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Política

Tem cheiro de merda no ar!

Tem cheiro de merda no ar!

Domingo, 26 de maio de 2019. Um dia que pode entrar para a história política brasileira como “Um dia vermelho”. Não por conta das bandeiras do PT e das centrais sindicais balançando no meio das multidões. As manifestações pró-Bolsonaro provocarão radicalismos e confrontos entre forças opostas. Os próprios movimentos de “Direita” estão divididos, portanto, essa falta de coerência e harmonia abrirá caminho para a infiltração de baderneiros, às centenas, talvez aos milhares, que trazem na bagagem um Modus Operandi bem definido. “Um dia vermelho” pela possibilidade de ser um dia sangrento. O Brasil continua rachado entre “nós” e “eles”, entre uma Direita perdida que não sabe o que fazer e uma Esquerda raivosa pela perda do poder – circunstância que a incita à rebelião.

As redes sociais são gigantescas vitrines onde são expostos os sentimentos das pessoas como se fossem mercadorias vendáveis, seguindo à risca os critérios e fundamentos da ciência do Merchandising. Qual foi o real alcance do vídeo gravado no dia 09 de julho de 2018, numa palestra de Eduardo Bolsonaro para alunos de um “cursinho” na cidade de Cascavel, Estado do Paraná? Nesse vídeo, que viralizou na Web no dia 21/10/2018, uma semana antes do segundo turno das Eleições (domingo, 28), Eduardo Bolsonaro, respondendo a uma pergunta de um dos alunos sobre a hipótese do Exército intervir no caso de o Supremo Tribunal Federal (STF) impedir a posse de Jair Bolsonaro como Presidente da República, disse:

“O pessoal até brinca lá. Se você quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é desmerecendo o soldado e o cabo. Não. O que é o STF, cara? Tipo, tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua? Se você prendeu um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor dos ministros. […]”.

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) é filho do Presidente da República, Jair Bolsonaro, e foi reeleito deputado federal nas últimas eleições com 1.843.735 votos, sendo o deputado mais votado da história política do Brasil. A família Bolsonaro promoveu um verdadeiro fenômeno nas redes sociais no que se refere à mobilização de grande parte da sociedade em torno de temas políticos nos últimos quatro anos. Isso foi a partir da reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014, quando o então deputado federal Jair Bolsonaro tomou a decisão de disputar as eleições para Presidente da República. É inegável o crescimento do número de usuários das redes sociais, e outros meios eletrônicos (como Blogs), quer por ocasião das eleições, quer nos momentos críticos da política dita republicana, cujos conteúdos (com destaque para as mensagens subliminares) acabam repercutindo de forma geométrica nos quatro cantos do país. Isso é muito bonito, só que ninguém espera ver Eduardo Bolsonaro com a cara feliz nas manifestações marcadas para o próximo domingo, 26, caso ele vá.

Com essa lógica é que os internautas formam grupos de mobilização e, em rigor, discutem as suas pautas independentemente do que pensam os supostos líderes dos movimentos. Por vezes, a incapacidade de interpretar os temas reivindicados leva as pessoas com os “espíritos armados” para as ruas, e prontas para dispararem contra àquelas que defendem posições contrárias. O traquejo e o jogo de cintura não fazem parte do manual de operações. “Se você quiser fechar o STF… manda um soldado e um cabo”. Essas palavras de Eduardo Bolsonaro ajudaram a acirrar os ânimos da população, e, a reboque vem o desprezo aos parlamentares, sobretudo o repúdio aos políticos que formam o “Centrão”, que estão colocando pedras no caminho do presidente Bolsonaro. Fica fácil explicar porque a pauta de alguns movimentos versava sobre três pontos específicos: 1º. Fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF); 2º. Fechamento do Congresso Nacional; 3º. Ataque ao Centrão. Cabeças napoleônicas que pensam, ou melhor, não pensam, que acham ser isso possível num país onde as pessoas são submissas, comem sardinha e arrotam “caviar beluga siberian”.

Há grande expectativa que a pauta oficial dos movimentos pró-Bolsonaro, no evento do próximo domingo, aborde temas como: 1º. A defesa da Reforma da Previdência; 2º. Defesa do Pacote anticorrupção e anticrime do ministro Sérgio Moro; 3º. Apoio à continuidade da Operação Lava-Jato; 4º. Defesa de medidas do presidente a exemplo do contingenciamento de gastos públicos; 5º. Apoio ao decreto das armas; 6º. Apoio à Reforma Administrativa, que reduz a estrutura do governo (MP 870/19), exigindo-se votação nominal dos parlamentares. Como podemos observar, é muita coisa pros manifestantes digerirem. Perdeu-se o foco, ainda mais que os movimentos não têm comando único. Portanto, a depender de uma gama de variáveis imprevistas, as previstas manifestações podem representar frugais passeios nos parques, ou, assustadoras corridas para os hospitais mais próximos.

Na verdade, o povo não sabe a força que tem, seja quando usada para o bem, seja quando usada para o mal. Na perspectiva da “Ditadura da ignorância”, o povo se deixa utilizar como massa de manobra das forças políticas plenamente identificáveis. Por pressuposto, entendo que nessas terras de Cabral a Democracia plena nunca existiu, a despeito do que querem nos fazer acreditar, assim como os direitos fundamentais. É isso exatamente o divisor de águas entre os frugais passeios nos parques e as assustadoras corridas para os hospitais mais próximos. A Democracia longe está de ser “O poder de muitos”. Pelo fato de o povo nunca ter exercido a soberania (soberania popular) junto aos governos por ele eleitos, podemos afirmar que no Brasil o conceito que melhor se aplica à Democracia é “O poder da obediência de muitos” – que é controlado por poucos. Portanto, um regime (sistema) político que coloca os cidadãos à margem do processo participativo decisório, largando tudo nas mãos dos malfadados, desgraçados políticos representantes – o pior é que não há cobrança dos seus atos. Daqui a pouco estaremos distraídos com a Copa América Brasil 2019.

