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Política

Batom na cueca

Batom na cueca

Como explicar a sua mulher as marcas de batom encontradas na sua cueca?

Certas coisas não têm explicação. Quanto mais você tenta se explicar, mais você fica enrolado. Qual a saída para o problema? Se existe solução eu só vejo uma: Fingir-se de idiota, ainda que temporariamente. Uns preferem agir como portadores da doença de Alzheimer – até que essa estratégia funciona em alguns casos. Foi o que aconteceu comigo faz pouco tempo; fui literalmente nu à portaria do meu prédio sendo flagrado pelo meu vizinho de porta, de modo que não fosse a interferência da minha mulher, que afirmou categoricamente que eu estava com essa tal doença de Alzheimer, eu, de certo, estaria respondendo processo até hoje por grave atentado ao pudor.

Porém, como um jovem, prestes a completar 38 anos no próximo dia 30 de abril de 2019, pode dizer que está com uma doença neurodegenerativa crônica, uma forma mais comum de demência? Estou falando do recente eleito senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Não fosse ele filho do presidente Jair Bolsonaro, poderia afirmar que vem tendo perda de memória (em curto prazo) e dificuldades em recordar recentes eventos.

Trecho do relatório feito pelo COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras menciona que Flávio Bolsonaro pagou um título bancário da CAIXA Econômica Federal no valor de R$ 1.016.839,00, caracterizando “movimentação bancária atípica”, uma vez que o próprio COAF não conseguiu identificar o favorecido, não havendo referência de data e detalhe do pagamento. Esta operação aconteceu quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro. Outras operações de depósitos e saques na conta do filho do presidente eram feitas em espécie (em quantias fracionadas) diretamente nos caixas de auto-atendimento dentro da ALERJ – Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O que chama atenção é o fato de as operações bancárias serem parecidíssimas com aquelas realizadas pelo seu ex-assessor Fabrício Queiroz, que não tem explicações a dar ao Ministério Público do RJ sobre as marcas indeléveis de batom na sua cueca surrada. Refrescando a memória: Os nomes de Fabrício Queiroz e de alguns dos seus familiares aparecem em relatório do COAF, apontando movimentação bancária de R$ 1,2 milhão entre os anos de 2016 e 2017, que, segundo esse Conselho de Controle, “totalmente incompatível com o seu patrimônio”. A Operação “Furna da Onça”, um desdobramento da Operação Lava-Jato, revelou esses fatos, sendo que o nome de Flávio Bolsonaro surgiu do aprofundamento das investigações. Dez parlamentares fluminenses já foram levados à prisão. Segundo o jornal O Globo de ontem, domingo, 20/01/2018, o COAF identificou outras movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz, totalizando R$ 07 milhões no período de três anos.

Agora, que dá pano pra manga, isso dá. A mídia da fofoca – nova modalidade de imprensa – tem nas mãos um prato cheio, ou a faca e o queijo. As organizações Globo, principalmente a TV Globo e a rádio CBN, vêm batendo pesado na família Bolsonaro, feito um médico legista, emitindo opinião técnica sobre os vestígios intrínsecos das movimentações financeiras do senador Flávio Bolsonaro e do seu ex-assessor Fabrício Queiroz. São coisas da política? Talvez, mas a verdade é que o presidente Jair Bolsonaro andou ameaçando os veículos de comunicação com a ideia de “reestudar” (cortar mesmo) as verbas de publicidade e propaganda do governo federal, e sabemos que a Globo é a maior favorecida, portanto, com os seus interesses ameaçados, adotou a tática de atacar e desconstruir a imagem da família Bolsonaro. Vem muito chumbo grosso pela frente, só não sabemos se será trocado na mesma proporção.

A meu sentir, os ministros militares (sobretudo) tentarão blindar o presidente da República, emitindo parecer técnico sobre a “crise familiar”, levando à opinião pública o fato de que o pai Jair Bolsonaro não tem absolutamente nada a ver com a vida dos filhos, cabendo a estes, em particular, a obrigação de responderem pelos seus atos. Simples assim. A gestão federal não pode sofrer desgastes nesse momento em razão das reformas que pretende fazer, todavia, antes de encaminhar as roupas sujas para a lavanderia, precisa “assinar um pacto” com as forças opositoras do Senado, que já sinalizaram a realização de uma CPI para apontar as marcas de batom na cueca de Flávio Bolsonaro.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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