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Política

A ordem é demolir

A ordem é demolir

O Brasil de 2018 não só precisa ser repensado como também reconstruído. Existem goteiras e infiltrações por todos os lados da casa. As principais estruturas começam a dar sinais de profundos abalos. Debaixo do telhado de zinco moram pessoas dos mais diferentes matizes, diversificadas culturas, ideologias díspares, comportamentos difusos, vontades próprias e estranhos procedimentos. A figura do chefe de família – aquele indivíduo que deveria mandar ou dirigir – não inspira confiança, denota irresponsabilidade no cumprimento do estatuto da casa. A mãe, que nada faz, tudo vê, finge que não ouve e fica calada pela aceitação explícita. República das bananas tropicais. Merecemos.

Percebe-se que a falta de respeito é generalizada e o despudor regra comum de conduta. Com as portas escancaradas, facilita-se o entra e sai de quem quiser. Os cômodos são invadidos e as panelas destapadas. Uns comem demais, outros de menos. Falta comida na despensa e muitos passam fome de doer a alma – quando acaba o pão, todos gritam, e ninguém tem razão. Na arrecadação dos recursos, tem sempre um grupo mais esperto que controla o dinheiro, que nunca é contado, que nunca aparece – numa nuvem de fumaça, some junto com a democracia. A balbúrdia se instala, ninguém se entende e tudo se transforma numa grande ‘Torre de Babel’. Puxões de orelha, repreensões e punições são incomuns, enquanto comuns são as brigas e as desavenças.

A cumplicidade dita as ações; fecham-se os olhos dependendo do proveito. Se mexerem com algum membro do clã, estão mexendo com todos que dele fazem parte. Quando a vontade aperta, todos querem usar o banheiro ao mesmo tempo e o aumento do nível de excrementos é inevitável; o esgoto corre a céu aberto, e ninguém se importa com isso. Quem passa na rua evita sentir o mau cheiro, cumprimenta normalmente os moradores e segue o seu caminho. Pra tudo tem resposta? Nem sempre. Pessoas há que ouvem o galo cantar e não sabem onde. Na casa Brasil o poleiro foi arrancado; nenhuma ave estranha ao galinheiro pousa ou dorme.

Do lado de fora, a banda toca e ouvimos perfeitamente os acordes, anunciando que a caravana irá passar – não percamos a viagem, arrumemos as malas. A luz! Que luz? Se até velas faltam. As paredes da casa estão encharcadas, o chão enlameado e os móveis mofados. Depois da inevitável vistoria, é muito provável que o imóvel seja interditado pela falta de condições de uso, muito menos de receber reforma. Tudo indica que o melhor a ser feito é demoli-lo, e no seu lugar, o engenheiro deve recomendar a construção de uma dantesca pocilga auriverde para abrigar os novos moradores. Um inesperado vento forte pode antecipar os trabalhos. Qualquer semelhança com Brasília é mera coincidência, perdão, realidade.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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