De todo modo, pode até ser que tenhamos uma onda verde e amarela, manchada com alguns tons de preto – certamente não provocados pelo peixe beluga. O presidente Jair Bolsonaro foi desaconselhado a participar das manifestações. Há risco real de ser assassinado; numa escala de probabilidade de zero a dez, posso afirmar que é dez. As previsões celestes dão conta que dessa vez não errarão. Na linha de frente das manifestações estará o Clube Militar, coisa pra duvidar, mas não pra descartar. O Presidente da República Jair Bolsonaro é de grande utilidade para o Alto-Comando das Forças Armadas. Ele está sendo usado como “boi de piranha”, ou trampolim, para um projeto maior. Resta saber se Bolsonaro desconfia disso ou tem pleno conhecimento das coisas que estão acontecendo à sua volta, e os porquês.

Nesta semana que precede as manifestações, a Câmara dos Deputados imprimiu velocidade nas votações das Medidas Provisórias do governo. Talvez uma estratégia pensada; mostrando serviço, talvez diminuísse a pressão das ruas. O tiro saiu pela culatra. A retirada do Coaf da alçada do Ministério da Justiça e Segurança Pública, passando para o Ministério da Economia, é pólvora de boa qualidade, e pode dar mais munição para os movimentos de domingo, 26/05. “Sobre a decisão da maioria da Câmara de retirar o Coaf do Ministério da Justiça, lamento o ocorrido. Faz parte do debate democrático. Agradeço aos 210 deputados que apoiaram o MJSP e o plano de fortalecimento do Coaf”, afirmou Sérgio Moro em nota. Políticos menos corruptos, que também votaram a favor da retirada, disseram para os políticos mais corruptos: “Nós seremos vocês amanhã, portanto, vamos todos nos proteger agora”. Como respeitar esse Congresso fétido? Parlamentares sopram e mordem ao mesmo tempo; constroem e destroem; pintam e bordam. Sérgio Moro, por sua brilhante atuação na Lava-Jato, foi eleito o “Judas da vez” pelos políticos, de modo que será imolado pelo Congresso em rituais macabros, até que morra politicamente e caia em eterno ostracismo. Os movimentos pró-Bolsonaro não estão vendo isso, aliás, não estão vendo absolutamente nada. A única certeza que eles têm é que estão sentindo cheiro de merda no ar, fruto das próprias cagadas que estão fazendo.

Agência Brasil – Política. Deputados aprovam manutenção do Coaf no Ministério da Economia. Câmara vota destaques do texto da MP da Reforma Administrativa. Publicado em 22/05/2019 (20h59min). Por Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil Brasília. Por 228 votos, o plenário da Câmara dos Deputados manteve a decisão da comissão mista que analisou a Medida Provisória da Reforma Administrativa (MP 870/19) e aprovou hoje (22) a volta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia. Os deputados rejeitaram um destaque que queria restaurar o texto original que determinava que o órgão ficasse sob a guarda do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Entre os deputados, 210 votaram pela aprovação do destaque e quatro se abstiveram. Com isso, o órgão definitivamente sai do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A permanência do Coaf na pasta comandada por Sergio Moro era defendida pelo ministro. Criado em 1998, no âmbito do Ministério da Fazenda, o Coaf é uma órgão de inteligência financeira do governo federal que atua principalmente na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro. Um pouco antes, os deputados haviam aprovado o texto base da MP 870/19, que reduziu o número de ministérios de 29 para 22. O texto também transferiu novamente para o Ministério da Justiça e Segurança Pública a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que também ficará responsável pela demarcação de terras indígenas. Antes o órgão estava subordinado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos e a demarcação era uma atribuição do Ministério da Agricultura. Os deputados firmaram um acordo para evitar uma das polêmicas, a recriação de dois ministérios fundidos (Cidades e Integração Nacional). Pelo acordo os deputados aprovaram a manutenção dos dois órgãos no Ministério do Desenvolvimento Regional, revertendo a mudança proposta pelo Projeto de Lei de conversão do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

Enquanto houver cavalo São Jorge não anda a pé. O Brasil é um campo fértil para a proliferação de Milícias – isso já faz tempo. As Milícias são forças, não necessariamente militares, que atuam paralelamente aos órgãos oficiais com o objetivo de defenderem suas posições políticas, ideológicas, jurídicas, econômicas, religiosas, etc. São grupos formados por indivíduos especializados no que fazem e que não se intimidam com possíveis represálias do Estado porque se sentem donos do poder, acima das Leis e protegidos pelo sistema, também paralelo. Num conceito geral, olhando para outros países, as Milícias são uma espécie de “Exército Popular”, formado quase que exclusivamente por ex-militares, que tem como função auxiliar as Forças Armadas, sobretudo o Exército, em missões específicas. Aqui no Brasil o perfil de atuação das Milícias é bem diferente. Há Milícias armadas com armamentos letais, que agem contra a população de bem; há Milícias de terno e gravata armadas com canetas, que são capazes de fazer estragos maiores ao país – todo dia estamos tendo exemplos disso e comprovando os seus efeitos. É bom que se diga que as Milícias que militam no sistema legalmente constituído convocam as Milícias que atuam no sistema paralelo para executarem o trabalho sujo. Tem cheiro de merda no ar! Não foi o cavalo de São Jorge que passou.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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