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Política

Eleitores no mundo da lua!

Eleitores no mundo da lua!

É por isso que o Brasil está desse jeito. Certa vez eu disse que se alguém deseja mudar o Brasil, então, que mude o povo – não uma mudança de consciências, mas, de todos os corpos físicos, transferindo-os preferencialmente para outra galáxia. As “forças espaciais” dotaram o planeta Terra de belezas naturais fantásticas, porém, pecaram num detalhe extremamente importante: elas, as tais “forças celestiais”, não souberam alocar os humanos nos seus lugares certos, o que gerou uma distorção na própria teoria da evolução defendida por Charles Robert Darwin, comprovada quando o nosso olhar recai sobre cada país especificamente. Portanto, o Brasil poderia ter sido habitado pelos orientais, por exemplo.

Deixando a filosofia de lado, adentro num campo mais realista. Oportuna e interessante a matéria publicada pelo jornal METRO BRASÍLIA, edição da quarta-feira, 14 de março de 2018. Os meus amigos leitores hão de me perguntar por qual motivo eu leio o jornal Metro. Muito simples, ele é distribuído gratuitamente nas ruas, no trânsito, nos sinais luminosos, enfim, em qualquer local de bom fluxo de pessoas. Ele proporciona uma leitura rápida, resume os principais fatos e notícias. No carro não dá pra abrir o notebook. Tá explicado. Voltemos ao campo realista. Leia, abaixo, a matéria suscitada.

ELEIÇÕES 2018Pessimista, eleitor quer político ‘honesto’ e que ‘acredita em Deus’. Segue a matéria: “A sete meses das eleições, os pré-candidatos à Presidência da República encontram uma população pessimista com o resultado das urnas. Pesquisa Ibope divulgada ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) traça um perfil do eleitorado brasileiro e revela: corrupção, falta de confiança nos políticos e até falta de opção – embora já haja 11 nomes no páreo – são fatores para 44% se dizerem pessimistas. Os otimistas são 20% e elencam ‘mudança e renovação’ como principais motivos. O candidato perfeito para o brasileiro seria, segundo a pesquisa: honesto; que não minta em campanha; que conheça os problemas do país; e que acredite em Deus. A origem é um fator considerado: 32% dizem que votariam em políticos vindos de família pobre, enquanto 6% de origem rica. A experiência foi apontada como critério para escolha. Para 47%, ter sido prefeito ou governador, por exemplo, ajuda. Por outro lado, 29% consideram votar em alguém que não seja ‘político profissional’. As prioridades do próximo presidente da República também estão claras entre a população: melhoria em saúde, educação, segurança e desigualdade social; e combate à corrupção e punição de corruptos são os temas mais lembrados”.

Em primeiro lugar, metodologias das pesquisas de opinião não são temas de discussão, até porque fogem à compreensão do cidadão comum. Os pontos que interessam no momento são: o comentário dos resultados, as tendências e a busca de um entendimento razoável. Pelo menos é o que se espera, de todo modo, a pesquisa está muito “fresca”, só tem 29 dias da sua data de realização, e o Instituto Ibope goza de relativa credibilidade. As margens de erro ficam, portanto, descartadas.

O voto no Brasil nunca foi de “qualidade” em razão da fragorosa despolitização do eleitor brasileiro, ou seja, pelo seu alheamento ou total desinteresse pelas questões políticas, agravada pelos elevados índices de ignorância (estado de quem não tem conhecimento, cultura, por falta de estudo, experiência ou prática). A politização requer preparo educacional e formação cultural. Os analfabetos votam e os menores de 18 anos também, caso optem por esse direito. Acaba prevalecendo nos pleitos eleitorais o “voto quantitativo”. Por seu turno, a confusa Legislação Eleitoral (e seus Códigos) faculta manobras partidárias, deixando a cabeça dos eleitores completamente fora de órbita. Um status quo difícil de ser mudado por conta do jogo de poder e de interesses. Os coronéis de outrora cederam lugar ao crime organizado.

