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Política

Dever de casa

Dever de casa

Toda medida adotada pelo governo para sanear as contas públicas é importante, tem o seu grau de urgência e complexidade, desde que não baseada em casuísmos. Essa é a lógica.

A Reforma da Previdência está entalada na garganta do Paulo Guedes, Ministro da Economia, como se fosse uma espinha de bacalhau. É um tal de encolhe e estica igual a couro de p!@a. A equipe econômica vem dando sinais que não concorda integralmente com o texto (macro) da reforma prometida desde o período de campanha de Bolsonaro. As pressões vêm de todo lado, sobretudo de setores considerados privilegiados, como o público, por exemplo.

O texto final – se é que assim pode ser considerado – chegará ao Congresso desidratado. Ora, se é para entregar a Reforma da Previdência em vários pacotes, então cabe uma pergunta: Por que não começar pelo setor público como forma de se dar o exemplo aos cidadãos comuns e assim diminuir resistências? Escolher a melhor veia para nela injetar o soro necessário não será tarefa fácil. O Congresso mostrará a sua verdadeira cara não demorará muito. Quem será o Judas da vez para ser imolado em ritual macabro?

O cenário não é dos melhores. O presidente Bolsonaro rapidamente vem desconstruindo a sua imagem perante os seus eleitores e opinião pública em geral, face aos posicionamentos firmados. O tempo de piedade passará antes mesmo da cicatrização da carne.

Os seus filhos (clã bolsonarista familiar) querem criar um modelo de fundamentalismo político, dessa forma concorrerão para a volta do pai Bolsonaro à mesa de operação – desta vez para uma cirurgia do coração; quiçá levá-lo a óbito.

A nação não precisa de heróis para ser salva, de modo que o Brasil precisa de um estadista que saiba conduzir os seus rumos sem bater continência ou dar ordem unida – de baixo para cima. Sentido!

A Reforma da Previdência, antes de ser apresentada como a única salvação para a saúde econômica do governo (não do país), deveria ter como pano de fundo um engajamento do Palácio do Planalto no sentido de promover uma eficaz cobrança das empresas devedoras do INSS. Nos últimos 10 anos, ou seja, de 2008 a 2018, a dívida pulou de R$ 174,9 bilhões para R$ 476,7 bilhões, o que equivale a um aumento de 172,56%. Pasmem os senhores, esses débitos (valores) são nominais, portanto, sem correção. Sabemos quem são os devedores: empresas públicas e privadas, bancos, fundações, governos estaduais e municipais. Os dados (Dívida Ativa da União) estão disponíveis no sítio da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão jurídico sob o comando do ministro Paulo Guedes. Resta saber se existe vontade política para resolver o problema, cuja solução é cobrada aos pobres contribuintes da iniciativa privada. Já vimos esse filme antes.

É fácil criticar os professores e os coleguinhas de sala de aula quando, na verdade, o dever de casa não é feito pelos alunos recalcitrantes, que colam nas provas e que subvertem valores para passarem de ano. Enquanto isso falta comida nas cantinas.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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