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Política

Sábado cinzento

Sábado cinzento

Sábado, 07 de abril de 2018. Não é um dia comum de outono, é um dia que denigre a nossa imagem como país, infelizmente, um dia cinzento para ser lembrado pelas futuras gerações. Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil por dois mandatos, cumprindo, com muito custo, mandado de prisão que dá início ao cumprimento da sua pena (12 anos e 01 mês) estabelecida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). É a primeira vez, na história política do Brasil, que um mandatário da República é preso pelo cometimento de crimes, nesse caso comuns, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Esse é, apenas, fruto do julgamento do primeiro processo criminal – caso tríplex do Guarujá, um apartamento de três andares, a ele destinado pela empreiteira OAS como propina negociada, em troca de “facilitados” contratos fraudulentos na Petrobras. Avizinha-se uma tragédia política, dantes inimaginável.

Lula ficou acuado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, São Bernardo do Campo, SP, desde a noite da última quinta-feira, 05, da mesma forma como um rato na sua toca. Uma cena triste para alguém que um dia se apresentou como sendo o “Robin Hood” dos brasileiros – um herói dentro da Lei que prometera tirar da burguesia e dar aos pobres. Lula se aliou às elites, que agora o abandonaram, no momento em que pede proteção da plebe seguidora, a qual chama de meu povo, um povo que continuará carente de falsas promessas.

Tudo estava acertado entre as partes envolvidas para que Lula se entregasse à Polícia Federal neste sábado, 07/04/2018, logo após a cerimônia em homenagem ao 68º aniversário da sua esposa falecida, Marisa Letícia Lula da Silva. Na verdade, esta “missa de corpo ausente” serviu de trampolim para Lula criar um clima de agitação geral, tanto que no seu discurso literalmente político, o petista em nenhum momento fez alguma coisa para amenizar os ânimos, muito pelo contrário, inflamou as massas com suas palavras de ordem – combustível explosivo para a militância esquerda do Brasil. Um verdadeiro incitamento à desordem. Temporariamente, Lula conseguiu mostrar que é superior ao partido político que fundou, o PT.

“Eu tenho mais de 70 capas de revista me atacando, tenho mais de 70 horas da Globo me atacando, e o que eles não se deram conta é que quanto mais me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro. […] Fico imaginando o tesão da Veja com uma foto minha preso, o tesão da Globo com uma foto minha preso. Eles terão orgasmos múltiplos. […] Quem quer votar guiado pela opinião pública deve largar a toga e entrar na vida política. […] Falei para Moro: você não tem condições de me prender, mas a Globo quer que você condene. […] Estava em Livramento, divisa com o Uruguai, e os amigos sugeriram: ‘Lula, vai lá na esquina e finge que vai comprar um uisquinho e vai pro Uruguai do companheiro Pepe Mujica’. Eu não vou nem pra lá, nem pra Bolívia e nem pra Rússia. Porque eu quero enfrentar de frente. […] Minha mãe fez o pescoço curto pra eu não abaixar. Então vou lá, na prisão, de cabeça erguida. Sairei de lá de peito estufado” – trecho do discurso de Lula, sobretudo críticas generalizadas ao Poder Judiciário e aos meios de comunicação.

As horas foram passando e nada de se entregar segundo a própria declaração de Lula sobre o carro de som – comprometeu-se a fazê-lo, mas age em sentido contrário. Lula está custodiado pela Polícia Federal, que não consegue efetivar o mandado de prisão. O que acontecer a ele será de inteira responsabilidade da PF. Uma responsabilidade que o próprio Lula, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) e o senador Lindbergh Farias (PT) não quererão assumir por terem jogado lenha na fogueira humana.

Poucos minutos da decisão final, Gleisi Hoffmann e líderes sindicais tentaram apaziguar as massas, todavia sem sucesso. Temia por confrontos entre as autoridades policiais e os já considerados amotinados. A situação de Lula se complicava a cada minuto. Para surpresa de todos, por volta das 18h30min Lula saiu do Sindicato dos Metalúrgicos com as próprias pernas, escorado por agentes da Polícia Federal. Está consumado, está concluído, está feito, acabou!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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