Para se ter uma ideia dos fatos, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas Eleições de 2014 o Brasil contabilizou 142,8 milhões de eleitores. Desse total, 5,2% (7,4 milhões) se declararam analfabetos; 12,1% (17,3 milhões) declararam não ter nenhuma educação formal e só saber ler e escrever, os considerados semi-analfabetos; 5,6% (8,0 milhões) disseram possuir ensino superior completo; 1,1% (1,6 milhão) têm 16 ou 17 anos. Na estatística apresentada, concluímos que dentro dos 108,5 milhões de eleitores restantes (76,0%) estão os idosos, os analfabetos funcionais, os que possuem ensino fundamental completo e/ou incompleto, aqueles que possuem o 2º grau completo e/ou incompleto. Nessa perspectiva, podemos afirmar que é inexistente a formação política na esmagadora maioria do universo de eleitores brasileiros – longe de externar qualquer juízo de valor. Simplesmente a prática corrobora essa tese, além do que, basta olhar a frequência com que os mesmos políticos ímprobos (desprovidos de integridade e honestidade; desonestos) são reeleitos. A Lei Complementar nº 135, de 2010, chamada “Lei da Ficha Limpa” (Lei infraconstitucional), que regulamenta restrições à elegibilidade, não impede que um político “ficha suja” se eleja e/ou se reeleja, desde que não tenha o processo devidamente julgado nas Instâncias devidas.

Recorrendo ao sítio do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultamos artigo de autoria de Beatriz Maria do Nascimento Ladeira (Técnico judiciário do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais), de título “Compreendendo a Lei da Ficha Limpa”, do qual extraímos os dois parágrafos seguintes. Vide abaixo.

“Existe uma corrente doutrinária que, apoiada no princípio da presunção de inocência, sustenta a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 135, de 2010, porque considera que a inelegibilidade assume caráter sancionatório e que a ausência de previsão do trânsito em julgado da decisão constitui uma violação a direitos fundamentais. Sublinho destaque.

“Contudo, há outra corrente que defende a constitucionalidade do novo diploma legal. Asseveram estes que a Lei da Ficha Limpa visa impedir o acesso a cargos políticos de candidatos detentores de ‘ficha suja’, mas ainda não condenados definitivamente. Alegam, ainda, a ocorrência da impunidade, decorrente da demora no julgamento definitivo do processo e consideram que a aplicação do princípio da presunção de inocência restringe-se à seara penal e que os valores tutelados pelos princípios da moralidade e probidade administrativa seriam mais amplos do que a garantia da presunção de inocência, uma vez que resguardam toda a coletividade e, por esse motivo, teriam maior relevância no caso em tela”. Sublinho destaque.

Como podemos observar os conflitos sempre existirão quando se trata das questões maiores em jogo, que são a garantia da manutenção de poder, a defesa de interesses pessoais e/ou de grupos, a certeza da impunidade e a cooptação de Instituições que, por dever de ofício, deveriam coibir abusos e punir os responsáveis pelos crimes praticados, nesse caso em tela, eleitorais. Uma recente prova do escárnio demonstrado pela Corte Eleitoral do Brasil (TSE) foi no caso do julgamento, encerrado numa sexta-feira, 09/06/2017, da chapa Dilma-Temer. Por 04 (quatro) votos a 03 (três) o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o pedido de cassação da chapa presidencial eleita em 2014, cujo processo julgava crimes de “abuso de poder político e econômico” durante a campanha. O voto de Minerva foi dado pelo então presidente do TSE Gilmar Mendes, que simplesmente mais agiu como advogado de defesa da dupla corrupta de políticos do que como ministro julgador – infelizmente continua assombrando o judiciário com os seus polêmicos votos. O resultado estarreceu o país e o mundo, de modo que houve até um jargão com viés de ácida crítica: “O TSE absolveu uma chapa por excesso de provas”. Houve quem dissesse que não precisaria aquela quantidade toda de provas para condenar e cassar a chapa Dilma-Temer 2014. Esse é o país que tenta impor moralidade nos processos eleitorais. As togas não vestem o corpo da ética.

