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Fatos em Foco

Covid-19 – Quinta parte

Covid-19 – Quinta parte

“Em pó transformar-se-á todo o dinheiro da Terra, porque dele os homens não necessitarão. O ouro perderá o brilho e as pedras preciosas voltarão ao seu estágio primitivo. No início, a compaixão pelo sofrimento doutra pessoa motivará a oferta de alimentos; em seguida, a troca das sobras imposição; por fim, uma batata valerá uma vida humana. O pão desaparecerá das mesas. Ossos alimentarão as chamas por indefinido tempo”.

Augusto Avlis

Pelo seu perfil irreverente – pessoa descontraída, zombeira, distraída frente a situações sérias – o brasileiro, definitivamente, não nasceu pra ficar preso numa gaiola feito pássaros. Mais cedo ou mais tarde o povo sairá às ruas e dará o tradicional grito de LIBERDADE – ainda que tardia. Na essência da palavra, o livre arbítrio do cidadão é um direito que nos últimos dias foi muito desrespeitado. A sensação de se sentir livre, segundo a sua própria vontade, não tem comparação. Para obedecer, o brasileiro precisa ser convencido que o “conteúdo” da ordem dada não lhe trará imediato prejuízo, e depois entender que a obediência é o último recurso.

Os brasileiros estão de certa forma aderindo à campanha do isolamento social, não porque se sentem obrigados a seguir as orientações do governo. Boa parte das pessoas está ficando em casa por causa do medo de morrer. Disse o João da Silva: “Vá que eu pegue este tal de vírus na rua, não receba a assistência adequada por parte do Posto de Saúde, volto pra casa cumprindo ordem e depois morro feliz da vida, sem saber a causa. Ora, se eu tenho que voltar pra casa com o vírus, então é melhor permanecer dentro dela sem o vírus. Não é mesmo?”. Isso é o que de fato tem assustado as pessoas, a possibilidade de ser a próxima vítima do homem da foice. Além de a contaminação em si ser uma roleta russa por conta da “transmissão comunitária” do Covid-19, é a forma como o indivíduo vai morrer – igual a um peixe fora d’água. Para o peixe até hoje não foi inventado um respirador mecânico; para os infectados existem poucos. O Diabo do Covid-19 bem que poderia se chamar “Covid-20”, em homenagem ao ano da desgraça. Aliás, sem citar as razões, não falta profeta moderno para afirmar que essa disgrama aconteceria em 2020. Tantos outros, não profetas, dizem que a culpa é do Bolsonaro.

Hoje eu fui obrigado a quebrar o isolamento social – se bem que de “social” mesmo o meu prédio não tem nada, a começar pelos mal-humorados dos meus vizinhos. Desci três andares pra levar 10 sacolas de lixo até a lixeira central do Condomínio porque já estavam fedendo. Na volta ao meu refúgio, limpei os chinelos em pano de chão molhado com solução de água sanitária, coloquei as roupas na máquina de lavar, lavei as mãos conforme recomendação dos caras da Saúde (como se eu fosse idiota), daí eu não toquei em mais nada e fui direto tomar banho com sabão em barra, parecido àquele usado pela minha avó no tanque – salvo engano, as barras preferidas da vovó tinham a marca Sabão Português, produzido pela UFE (União Fabril Exportadora S.A). Li há pouco na Internet: “Prédio da antiga Fábrica do Sabão Português é demolido no Caju, Avenida Brasil, RJ. Em janeiro de 2018, a Sérgio Castro Imóveis conseguiu realizar a venda do imóvel”. Triste! Pela sua qualidade e eficácia, esse sabão está fazendo falta hoje em tempos de Covid-19. Nenhum profeta previu a morte desta quase secular empresa, que foi fundada em 1922. Na verdade ela se localizava no Bairro São Cristóvão, Avenida Brasil, no final da Rua Pref. Olímpio de Melo.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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