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Bandeiras a meio-pau

Bandeiras a meio-pau

O meu sábado, 01 de julho de 2006, estava a meio-pau. Faltou limão pra caipirinha, faltou gelo pro uísque. Eu disse que a Copa do Mundo FIFA de 2006 ficaria na Europa, e quase fui sacrificado por isso. Com a segunda derrota histórica do Brasil para a França, esta pelo placar de 1 a 0 – e ainda foi pouco –, abriu-se um imenso abismo entre o sonho do hexa e a sua real conquista. Dentro do precipício caíram os torcedores brasileiros, juntamente com o seu desmedido orgulho e a enorme esperança depositada. Em quê? A pátria de chuteiras, humilhada, ficou novamente de joelhos.

A imprensa especializada, sobretudo a internacional, deve estar se perguntando até hoje o que foi que aconteceu com a “Seleção galáctica”. Excesso de otimismo? Talvez tenha sido. Ficou mais uma vez comprovado que um time formado só de estrelas individuais não é, absolutamente, garantia de que a constelação vá brilhar, ainda que algumas delas se distingam por nomes especiais. Essa partida, que seria o “jogo da vingança”, acabou de transformando em “jogo da vergonha”. Contra a França, grande heroína das Quartas-de-final, o Brasil se acovardou e se apequenou; o que se viu foi um futebol digno de pena.

O sábado chuvoso de 01 de julho de 2006 trouxe nuvens cinzentas pra cima das cabeças de 180 milhões de torcedores (à época). Uma derrota por pura incompetência dói demais! Menosprezar o adversário sempre foi uma atitude irresponsável, que tão somente faz acordar gigantes adormecidos. Temos esse defeito. Não adianta chorar o leite derramado, procurar justificativas onde não existem ou colecionar adjetivos depreciativos – a Inês é morta. Opiniões controversas surgirão, não há dúvida. Eu aprendi que fogos só se soltam no fim, quando tudo fica a nosso favor, quando temos a certeza da vitória, e, mesmo assim, a gloriosa prudência nos ensina a esperar o apito final do árbitro. Juiz é outra coisa diferente.

A propósito, se salários milionários, pagos em Euros ou em dólar, fizessem ganhar jogos difíceis, os nossos jogadores nunca seriam derrotados. Agora, ficam os pobres torcedores brasileiros – de bolso e de patriotismo – amargando uma desclassificação no tempo normal da partida, nos igualando à Ucrânia. Se, pelo menos, o jogo tivesse prorrogação de 30 minutos e o Brasil fosse pros pênaltis (uma verdadeira loteria), tudo bem; a dor da derrota seria infinitamente menor. Bonito fizeram a Argentina e a Inglaterra, que caíram de pé, lutando até o fim.

Conquistamos o bicampeonato mundial em apenas 4 anos (1958/1962); o tri levamos 8 anos (1970); para o tetra esperamos 24 anos (1994); o penta 8 anos (2002) e, quanto ao hexa, só daqui a 44 anos, nas minhas previsões, a continuar essa mediocridade no futebol brasileiro. Amarelamos de novo. Parreira disse que “espetáculo é ganhar jogo”. Eu digo a ele que “perder dessa forma é vexame”. Verdade que ninguém é invencível, mas entregar o ouro ao bandido, perder o jogo sem lutar é inaceitável. Ponto final.

Estamos de volta à dura realidade – o sonho acabou; ou melhor, pode continuar se o torcedor vestir a camisa do seu time regional e por ele torcer à beira da exaustão. De volta pra casa, os nossos jogadores, em estratégica dispersão, evitarão a todo custo a imprensa inquiridora e evitarão olhar diretamente nos olhos dos torcedores – alguns permanecerão na Europa, aguardando ansiosamente o pagamento dos seus “salários extras”.

A derrota do Brasil teve seu lado positivo: em ano de eleições, nenhum partido político, ou político espertalhão, capitalizará em cima do hexa. No final, o eleitor sairá ganhando. No dia em que o povo entender que o maior símbolo da nação não é a camisa da Seleção Brasileira, tudo pode ser diferente – aí, quem ganha é o Brasil.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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