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Política

Arnaldo Jabor

Arnaldo Jabor

Em homenagem eu coloquei o nome dele como título deste meu artigo. Justa reverência porque o seu nome é citado algumas vezes em outro artigo por mim escrito numa quinta-feira, 29 de setembro de 2005, que pode ser lido abaixo. Parece confuso, não? Confusa é a porra da política brasileira que não muda com o tempo, as caras se alternam junto com a alternância das práticas e procedimentos. Ainda está confuso, não? Por que estou reeditando opiniões antigas? Sei lá! Arnaldo Jabor não cansa de se esgoelar nos comentários que faz na Radio CBN, faz bons anos, todas as manhãs no programa do Mílton Jung, por isso, a justa homenagem. Se bem que eu acho que ele, Arnaldo Jabor, é amante traído do Donald John Trump, presidente dos Estados Unidos. Eu sempre acerto na aposta, de cada 10 comentários do Jabor, 07 são a respeito das cagadas do Trump. Vamos ao que interessa, às cagadas internas, que não mudam com o tempo. Nunca. Vendilhões da pátria, filhos da puta! Filhos vendilhões da pátria puta! Confuso?

Vendilhões

Caiu como uma luva a coluna de Arnaldo Jabor “Manual didático de canalhogia” (Jornal A GAZETA, 27/09/2005) – com boa safra de adjetivos –, um dia antes da eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados; cargo disputado em dois turnos pelo candidato do Governo, Aldo Rebelo (PCdoB), e por José Thomaz Nonô (PFL), candidato da oposição, literalmente empatados no primeiro turno com 182 votos. O fisiologismo praticado pelo Governo funcionou novamente, e foi decisivo para a vitória do candidato da situação – resultado considerado apertado –, por uma diferença de apenas 15 votos. Um total de 258 deputados votou em Rebelo e 243 em Nonô, o que torna a Câmara rachada ao meio, e o desafio de uni-la ficará só na vontade.

Foi acintosa a interferência do Palácio do Planalto, colocando três ministros à frente da tropa de choque – nos bastidores, em conversa de pé-de-ouvido, ratificaram a promessa de liberação (de última hora) de R$ 1,5 bilhão para atender a emendas pessoais dos parlamentares reconhecidamente aliados; verdadeira transação fraudulenta; trapaça em troca de favores, neste caso, de votos. Foi a vitória do dinheiro, que subjugou a democracia, que está de luto. Não há discurso que faça mudar o meu ponto-de-vista. O Governo continua pagando o ‘Mensalão’ para os partidos da sua base aliada. Segundo Jabor, “O mensalão oculta o grande crime da origem do dinheiro, lá em cima, na trama do Planalto”.

Mas tenho uma forte desconfiança de que uma das fontes do dinheiro seja o “erário indireto”, a corrupção nas estatais. Seja como for, a grana desfila na passarela seguindo o ritual do travestismo. Muito embora negue que a sua candidatura tenha sido chapa branca, Aldo Rebelo afirmou total isenção na condução da crise política – mas esquece que, como presidente da Câmara, ele ficará bem no centro do furacão político, e já é visto como refém de Lula, restando-lhe a obrigação de baixar a cabeça e abanar o rabo para o Executivo. O próprio Severino Cavalcanti (hoje dormindo como um vampiro) já fazia isso com propriedade, e era adulado pela elite do poder. Jabor tem razão quando diz: “Sem aliança com canalhas, ninguém governa, sem uma ponta de sordidez não há progresso”.

Brasília vive uma pseuda esperança de que, com a posse de Aldo Rebelo, a base do Governo estará se reorganizando, muito pelo contrário, o poder central terá que aumentar o ‘dízimo’ dos deputados, sobretudo daqueles que votaram com Rebelo, para garantir o mínimo de governabilidade até o fim do mandato de ‘Lulaéreo’. Enquanto isso, sórdidos, escrotos e escroques políticos comemoram e gargalham no palco da safadeza, estimulados pelo canalha mor, com ou sem faixa presidencial. Nessa mesma crônica, Jabor comenta: “Mas, em geral, o canalha não é de esquerda nem de direita, nem porra nenhuma… ele tem a grandeza de vista curta, o encanto dos interesses mesquinhos, a sabedoria das toupeiras, dos porcos e dos roedores”.

O destino das CPIs se desenha como incerto, e a impunidade para os culpados de corrupção, entre outros crimes, está sendo forjada como moeda de barganha. Os abutres da consciência democrática continuarão com os seus vôos rasteiros. Até quando ficaremos dependentes desses indivíduos que traficam com coisas de ordem moral? Arnaldo Jabor enfatiza que “Matá-los, um a um, é impossível”. Será? De fato, eu escrevi isso sentado no sofá da sala do meu apartamento, de frente pro mar de Vila Velha, ES, numa quinta-feira, 29 de setembro de 2005. A empregada quis “pagar um boquete”, justamente na hora do comentário do Arnaldo Jabor. Mandei ela esperar um pouco, perdão, mandei-a. “Mandei ela” é foda – se bem que ela foi de livre vontade. Confuso?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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