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Política

Militar é incompetente demais!

Militar é incompetente demais!

Militares, nunca mais!

O que está em questão aqui não é saber a verdadeira autoria do referido texto, é saber se aquilo que está escrito corresponde aos fatos. Tuas ideias podem não corresponder aos fatos, mas os fatos podem fazer mudar as ideias. O filósofo Mario Sergio Cortella diz uma coisa importante: “Não basta ter informação, é preciso saber o que fazer com ela”. Vamos ao texto intitulado.

“Ainda bem que hoje tudo é diferente, temos um PT sério, honesto e progressista. Cresce o grupo que não quer mais ver militares no poder, pelas razões abaixo. Militar no poder, nunca mais! Só fizeram lambanças. Tiraram o cenário bucólico que havia na Via Dutra de uma só pista, que foi duplicada e recebeu melhorias, acabaram aí com as emoções das curvas mal construídas e os solavancos estimulantes provocados pelos buracos na pista. Não satisfeitos, fizeram o mesmo com a rodovia Rio-Juiz de Fora. Com a construção da ponte Rio-Niterói, acabaram com o sonho de crescimento da pequena Magé, cidade nos fundos da Baía da Guanabara, que era caminho obrigatório dos que iam de um lado ao outro e não queriam sofrer na espera da barcaça que levava meia dúzia de carros. Criaram esse maldito do Proálcool com o medo infundado de que o petróleo vai acabar um dia. Para apressar logo o fim do chamado “ouro negro”, deram um impulso gigantesco à Petrobras, que passou a extrair petróleo 10 vezes mais (de 75 mil barris diários, passou a produzir 750 mil), sem contar o fedor de bêbado que os carros passaram a ter com o uso de álcool. Enfiaram o Brasil numa disputa estressante, levando da posição de 45ª economia do mundo para a posição de 8ª, trazendo com isso uma nociva onda de inveja mundial. Tiraram o sossego da vida ociosa de 13 milhões de brasileiros, que com a gigantesca oferta de emprego, ficaram sem a desculpa de “estou desempregado”. Em 1971, no governo militar, o Brasil alcançou a posição de segundo maior construtor de navios do mundo. Uma desgraça completa. Com gigantesca oferta de empregos, baixaram consideravelmente os índices de roubos e assaltos. Sem aquela emoção de estar na iminência de sofrer um assalto, os nossos passeios perderam completamente a graça. Alteraram profundamente a topografia do território brasileiro com a construção de hidrelétricas gigantescas (Tucurui, Ilha Solteira, Jupiá e Itaipu), o que obrigou as nossas crianças a aprenderem sobre essas bobagens de nomes esquisitos. O Brasil, que antes vivia o romantismo do jantar à luz de velas ou de lamparinas, teve que tolerar a instalação de milhares de torres de alta tensão espalhadas pelo seu território, para levar energia elétrica a quem nunca precisou disso. Implementaram os metrôs de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, deixando tudo pronto para atazanar a vida dos cidadãos e o trânsito nestas cidades. Esses militares baniram do Brasil pessoas bem intencionadas, que queriam implantar aqui um regime político que fazia a felicidade dos russos, cubanos e chineses, em cujos paises as pessoas se reuniam em fila nas ruas apenas para bater papo, e ninguém pensava em sair a passeio para nenhum outro país. Foram demasiadamente rigorosos com os simpatizantes daqueles regimes, só porque soltaram uma “bombinha de São João” no Aeroporto dos Guararapes, onde alguns inocentes morreram de susto apenas. Os militares são muito estressados. Fazem tempestade em copo d’água só por causa de alguns assaltos a bancos, sequestros de diplomatas… Ninharias que qualquer delegado de polícia resolve. Tiraram-nos o interesse pela Política, vez que os deputados e senadores daquela época não nos brindavam com esses deliciosos escândalos que fazem a alegria da gente hoje. Os de hoje é que são bons e honestos. Cadê os impostos de hoje, isto eles não fizeram! Para piorar a coisa, ainda criaram o MOBRAL, que ensinou milhões a ler e escrever, aumentando mais ainda o poder desses empregados contra os seus patrões. Nem o homem do campo escapou, porque criaram para ele o FUNRURAL, tirando do pobre coitado a doce preocupação que ele tinha com o seu futuro. Era tão bom imaginar-se velhinho, pedindo esmolas para sobreviver. Outras desgraças criadas pelos militares: Trouxeram a TV a cores para as nossas casas, pelas mãos e burrice de um Oficial do Exército, formado pelo Instituto Militar de Engenharia, que inventou o sistema PAL-M. Criaram ainda a EMBRATEL, TELEBRÁS, ANGRA I e II, INPS, IAPAS, DATAPREV, LBA, FUNABEM. Tudo isso e muito mais os militares fizeram em 22 anos de governo. Pensa!! Depois que entregaram o governo aos civis, estes, nos vinte anos seguintes, não fizeram nem 10% dos estragos que os militares fizeram. Graças a Deus! Ainda bem que os militares não continuaram no poder!! Tem muito mais coisas horrorosas que eles, os militares, criaram, mas o que está escrito acima é o bastante para dizermos: “Militar no poder, nunca mais!!!”, exceto os domesticados. Ainda bem que hoje estão assumindo o poder pessoas compromissadas com os interesses do Povo. Militares jamais! Os políticos de hoje pensam apenas em ajudar as pessoas que foram injustamente prejudicadas quando enfrentavam os militares com armas às escondidas com bandeiras de socialismo. Os paises socialistas são exemplos a todos. Além disso, nenhum desses militares conseguiu ficar rico. ÊTA INCOMPETÊNCIA!!!”.

