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Política

Você decide – 4ª parte

Você decide – 4ª parte

Em junho de 2017, por época do julgamento da chapa presidencial Dilma-Temer, disse o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral Gilmar Mendes: “O TSE não está aqui para resolver problemas políticos”. Segundo o seu site, o TSE tem a seguinte Missão: Garantir a legitimidade do processo eleitoral e a efetiva prestação jurisdicional, a fim de fortalecer a democracia; tem a seguinte Visão de futuro: Ser reconhecido como órgão de excelência pela credibilidade e qualidade na gestão do processo eleitoral e na prestação jurisdicional; tem como primeiro Valor: Ética – atuação sob os princípios da honestidade, lealdade e dignidade.

Ora, se o TSE não está aqui para resolver problemas políticos, pelo menos o Tribunal existe para que os problemas políticos não aconteçam em razão da sua inércia e da insensibilidade dos seus ministros, principalmente aquelas questões que provocam desequilíbrios no processo eleitoral, como foi o caso concreto do abuso de poder político e econômico da chapa Dilma-Temer. Em 2014 o processo eleitoral (pleito para presidente da República) foi ilegítimo; com a perda da credibilidade decorrente do fatídico julgamento da chapa presidencial Dilma-Temer, o TSE deixou de ser órgão de excelência; a ética, como primeiro valor, ficou sobremaneira comprometida. O TSE não está aqui para resolver problemas políticos porque, simplesmente, ele mesmo os cria.

Numa quinta-feira, 25 de maio de 2006, eu escrevi a matéria abaixo, de título “Pra inglês ver”. Depois de lê-la, mesmo depois de passados quase 13 anos, você decide se pede a extinção do TSE ou se faz uma campanha nas redes sociais para que ninguém vote nas próximas eleições de 2020, quando candidatos às Prefeituras Municipais e às Câmaras Legislativas Municipais adotarão a filosofia da vaca.

Pra inglês ver

O Tribunal Superior Eleitoral validou regras eleitorais mais severas – para o próximo pleito –, que passaram pela aprovação do Congresso, supondo que excessos seriam reprimidos. O TSE quis mostrar serviço, talvez passar uma flanela na embaçada vidraça da política, para que o eleitor perceba algum ícone da moralidade. Pra quem está do lado de fora, a transparência não será suficiente e dificilmente o eleitor verá outra imagem dos políticos senão a de embusteiros. No Brasil, impedir a continuação de práticas obsceno-fraudulentas, sobretudo no processo eleitoral, está longe de acontecer. Logo, tenho razões para crer que essa “mini reforma” é pra inglês ver.

De que adianta proibir os showmícios, se os próprios políticos são os maiores artistas da paróquia? De que adianta não consentir a distribuição de brindes, se basta os políticos comprometerem-se a dar aos seus eleitores lanches e sobremesas, além das três refeições diárias prometidas por Lula? De que vale impedir a doação financeira por parte das ONGs e das entidades beneficentes e religiosas que recebam recursos públicos, se ele mesmo, o Governo, é a maior fonte de dinheiro quando o assunto é arrecadar votos? De que adianta a Justiça Eleitoral ameaçar cassar o registro do candidato ou o diploma do candidato já empossado caso se comprove o abuso de poder econômico na campanha, se o ‘Caixa dois’ continuará existindo, porque para o tesoureiro de campanha (agora também responsável pela famigerada prestação de contas) que o pratica, a impunidade é certa? De que adianta a prestação de contas das campanhas ser obrigatória na Internet, duas vezes antes das eleições (agosto e setembro), se não será exigida a divulgação dos nomes dos doadores, tampouco a aprovação por parte de uma empresa de auditoria contábil, e se os gastos nas campanhas não terão limites?

A merda está sendo jogada no nosso quintal e a cheiramos todos os dias como se fosse perfume francês. A questão é que somos um bando de idiotas, não confessos, sem distinção, sem direito a reivindicações, porque sempre cultuamos o egoísmo exacerbado, e não damos o mínimo valor à merda dos outros – quando fazem-na. Partidários da idiossincrasia, continuamos a olhar para o próprio umbigo e não nos damos conta de que o problema se agrava com essa “geração plugada” no Funk periférico, absolutamente alienada da realidade, cagando solenemente para a responsabilidade política ou social. Se o futuro for desastroso, foda-se! Que me perdoe o TSE, mas as mudanças nas regras eleitorais, que ajudou a sacramentar, são mais do que um arremedo, significam um atestado de burrice para os eleitores, com firma reconhecida e tudo mais que têm direito.

O buraco é mais embaixo. O problema é como evitar as falcatruas e a ladroeira que acontecem depois de os políticos empossados. As pesquisas de intenções de votos estão livres e podem ser divulgadas até o dia das eleições; elas só comprovarão, mais uma vez, a tese de que para arrastar a massa ignorante não precisa muito esforço, basta o político candidato saber vender ilusão e promover circo.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 931 artigos publicados em 16 Categorias. Boa leitura.

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Você decide – 4ª parte

  1. Gosto demais dos seus artigos, Augusto. Você usa “WhatsApp”? O meu é (85) 99639-3373

    Em qua, 20 de mar de 2019 17:56, Opinião sem Fronteiras escreveu:

    > augustoavlis posted: “Você decide – 4ª parte Em junho de 2017, por época > do julgamento da chapa presidencial Dilma-Temer, disse o então presidente > do Tribunal Superior Eleitoral Gilmar Mendes: “O TSE não está aqui para > resolver problemas políticos”. Segundo o seu site, o TSE ” >

    Publicado por Edgard Bezerra | 20/03/2019, 18:04
    • Edgard,
      Boa noite.
      Grato pelas palavras. Fico feliz ao saber que os meus artigos têm boa repercussão. Este é o melhor incentivo para continuar escrevendo.
      Em função de alguns projetos em curso, dentre eles a escrita de um livro sobre a temática Marketing, eu estou temporariamente fora das redes sociais.
      Boa leitura.
      Forte abraço,
      Augusto Avlis

      Publicado por augustoavlis | 20/03/2019, 19:41

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