasse dentro do avião e os outros mais fortes.

UM FERIDO – Um homem trajando macacão verde desceu ferido, e foi carregado para uma ambulância. Duas outras ambulâncias, recolhendo outras pessoas, seguiram em alta velocidade para o setor militar. E novas nuvens de fumaça, menos espessas, foram lançadas sobre a área, sobrevoada por dois caças. Houve um murmúrio de espanto quando, do alto da escada interna, junto da cabina, um homem de camisa clara, parecendo membro da tripulação, se atirou no cimento da pista, de cabeça.

Às 15h40m, água pura ejetada por mangueiras dos bombeiros lavou a fuselagem do Caravelle, parecendo que tudo havia terminado. As portas do avião, escancaradas após a operação, voltaram a ser fechadas pelos praças da FAB. Das 12 viaturas dos bombeiros, quatro se retiraram lentamente, fazendo soar as sirenas. E alguns funcionários do aeroporto, antes mantidos à distância, foram olhar o Caravelle sem ser molestados.

AEROMOÇA DESCONFIOU – No momento em que o grupo sequestrador invadiu a cabina de comando do PP-PDX, o comandante Harro Cyranka já estava prevenido, através de informações de uma das comissárias, de que havia a bordo alguns passageiros em atitudes suspeitas.

A possibilidade do desvio da rota, que naquele instante se confirmava, foi realmente levantada pela aeromoça. Eram 10h50m quando foi dada, através do painel do avião, a ordem de desafivelar os cintos, ocasião em que a comissária faria a sua primeira distribuição de bombons, chicletes, algodão e saquinhos plásticos para contra enjôo. Preocupou-se com uma conversa que julgou suspeita de dois dos passageiros, que discutiam moderadamente detalhes de uma operação qualquer. Em princípio, ela apenas se interessou por causa de observações que um fazia ao outro à sua passagem. Por causa disso, voltou ao local onde os dois estavam, por algumas vezes, levando refrigerantes e outras bebidas, até ter fortalecida a sua suspeita inicial.

Quando um grupo, cujo número é impreciso, devido às várias informações, entrou na cabina do piloto, o comandante, já preparado para a eventualidade, e sabendo dispor o galeão de um dispositivo de repressão bem esquematizado e treinado há seis meses, inexistente no aeroporto de São Paulo, convenceu-o da necessidade de voltar ao Rio para reabastecimento. Feito isso, o comandante Cyranka manobrou o avião e enviou uma mensagem á torre mais ou menos nestes termos: “Quero campo. Que ninguém chegue perto do aparelho quando ele aterrissar”.

SAÍDA NERVOSA – Quase a totalidade dos passageiros somente se apercebeu de que havia algo anormal quando constataram que se formava uma agitação incomum ao redor do avião, logo ratificada com os primeiros movimentos do grupo repressor, formado por oficiais e praças da FAB. O capitão Arlindo, da Aeronáutica, com a mão direita enfaixada, deixando perceber que havia sofrido um ferimento por causa da mancha deixada pela pomada Furacin, contou detalhes da história. Disse ter sido o responsável pela abertura da porta principal do avião, por onde se jogou, inicialmente, o segundo-oficial de bordo Wilson Fernandes Sanches de ponta-cabeça, julgando que cairia na água – pois o avião parou seus motores próximo a um matagal que separa a pista do mar. Em consequência da queda, Wilson se feriu no rosto, enquanto o militar ao colocar a escada percebeu que o comandante Cyranka deixava o interior do avião atabalhoadamente, exatamente quando foi feito o disparo que o feriu na coxa direita. Em seguida ao comandante, saiu a comissária Irene Alves de Medeiros, já pisando os degraus, mas rapidamente. Depois saiu a aeromoça Maria Nilma Moreira, também em atropelos, o que lhe valeu um ligeiro ferimento na testa.

O capitão Arlindo, que usou na operação um macacão de campanha e dirigiu um trator, fazendo várias voltas em redor do avião, antes do assalto, inclusive já em meio à cortina de fumaça, explicou que todos os passageiros e a tripulação foram concentrados na parte dianteira do aparelho. Conforme seu relato, uma vidraça da janela foi quebrada e através dela introduzidos gases, fumaça e espuma de extintor de incêndios. Na sua opinião, a tripulação criou coragem para abrir a porta dianteira diante da presença a bordo de elementos químicos que geraram uma grande confusão.

