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Política

ABI, onde você está?

ABI, onde você está?

MEMÓRIAGLOBO – IMPEACHMENT DE COLLOR. Fernando Collor, o primeiro presidente eleito pelo voto direto após o fim do regime militar no Brasil, foi também o primeiro a sofrer um processo de impeachment. Pedido de impeachment. No dia 1º de setembro de 1992, o Jornal Hoje, Jornal Nacional e o Jornal da Globo exibiram a solenidade de entrega do pedido de impeachment, assinado pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, e pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Lavenère, no Salão Verde da Câmara dos Deputados. No dia seguinte, os três principais telejornais da emissora mostraram a leitura do pedido de impeachment e trechos dos discursos dos parlamentares José Genoino, Gastone Righi, Nelson Jobim e do presidente da Câmara Federal, Ibsen Pinheiro. Na sexta-feira, dia 25, os telejornais nacionais da Globo acompanharam as deputadas Irma Passoni e Sandra Starling lendo, na Câmara, o parecer do relator Nelson Jobim pedindo a abertura de processo contra o presidente. No domingo, o Fantástico exibiu um perfil do presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Lindberg Farias, líder da campanha dos “Caras-pintadas”, e uma matéria com o vice-presidente Itamar Franco, que aguardava o provável impeachment de Fernando Collor para assumir a presidência.

Tive a honra de ter Barbosa Lima Sobrinho assinando a minha ficha de filiação à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), além do seu aval pessoal. Aqueles tempos, no impeachment de Collor, não eram “tempos difíceis”. Hoje, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, se refere a toda hora, de forma sistemática: “Estamos vivendo tempos difíceis”. Por quê? Porque algo de muito podre está fedendo no quintal da pátria. Aqueles eram tempos de união nacional e Instituições prontas para encontrar novos rumos para o país, ao contrário da percepção moderna do magistrado, que não vê saída para o imbróglio que ele ajudou a criar no tribunal. Apenas para registro, Marco Aurélio Mello (Marco Aurélio Mendes de Farias Mello) foi nomeado ministro do STF em 13 de junho de 1990 pelo então presidente da República Fernando Collor de Mello, que é seu primo.

Imperativo dizer que de lá pra cá muita coisa mudou, a contar por duas figuras citadas, José Genoino e Lindberg Farias. Todavia, não estão por agora na linha do meu comentário. O meu respeito ao atual presidente da ABI, o repórter (jornalista e escritor) Domingos Meireles. Ainda que a Associação Brasileira de Imprensa esteja passando por sérios problemas financeiros e momento de crise de credibilidade, não pode se furtar em participar da atual história política do país. A “Casa dos Jornalistas” precisa dar a sua contribuição efetiva em defesa das liberdades democráticas, precisa resgatar o seu prestígio junto à sociedade brasileira e jamais se afastar dos profissionais de imprensa. Como sugestão de pauta, recomendo ao repórter Domingos Meireles o tema “ABI” no seu programa de reportagens na TV Record.

A imprensa está sendo massacrada pela “esquerda” brasileira, composta por grupos sediciosos com força de destruição. Urge repensarmos um Brasil diferente que traga estabilidade ao povo e o fortalecimento das Instituições. A ABI é um braço forte nessa conquista. Estamos diante da existência de três tipos de jornalismo: o informativo, o opinativo e o investigativo. Essas três atividades se entrelaçam, havendo uma conexão direta entre elas. A mídia convencional, a chamada “Indústria Cultural”, constituída pelos veículos e meios de comunicação massivos, segue tendências políticas nas relações com os poderes – nem sempre avaliando as causas e os efeitos adequadamente na divulgação de notícias. Identifica-se a necessidade de se colocar essas “causas” e esses “efeitos” em pratos distintos da balança, porém, o fiel da balança não pode tender para o lado errado em razão das conveniências ideológicas impostas e dos lucros presumíveis esperados.

Os planos anuais de mídia do governo federal, dos governos estaduais e municipais têm elevadíssimas dotações orçamentárias, cujo bolo é dividido desproporcionalmente numa ação entre amigos. Não há argumento mais forte do que esse que faça qualquer grupo de comunicação desistir de trabalhar contra o sistema de poder, ainda que subliminarmente. Nesse particular, sinto informar que existe um quarto tipo de jornalismo, o “omissivo”. ABI, onde você está que não vê isso?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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