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Cotidiano

Amigos da onça

Amigos da onça

Estava bebendo uns copos com um amigo comum de todos – se é que eu posso chamar esse FDP de amigo – e fui surpreendido com o seu (dele) desabafo:

“Porra! Você (eu) só sabe falar de política; só sabe criticar os políticos; mete o cacete sem pena e sem dó. Será que está tudo errado? Será que não dá pra você (eu) escrever sobre outros assuntos no seu (meu) Blog? E tem outra coisa, não é só o PT que é corrupto; no puteiro Brasil, todos os partidos são putas de ocasião. Não sobra ninguém”.

Agora quem diz “porra” sou eu, caralho! Esse amigo comum de todos pode ser chato, às vezes de convivência desagradável, mas não é burro. Burro também é desagradável.

É difícil reconhecer algumas verdades, em parte, eu tenho que concordar com aquele FDP. Mas… Tem sempre um “mas”. Mas (porém, contudo, entretanto, todavia), cada macaco no seu (dele) galho. Macaco gordo não senta em galho fino. Morei na Amazônia e nunca vi.

A especialidade desse amigo FDP é falar de futebol, não me arrisco porque dificilmente o papo acaba bem – cada brasileiro se considera um técnico de futebol, portanto, escala o seu (dele) time segundo critérios próprios no compasso (cadência) do coração. Socos, tapas, pontapés, facadas, tiros e beijos na boca eu já presenciei nos confrontos de opiniões. É bom não torcer tão explicitamente por nenhum time. A segurança patrimonial fica ameaçada.

Outro “meio amigo” (meu) só sabe contar piadas de português, mas (olha o “mas”), mas quando o sacaneamos por qualquer vacilo (dele) pode contar que é porrada certa. Não dá. Eu sou daqueles que dão um boi inteiro para não entrar numa briga, mas, quando entram, dão uma boiada em pedaços para não sair (dela).

Já o meu amigo de verdade só sabe falar de mulher (dos outros). Boa. O tempo passa que a gente nem dá conta. Aconteceu um caso pra lá de esdrúxulo, Um terceiro cara se intrometeu na nossa conversa e começou a falar que teve um caso com uma loiraça e, na medida em que dava detalhes (dela), percebemos que se tratava da mulher desse meu amigo de verdade. A partir desse dia passei a considerá-lo muito mais do que amigo de verdade. Boa.

Um quase amigo só sabe falar de coisas sérias. É metido a filósofo. Tudo bem, nada contra. Cada macaco no seu (dele) galho. Como esse quase amigo é magro, então pode sentar em galho fino. Filosofia pura. Tem bastante coisa que a gente aproveita do papo (dele). O Mario Sergio Cortella iria sentir inveja (dele).

Num belo dia resolvemos reunir toda essa galera, eu, o amigo comum de todos, o meio amigo, o meu amigo de verdade, a mulher do meu amigo de verdade (agora minha amiga de verdade), o terceiro cara e o quase amigo para uma troca de ideias regada a meia dúzia (de 30) cervejas. Tudo transcorria bem, na mais absoluta integração social, quando surgiu do nada uma pessoa pra lá de esquisita, no andar e na fala, juntando-se a nós sem ser convidada. Era uma bichona esvoaçante. Eis que, de repente, o tal homossexual espalhafatoso olha para um de nós e diz: “Eu te conheço de algum lugar, eu juro, eu juro, eu juro. Eu juro que vou lembrar-me de onde eu te conheço”. Fechou o tempo. Entreolhares, desconfianças mútuas, alguém saiu pra mijar sem estar com vontade. “Sai pra lá sua bicha-louca” – atacou a minha amiga de verdade.

Alguém sugeriu (não me lembro quem foi): “Melhor chamarmos o macaco gordo e o português pra essa discussão”.

Não, eu disse, vamos convidar o Cortella, esse é um “case” de filosofia, por isso, ele não pode ficar de fora – todo mundo aqui é objeto de estudo. Ainda bem que no meu escritório bichonas esvoaçantes têm acesso limitado, porque podem me influenciar quando estou escrevendo sobre política.

OBS: 95% do meu relato acima são verdades e 5% são mentiras deslavadas. As mentiras ficam por conta da onça, que não é amiga de ninguém. Tem muita gente curiosa pra saber quem foi “mirado” pela bicha-louca.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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