MULHER ATIRA PRIMEIRO – Para o capitão Arlindo, a mulher do grupo sequestrador é gorda, horrível e desbocada. Mas, conforme se apurou depois, essa mulher é loura e considerada muito bonita. Todos os depoimentos confirmam a versão do militar de que ela xingava tudo e todos durante todo o tempo. Foi ela quem mais sofreu ao deixar o avião. No interior do aparelho, foi ela quem, portando um revólver calibre 38, fez dois disparos, um dos quais atingiu o comandante Cyranka e o outro pegou de raspão num dos passageiros. Essa mulher que, segundo informantes da FAB no Galeão, é a passageira Jessie Jane, nome tido como falso, foi liberada das mãos dos soldados por ordem do Tenente-coronel Amâncio.  

No momento em que o avião foi invadido, o tumulto tomou proporções maiores. Um dos passageiros, o ator de televisão Renato Corte Real, visivelmente nervoso, indo até às lágrimas, levou uma coronhada. Foi levado, na ambulância, semi-inconsciente. Um outro passageiro – não identificado – foi também molestado. Os membros do grupo sequestrador se alojaram na traseira do avião, mas na confusão estabelecida quando a porta se abriu, dispersaram-se: a mulher foi a que resistiu, atirando com o 38. Um deles, um jovem louro, aparentando 18 anos, na confusão, feriu-se no ouvido, caindo ensanguentado. Um terceiro, porém, deixou o avião com as mãos erguidas para o alto. Os passageiros, todos sujos e molhados, foram levados em ambulâncias que cortaram as pistas do aeroporto, não utilizando as vias normais de acesso, para o hospital da FAB.

UM QUASE MORTO – Todos, sem exceção, foram levados para o hospital, tripulantes e passageiros. Nenhum militar foi ferido, mas todos foram também para o hospital, fiscalizando o atendimento. Foram medicados: um passageiro, ferido de leve na perna, que logo liberado para o depoimento na Base Aérea; o ator Renato Corte Real, com ferimento leve na altura da boca – que o fez perder a dentadura – e crise nervosa, logo sanada, a ponto de fazê-lo agradecer e pedir desculpas aos oficiais; o comandante Cyranka, que foi imediatamente levado para a sala de operações; o segundo-oficial Wilson, ferido no rosto; a comissária Nilma, também levemente ferida na testa; e o sequestrador que foi identificado mais tarde como sendo o passageiro Eiraldo Palha Freire. Esse chegou ao hospital dado como morto. Veio deitado em decúbito dorsal, com a própria camisa enrolada no pescoço amparando o sangue que lhe escorria. Foi levado às pressas para a mesa de operações e verificou-se que a bala não atravessou o crânio, tendo entrado pelo ouvido, batido provavelmente num osso, e descido pelo pescoço. A mulher do grupo sequestrador – que recebeu cinco pontos na nuca – chegou enrolada numa toalha, pois no desembarque, empurrada de um para outro lado, teve as roupas rasgadas. Apenas esses tiveram maiores cuidados médicos, reduzindo-se o tratamento dos demais a doses fortes de calmante.

Por volta das 20 horas é que eles foram, então, levados para depor sobre a tentativa do sequestro. À medida que iam sendo liberados, podiam escolher o hotel de preferência. A bagagem, enquanto se sucediam os acontecimentos, foi levada para o interior do aeroporto. Acalmada a situação, alguns oficiais comentavam mais serenos que fora outra vitória do Brasil.

OS SEQUESTRADORES – Informações filtradas junto aos órgãos de segurança governamentais davam conta, na noite de ontem, que os sequestradores do Caravelle da Cruzeiro do Sul seriam a mulher Jessie Jane, Colombo Vieira Sousa Júnior e os irmãos Eiraldo e Fernando Palha Freire. Esses nomes foram citados pelos próprios passageiros na lista de embarque, não havendo, ainda, confirmação oficial de que sejam verdadeiros.

VISIBILIDADE ZERO – Ninguém via nada para dentro ou para fora do Caravelle, quando ele foi envolto por espuma de fumaça.

ARROMBAMENTO COORDENADO – Simultaneamente os militares arrombaram o avião por sete lugares diferentes e injetaram mais fumaça.

BANHO PREPARATÓRIO – Antes que fosse inteiramente recoberto com espuma, o Caravelle recebeu um banho de material fixador.

MISSÃO CUMPRIDA – Depois que todos saíram de dentro do avião, funcionários da Cruzeiro foram verificar os estragos.

FIM DA OPERAÇÃO – Um dos sequestradores, ferido na cabeça durante a operação, foi retirado do avião sobre uma maca.

Nota: Matéria jornalística pesquisada junto a um alfarrabista.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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