De volta à pesquisa Ibope divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), relembro: “O candidato perfeito para o brasileiro seria, segundo a pesquisa: honesto; que não minta em campanha; que conheça os problemas do país; e que acredite em Deus”. Pra princípio de conversa NÃO existe “candidato perfeito”, até chegar ao ponto de ser oficialmente candidato o pretendente passou por uma sessão de lavagem cerebral e empenhou a sua alma ao Diabo. Em razão do que disse, asseguro que NÃO há candidato honesto seja em que sentido for, até porque ele já assumiu compromissos formais com o seu partido político desonesto e com as coligações de mesmo nível. Uma pergunta: Quanto tempo levará um político quase honesto para se tornar um político totalmente desonesto depois de eleito? A Operação Lava-Jato tem exposto as vísceras purulentas desse sistema político-eleitoral brasileiro. Dá pra confiar em honestidade? É assustador o que direi agora: 06 (seis), entre 10 (dez) pessoas, com as quais eu converso aleatoriamente nas ruas, afirmam que se estivessem no lugar dos políticos elas roubariam do mesmo jeito! A máxima se impõe: No Brasil, dinheiro público não tem dono. Por outro lado, ouvimos centenas de vezes: “A oportunidade faz o ladrão”. Faz o ladrão comum; todavia, no mundo político é assim que funciona: “O político cria a oportunidade para roubar”.

A mentira sempre foi cultuada pelos brasileiros. Uma criança chega da escola com um lápis diferente e, questionado pela mãe, diz que achou na rua. No dia seguinte a mãe recebe um comunicado da escola para participar de uma reunião na secretaria, onde ela fica sabendo que o seu filho “pegou distraidamente” o lápis do coleguinha. A mãe volta pra casa com o filho e não faz absolutamente nada. As duas últimas gerações cresceram vitimas desse processo educacional e chegamos aonde chegamos. Pelo menos há 38 anos, desde a fundação do Partido dos Trabalhadores – PT (10 de fevereiro de 1980), Lula fez o povo brasileiro acreditar em suas mentiras, assim como aquela mãe certamente acreditou na versão do filho. De toda sorte, pela falta de discernimento, o brasileiro tem a tendência em acreditar em Papai Noel, em cegonha que traz bebês, enfim, um ser que não tem vergonha de assumir o seu papel de “Maria vai com as outras”. Quem achar que não se enquadra dentro destas classificações não tem motivo para se ofender.

Conhecer os problemas do país eu acho que a maioria conhece, inclusive os políticos; só que não fazem nada para resolvê-los. A mídia diuturnamente tem mostrado à população os erros de gestão, a derrocada da infraestrutura nacional, a falência do sistema de saúde, a triste realidade da segurança pública, a deterioração do processo educacional. Nessa linha, eu me recordo daquela história de um médico que não curava a ferida da perna de um paciente só para não perder parte do seu faturamento semanal. Há décadas ouvimos a mesma coisa nas campanhas políticas: “precisamos investir mais em saúde, educação, segurança; precisamos acabar com as desigualdades sociais” – mas ninguém aparece para dizer que a corrupção e a falta de punição adequada são as maiores responsáveis por todas as mazelas do Brasil, ou quase todas. O combate à corrupção sistêmica e endêmica tem sido uma tarefa hercúlea por conta da imensa teia de cumplicidade que tomou conta das Instituições. Isso é público e notório e só não vê quem é cego dos dois olhos – mas escuta. Também há décadas eu ouvia da boca de importantes figuras do mundo político: “Se eleito for eu prometo que acabarei com a seca do Nordeste”. Os malditos foram eleitos e reeleitos e a seca persistiu. Se os governantes arrancarem a miséria que está ao lado do povo perde-se o sentido da dominação das massas. Como transformar o Brasil?

