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Política

Rita e a horta

Rita e a horta

Daqui a pouco o governo Jair Bolsonaro fará cinco meses. Cinco meses totalmente perdidos porque nada foi feito de concreto para tirar o país do marasmo, não há perspectivas, só retórica – se bem que a arte de bem argumentar do presidente anda meio que prejudicada. Os eleitores que votaram nele (57.797.847) no segundo turno das eleições 2018, dando-lhe a vitória, devem estar se perguntando: “Que merda que eu fiz!”. O povo, tanto de um lado, quanto do outro, se lamenta: “Pô, quede os benefícios prometidos?”. Mas, a maioria não queria tirar o maldito PT do governo? OK, conseguiu! Contudo, não contou com a astúcia e traquinagem do Congresso, não renovado convenientemente por 104.838.753 de brasileiros (90,43% de votos válidos).

Pois é, é o que eu disse, não há horizonte azul à vista, não há perspectivas. A economia não dá sinais de recuperação (teve retração de 0,1% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o último trimestre de 2018, e de 0,4% em março contra fevereiro/2019, segundo o Monitor do PIB, calculado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, na série com ajuste sazonal), de modo que o crescimento econômico brasileiro não saiu de dentro da cápsula de congelamento. O ministro da Economia Paulo Guedes (Roberto Nunes) tem que parar de se comportar como um “camelo olhando pra pirâmide de Quéops” toda vez que vai ao Congresso dar satisfações aos beduínos.

A Reforma da Previdência, nos moldes que o governo quer, jamais sairá do papel. Enganam-se aqueles que acreditam que a cegonha é a única reprodutora da humanidade. No cabo de guerra disputado com a Câmara dos Deputados a gente sabe quem está levando vantagem nesse jogo da corda; de todo modo, claro está que não é o governo, pelo seu total despreparo muscular, sobretudo pela aguda desarticulação política. O teste de força aponta o vencedor, o “Centrão”, que reúne cerca de 230 dos 513 deputados (44,83%). Pela força, o “Centrão” dita a pauta no Congresso Nacional; como o DEM dele faz parte, Rodrigo Maia e David Alcolumbre, presidente da Câmara e do Senado, respectivamente, estão trabalhando contra o governo, ainda que digam o contrário – esses democratas cortam dos dois lados como Gillette. Vem aí a “Reforma da Reforma da Previdência”, proposta, digamos, alternativa à original, com o objetivo de desidratá-la ao máximo.

O governo está colecionando derrotas atrás de derrotas. Concordo com alguém que disse que “O Brasil é ingovernável”, porque eu já disse isso no passado não muito distante. E disse mais: O Brasil é uma casa de putas governada por sacanas. Quero ver se aparece algum político FDP para me questionar. O “Centrão” apoiará a Reforma da Previdência desde que não acabe com privilégios e atenda aos interesses de grupos e/ou classes. Infelizmente, os políticos só se preocupam em manter os seus currais eleitorais, em garantir votos para reeleição, por isso, não pensam a prosperidade do Brasil como projeto de governo. Formam-se campos políticos heterodoxos, todavia, todos são hábeis no quesito legislar em causa própria, cada qual olhando pro seu próprio umbigo. Os pactos federativos são difusos, de contornos pouco claros e ao mesmo tempo confusos. Enfraquecido, de calças na mão e com a cueca furada, o ministro da Economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, pedirá demissão em caráter definitivo, ou melhor, negociará a sua exoneração com o presidente Jair Bolsonaro pra não ficar mal na fita.

O momento é de dificuldade nas contas públicas. Os governos petistas quebraram o país com o uso de uma máquina mortífera chamada corrupção, além da notória irresponsabilidade fiscal. Isso é fato. Jair Bolsonaro, antes de ser eleito, sabia disso, tinha pleno conhecimento que para “consertar o estrago” teria que arrancar algumas pedras preciosas da sua coroa e dá-las ao clero – como pior hipótese, não tentar consertar tudo de errado (o estrago) que encontraria no governo. Opiniões dão conta que se JB deixasse o perímetro liberado para o continuísmo das práticas nada republicanas, talvez a história política fosse outra, com uma crise de menor impacto. Precisamos da Reforma da Previdência, precisamos da Reforma Tributária, além de ter aprovado o Pacote anticorrupção e anticrime de Sérgio Moro, mas, antes de tudo, urge a principal delas, a “Reforma de Consciências”.

A prova da herança maldita é a taxa de desemprego no Brasil que ficou em 12,4% no trimestre encerrado em fevereiro (dezembro/2018 a fevereiro/2019), atingindo 13,1 milhões de pessoas, segundo o IBGE. Até a informalidade perdeu espaço. O trem do progresso deu marcha à ré. O Brasil de 2019 é o retrato falado do retrocesso, do puro atraso. O motivo é um só: falta de vontade política, os políticos não pensam a prosperidade do Brasil como projeto de governo. Perdemos tempo com coisas que não trazem prosperidade, com coisas pequenas, com o varejo da suja política, com coisas absurdamente inúteis para o país. As nossas Casas de Leis viraram verdadeiros “Tribunais da Inquisição do Século XXI”, onde são julgados todos aqueles considerados “graves ameaças” às doutrinas político-partidárias de ocasião, onde são condenados aqueles que subestimam o Congresso Nacional, onde são denunciados aqueles que querem quebrar o ciclo vicioso.

O desempenho de Jair Bolsonaro me faz lembrar a história de “Rita e a horta”. Rita levava na bunda toda vez que ia plantar alface. Bolsonaro é costumeiramente enrabado toda vez que planta pepino. É evidente que uma poderosa corrente de parlamentares deseja promover o esvaziamento do governo Bolsonaro, do seu poder, impedindo-o de governar, ainda que com restrições. Está criado o “Parlamentarismo branco”. Virá um intenso bombardeio aéreo e depois um ataque de infantaria – não restará pedra sobre pedra. O presidente Jair Bolsonaro tem três opções: 1ª. Aguardar que o sistema o mate; 2ª. Renunciar e entregar o governo aos militares para que façam nova “Revolução branca”; 3ª. Acreditar nas palavras do pastor Steve Kunda afirmando que ele, Jair Bolsonaro, é o militar “escolhido por Deus” para comandar o Brasil. Se Deus não descer dos céus para endossar pessoalmente o que disse o pastor Steve Kunda, é provável que uma das duas opções anteriores se concretize. As redes sociais foram decisivas para a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018; agora, podem adiantar a sua derrota. Alguém perguntará: Por onde andará Olavo de Carvalho?

A qualidade da democracia que tanto almejamos está intimamente ligada à qualidade do seu povo. Vamos lançar o olhar para aqueles 104.838.753 de brasileiros que consignaram os seus votos úteis nas eleições de 2018. Neste total está boa parte dos idosos que sofrem de doença de Alzheimer, encontra-se boa parcela de jovens desconectados menores de idade, estão os analfabetos de fato, estão os analfabetos de direito, estão os analfabetos funcionais, estão as massas de manobra (gado humano), estão os “idiotas úteis” – e também inúteis. Nesse cenário, como esperar mudança qualitativa para o Brasil?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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