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Política

A população se arma – 2ª parte

A população se arma – 2ª parte

“Você com revólver na mão é um bicho feroz (Feroz). Sem ele anda rebolando e até muda de voz (Isso aqui… cá pra nós)”. Primeiros versos da música “Bicho Feroz” do saudoso Bezerra da Silva.

Em ritmo de pagode, é desse jeito que muitos brasileiros encaram quem está com uma arma na mão – um “berro” que cospe fogo e dá coragem; que torna os homens mais machos e as mulheres respeitadas.

Mas, será que só uma arma de fogo é capaz de intimidar os desarmados, ou uma arma branca, ou qualquer objeto letal também é capaz de intimidar e por medo? Certamente num ponto nós concordamos, todos esses artefatos matam, uns com menos, outros com mais requintes de crueldade. Fato é que a arma de fogo acabou com o “romantismo histórico” da arma branca, que colocava cara a cara o algoz e o condenado à pena de morte.

Olhar nos olhos da vítima antes dela morrer não modifica o instinto assassino – essa é a regra. Quem quer matar, dependendo das circunstâncias, não escolhe as armas, os meios para atingir o seu objetivo, independente da motivação, do local e da hora. A premeditação faz o seu próprio tempo, de modo que as vias de fato são definidas até em segundos.

Nos duelos com garruchas (a garrucha, também conhecida no Brasil como perereca, é uma arma de fogo de cano curto), determinado número de passos era contado pelos desafiantes. Isso acabou, não existem mais duelos, hoje se mata uma pessoa sem dar-lhe a chance de defesa. A vida humana ficou banalizada, se tornou comum, se vulgarizou. Às vezes, por míseros Reais as pessoas perdem a vida.

No Brasil, em 2016, foram registradas 61.619 mortes violentas. Segundo os dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, este é o maior número de homicídios da história do país. A triste estatística aponta que sete pessoas foram assassinadas a cada hora em 2016, o que equivale a um aumento de 3,8% em relação a 2015. A taxa de homicídios com base no grupo populacional de 100.000 habitantes ficou em 29,9 no Brasil. De acordo o Atlas da Violência 2018 – uma publicação do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública –, divulgado na terça-feira, 05 de junho de 2018, 553.000 pessoas foram assassinadas no Brasil nos últimos 11 anos.

Esses números são inquestionáveis do ponto de vista absoluto. Mas precisamos de outras informações, tais como: Quantas pessoas foram assassinadas com armas de fogo, com armas brancas, com outros meios (especificar)? Desses totais, quantos indivíduos mortos eram bandidos, cidadãos comuns inocentes, policiais e afins?

Os motivos todos nós sabemos; falência do Estado, desrespeito generalizado, famílias em completo flagelo e desestruturadas, ócio dos jovens, falta de perspectiva, processo educacional em frangalhos, má distribuição de renda, desemprego, culto à violência, maus exemplos, descrença na Justiça. Estes são alguns poucos motivos, mas determinantes para a construção do caos.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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