O eleitorado esperar que os seus candidatos escolhidos acreditem em Deus é desafiar o Diabo sem medir as consequências. Considerando a existência de Deus da forma como é concebido nos dá o direito de ter a seguinte percepção: a crença nele pode orientar o voto na direção dos candidatos errados, mesmo sem saber e/ou identificar quais seriam os certos. Misturar política com religião é uma fórmula que nunca funcionou. Deus não vota; Deus não administra cidades e a máquina pública; os seus emissários santificados também não. O estado de penúria que chegou a cidade do Rio de Janeiro é prova cabal do que acabo de dizer. Qual a tendência religiosa do prefeito Marcelo Crivella? Evangélico? E do governador Luiz Fernando Pezão? Católico? Sérgio Cabral Filho não professava religião comum, é filho da Besta. Eduardo Cunha é evangélico e veja o que ele aprontou. Sinceramente não dá pra incluir Deus numa história que nós sabemos que não acabará bem. Deus cansou de ser tão requisitado.

Uma história religiosa do passado que nos ensina: Pôncio Pilatos, governador da província romana da Judeia, foi extremamente político quando entregou a decisão do destino de Jesus Cristo ao povo de Israel ao dizer: “Lavo as minhas mãos”. Pôncio Pilatos, o juiz que indiretamente condenou Jesus Cristo a morrer na cruz com aquele ato, teve o seu papel “reduzido” segundo as escrituras, que atribuem a responsabilidade sobre a condenação de Jesus Cristo aos próprios judeus. Aparece a figura de Barrabás. Barrabás não era político, Barrabás era ladrão – os Evangelhos o chamavam de salteador e assassino. Barrabás foi preso por solados romanos. Os sacerdotes judeus condenaram Jesus Cristo diante de Pôncio Pilatos, que depois de interrogá-lo não encontrou motivos suficientes para confirmar a sua condenação. Os judeus (populacho – grupo menos favorecido de uma comunidade; populaça, poviléu; multidão de pessoas dessa camada social; turba), presentes ao julgamento, vociferava contra o filho de Deus exigindo da autoridade romana a sua crucificação. Então Pôncio Pilatos ordenou o seu doloroso flagelo e em seguida a sua exibição em praça pública totalmente ensanguentado – o populacho não se comoveu com a lamentável cena. Foi aí que Pôncio Pilatos, pressionado pela massa raivosa, mandou trazer um condenado à morte, o dito cujo Barrabás, concedendo aos judeus o direito de escolher qual dos dois acusados deveria ser solto e o outro crucificado. O pior aconteceu: a populaça mandou libertar Barrabás.

Passados dois milênios, as “forças celestiais” sinalizaram que o espírito de Pôncio Pilatos reencarnou várias vezes no planeta Terra; que Jesus Cristo até o momento se nega a descer dos Céus; que o “espírito” de Barrabás foi multiplicado em várias nacionalidades; que os atuais sacerdotes judeus continuam julgando à revelia; que o populacho se concentrou no Brasil. Se Charles Robert Darwin ficasse no Brasil por mais tempo, é muito provável que mudasse de ideia com relação à sua teoria da evolução, e, talvez com a ajudinha do “Deus brasileiro”, quem sabe, poderíamos encontrar uma nova identidade.

Nota de rodapé: Charles Robert Darwin, em sua viagem pelo mundo a bordo do navio Beagle, esteve no Brasil em 1832, quando ficou de 04 de abril a 05 de julho, no Rio de Janeiro. Em 1836, no retorno à Inglaterra, o Beagle passou novamente pelo Brasil, com paradas nas cidades de Salvador e Recife. A história comprova que Darwin não levou consigo nenhum exemplar colhido junto ao populacho para estudos na Inglaterra.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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