>
Você está lendo...
Política

Viagem sem volta.

Viagem sem volta.

O voto é indivisível, expressa a vontade soberana do eleitor. Tanto que Bolsonaro foi eleito Presidente da República (38º) no segundo turno, em 28 de outubro de 2018, com 55,13% dos votos válidos. O total de 57,8 milhões de eleitores foi responsável por isso, que condenou o ex-capitão do Exército a governar o Brasil pelos próximos 04 (quatro) anos – 2019/2022. Um gesto que seria de salvação das garras do PT – Partido dos Trabalhadores, acabou se transformando numa roleta russa com o tambor do revólver repleto de balas de prata.

O que chama a atenção é o número de abstenções: 31.371.704, o que equivaleu a 21,30% do total de eleitores brasileiros, segundo o TSE – Tribunal Superior Eleitoral. Esses não quiseram pagar pra ver uma crise anunciada; atiraram no que viram e acertaram no que não viram. De todo modo, hoje eles podem estar se vangloriando da grave situação dizendo aos pés do altar: “A culpa não foi minha!”. “Não tenho nada a ver com isso”. “Isto não é o meu Corpo, isto não é o meu Sangue!”.

Porém, muitos políticos pecadores comeram do corpo e beberam do sangue do Bolsonaro para se elegerem por todo o Brasil. Depois de empossados, santos políticos vomitaram a refeição no próprio prato que os alimentou, outros continuam regurgitando nos seus gabinetes.

Não há o que se discutir. A escolha foi feita. A banca de apostas estava fechada pra balanço naquele fatídico outubro de 2018. De um lado, o candidato indicado pelo “analfabeto corrupto”, do outro, o praticamente desconhecido “bufão travestido de honestidade”. Deu o segundo, que até hoje não conseguiu exorcizar partidos políticos malignos e empresários em estado de possessão demoníaca. Fato é que o povo, despolitizado, não sabia o que estava fazendo nas urnas (nunca soube) e qual a importância do seu ato. Aliás, com tudo isso, tem força o suficiente pra trocar o comando de um país com a mesma facilidade que se livra de um saco de lixo.

Vejo a oposição como saudável no processo democrático; pelo menos deveria ser assim. Mas, aqui no Brasil, a nossa oposição é totalmente diferente das demais contraposições. Os meios sempre justificando os fins para a conquista do poder, que autoriza os eleitos, de um modo geral, a fazerem o que muito bem quiserem, inclusive roubar como regra funcional. É aquela coisa “Sai daí que agora é a minha vez”; “Larga o osso que eu quero pegá-lo”. Na disputa por um pedaço de queijo os ratos aprenderam a cometer canibalismo. As alianças que Bolsonaro está fazendo com o “Centrão” para tentar salvar a sua cabeça de uma provável abertura de processo de Impeachment são prova disso. O “toma lá dá cá” é dever de ofício. O “toma lá” tem tido mais peso nos últimos tempos e as frágeis alianças são desfeitas pelas oportunas traições.

Seja na política, seja na disputa de outros pleitos eleitorais, oposicionistas têm se valido de expedientes inadequados para tumultuar o processo, para pintar cenários com cores opacas, para tirar proveito de situações, com o primado do convencimento. Os caminhos têm se mostrado indefinidos. Na balança da moral, ética e dos bons costumes, contrapesos não servem como mecanismos de compensação, nem mesmo para moderar qualquer força oposta.

A meu sentir, o sistema natural – o que está funcionando – não pode e não deve ser quebrado em hipótese alguma. Disputar uma eleição significa nela entrar imbuído de honestidade, compromissado com as regras estabelecidas, e, sobretudo, com respeito a todos aqueles que têm nas mãos o poder de decisão. A propósito, posições já tomadas não mudam face à mudança dos ventos provocada por ação de “ventiladores de ocasião” ou de “sopros oportunistas”. A rigor, o bom comandante ajusta as velas e salva o barco. Quem está dentro dele permanece, em nome da confiança depositada. O caos se estabelece quando o leme é quebrado em alto mar – nem por isso se constata que a embarcação saiu furada do porto.

Na política temos visto políticos se matando na briga pela “posse das chaves dos cofres”. Nos diferentes ramos de atividades humanas esse tipo de procedimento geralmente é o mesmo quando o fator dinheiro entra em jogo. Lançar mãos às facas inevitavelmente é ação que faz vítimas inocentes. Dane-se. Portanto, a constante vigilância cabe a todos nós, caso contrário, os ventiladores de ocasião e os sopros oportunistas podem trazer problemas inesperados – rastros são apagados na passagem dos ventos contrários. Não nos esqueçamos de que, na política, a corrupção anda de mãos dadas com a honestidade. Cada um tem o seu preço.

Sem responsabilidade não há boa gestão, sem honestidade não há como administrar capital alheio, sem compromisso com a verdade tudo dará errado. Os exemplos estão aí para quem quiser deles tomar conhecimento. O momento me faz lembrar a fábula “A Raposa e as Uvas”, reescrita por Jean de La Fontaine. Quem a leu pode perceber que não é apenas uma fábula destinada a crianças, de modo que a mensagem também se dirige aos adultos – estes, ou melhor, a maioria, se assemelha à “raposa das uvas”, que demora a compreender e/ou aceitar as suas limitações. As imaginações são muitas, que se perdem no universo da realidade. Há momentos na vida que a gente tem que parar para refletir. Uma tomada de decisão requer antes de tudo uma análise apurada dos fatos. Que as demais Instituições do país a eles se curvem para o bem de todos. As Forças Armadas observam e surfarão na onda maior, até porque o vice-presidente, general Antônio Hamilton Martins Mourão, tem pretensões, um direito suposto, de deixar de ser vice. No íntimo, a força da hierarquia militar se sobrepõe. Quais são as “Armas da Democracia”?

Houve quebra da pouca confiança depositada no governo, na medida em que ameaças abertas aos demais Poderes da República são feitas à luz do dia e em bom tom, independente dos seus propósitos; atitudes essas inaceitáveis, que desestabilizam toda a Nação, sobretudo nesse momento de pandemia causado pelo Coronavírus, quando os nossos esforços deveriam estar voltados ao seu combate. Portanto, considerando a chegada de uma turbulência, o nosso presidente tem três saídas: imitar Getúlio Vargas; renunciar; esperar o circo pegar fogo pra ver o que vai acontecer pós rescaldo. Profetas de ocasião anunciam que surgirá um novo Adélio Bispo de Oliveira como quarta opção – consumada, essa seria uma ruptura definitiva. Jair Messias Bolsonaro, na plenitude da sua alucinação, está numa viagem sem volta!

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 976 artigos publicados em 16 Categorias. Boa leitura.

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se aos outros seguidores de 159

%d blogueiros gostam disto: