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Educação

A anarquia escolar continua

A anarquia escolar continua

Os tempos mudaram; só que pra pior! Continuamos vivendo um sistema social em que o princípio de autoridade não é respeitado gerando desordem de classes, desobediência e uma indisciplina generalizada – posição esta por mim ratificada. A falta de respeito se tornou regra comportamental, dentro de casa, no convívio com grupos, junto a estranhos, na sociedade em geral. O fator idade tem deixado de ser o divisor de águas; a má-formação tem se revelado causa determinante para o surgimento de anomalias de personalidade – associada à falta de boas referências tem-se o quadro agravado.

Passava pela calçada em frente a uma escola estadual. Até aí nada demais, não fossem dois detalhes: 1º carregava cinco ou seis bolsas de supermercado com compras, que pesavam uns dezoito quilos; 2º fui obrigado a seguir parte do meu caminho pela rua porque um grupo de estudantes interrompia a minha passagem pela calçada. Mesmo pedindo licença aos jovens eu não fui atendido e ainda obrigado a ouvir: “Sai pra lá, ó velho, estamos conversando, vê se não atrapalha”. Risos. Isso aconteceu comigo faz dois meses.

Reação; poderia ter colocado as sacolas no chão e partido pra agressão. Resultado; polícia, imprensa, diretoria da escola, pais dos alunos, processo, dor de cabeça. Resolvi seguir em frente sem olhar pra trás, pensando com os meus botões: Qual o futuro do Brasil a depender dessa geração que procede à margem dos valores civilizatórios? Pobre Brasil.

Tais procedimentos intempestivos, desconexos das boas práticas e incoerentes têm provocado rupturas nas próprias relações entre os alunos, tanto que as brigas não cessaram dentro e fora das escolas, públicas ou privadas, independente das séries frequentadas ou do sexo dos estudantes recalcitrantes. Fato é que esses baderneiros são reincidentes nos atos de violência mútua. As Instituições de ensino têm se tornado reféns de grupos agressores tidos como mais organizados. As imagens das constantes brigas, filmadas por intermédio de celulares (outro grande problema nas escolas), são usadas com a finalidade de intimidação, exposição dos alunos espancados e até de extorsão. Algumas dessas imagens costumam parar na Internet.

Tem gente que se declara favorável ao uso de câmeras para monitorar salas de aula. É claro que eu não concordo com isso; nunca fui favorável a esse tipo de cerceamento. Com quais intenções essas câmeras (Big Brother Brasil Escolar) seriam instaladas? Para pegar alunos olhando pras pernas das colegas de classe? Flagrar a “cola” nas provas? Ver quem está desatento, tirando e colando meleca debaixo das carteiras? Pegar o pobre coitado do professor coçando o saco, ou falando mal da escola? Se for para pegar algum aluno portando arma de fogo, traficando e consumindo drogas, ou em atitudes suspeitas, então que providenciem a rápida instalação de outras câmeras nos corredores, nos pátios, na cantina, no refeitório, nas quadras de esportes, na biblioteca, nos banheiros, na secretaria, nos telhados, nos portões de entrada, nas calçadas externas, enfim, em qualquer local por onde transitam os alunos.

Já não basta a sociedade adulta ser alvo de constantes invasões de privacidade – seja em qualquer ramo de atividade –, e agora as crianças e os jovens estão sujeitos a espionagens por meios eletrônicos dentro das salas de aula, justamente um lugar onde a civilidade, o dever, a tranquilidade e o respeito deveriam imperar como nos velhos tempos. Os especialistas em segurança pessoal e patrimonial continuam trabalhando nos efeitos da violência – enquanto isso aos alunos cabe a tarefa de retocar a maquiagem porque uma nova ordem surgirá da direção das escolas, sugestionada pelos poderes públicos: “Sorria, você está sendo filmado”.

Sabemos que tal procedimento não irá resolver, de maneira alguma, o problema da violência, ou simplesmente inibir a intenção em cometê-la. Desequilíbrios emocionais, risco social, abandono, carência afetiva, revolta contida, agressões psicológicas e mesmo físicas, estorvo familiar, enfim, tudo isso é motivo de estudo continuado visando o encontro de soluções. Todo o cuidado é pouco quando se fala de criança, de adolescente e da juventude. As câmeras serão um veículo que simplesmente registrarão a violência na hora do seu acontecimento, para depois ser exibida em horários nobres da televisão, com a carga de emocionalidade suficiente para nos causar espanto.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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