Por Anselmo Cordeiro (texto atribuído a Millôr Fernandes).

Nota de rodapé: “Bom dia Millôr. Recebi um texto intitulado ‘Militares, nunca mais!’ que fala sobre as atividades desenvolvidas por militares durante o regime militar. O que eu gostaria de saber é se o texto foi realmente assinado pelo Senhor e em qual meio foi publicado originalmente. Sou um leitor assíduo de seus textos e admirador de suas charges e até então não havia visto esse tal texto. Fico grato se puder me responder. Atenciosamente, Cristiano, Curitiba – PR”.

Caro Cristiano – acho o texto primário. Que posso fazer? É o lado escroto da Internet. Abrassão. O Millôr.

http://www2.uol.com.br/millor/aberto/email/061.htm

O “abrassão” do Millôr tem um significado diferente? E o “abração” verdadeiro?

“Adeus mediocridade!” – charge de Millôr Fernandes. Mediocridade de quem, de qual autor?

Quando se mexe, remexe na merda ela acaba sujando as mãos – o cheiro já está absorvido. Tuas ideias podem não corresponder aos fatos, mas os fatos podem fazer mudar as ideias. O fato é que o atentado do Aeroporto de Guararapes na cidade de Recife, Pernambuco, até hoje guarda segredos – quem dele participou, há quase 52 anos, a completar no dia 25 de julho deste ano, e que, porventura, esteja vivo, jamais revelará a sua motivação porque certamente não tem o domínio dos detalhes. O fato é que duas pessoas morreram e quatorze ficaram feridas naquele fatídico dia 25 de julho de 1966, quando uma bomba explodiu no saguão do aeroporto. Segundo investigações, o principal alvo era o general Artur da Costa e Silva, então Ministro da Guerra do Brasil e candidato à sucessão presidencial – acabou presidente do Brasil sucedendo Humberto de Alencar Castelo Branco. A organização de esquerda “Ação Popular”, que atuava no combate à Ditadura Militar, foi apontada como autora do atentado, mas, o caso não foi devidamente elucidado até hoje; passadas mais de cinco décadas os verdadeiros autores não foram identificados, muito menos os mandantes. Nem serão. Tuas ideias podem não corresponder aos fatos, mas os fatos podem fazer mudar as ideias. Quem se arrisca a ser dono das verdades? A história do Brasil é refém de si mesma.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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