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Política

Combate à corrupção

Combate à corrupção

As cidades quando projetam e constroem pontes o fazem pensando primeiro na sua durabilidade; de modo que elas, as pontes, precisam ter a integridade física preservada nos próximos 100 anos, portanto, obras supostamente preservadas para as futuras gerações. Porém, antes da construção não são levados em consideração aspectos fundamentais como o atendimento das necessidades da população no decorrer do século, a exemplo, se elas atenderão o fluxo de veículos e pessoas, se suportarão o aumento do peso das cargas transportadas, se estarão compatíveis com os novos desenhos da malha viária, enfim, questões essas que nos levam a imaginar que continuamos errando na medida em que tomamos decisões no imediatismo das demandas, sabendo que lá na frente alguém terá que se preocupar com as correções de problemas que nasceram na origem da concepção de ideias e projetos. Às vezes temos que recorrer à filosofia para entender os projetos e construções de “pontes” para o futuro – que nunca chega, mas que nos ensina a conviver com a cultura dos remendos do presente, que custam os olhos da cara.

A matéria assinada por Vinícius Baptista, “Corrupção: recuperar dinheiro desviado ainda é o maior desafio” (Jornal A GAZETA, 10/05/2005), me deixou deprimido – não fosse o destaque da manchete, provavelmente me pouparia desse sentimento. 

No século XV, Maquiavel já dizia que “Não há lei nem constituição que possa pôr um freio na corrupção universal”. Esse pensamento existia antes do descobrimento do Brasil, porém, nos cinco séculos que nos separam dele, sofisticaram-se os métodos; a corrupção generalizou-se e proliferou-se; a desfaçatez dos corruptos e dos corruptores é exposta à vista; mudou o perfil das vítimas da corrupção. Como fiscalizar os bens públicos? Como fazer o dinheiro desviado retornar para os cofres públicos? Como aperfeiçoar os mecanismos administrativos do Estado? Como acabar com as falhas nas Instituições públicas?  Como? Como?

A sociedade civil não tem como se organizar visando participar mais ativamente na prevenção da corrupção, unindo-se ao poder público, sobretudo por problemas de acesso. A corrupção no Brasil está tão arraigada no tecido social que já é responsável pela substituição da expressão “Ordem e Progresso” pela locução “Desordem e Atraso”. Um dos princípios fundamentais nas relações humanas é a honestidade, mas, se na frequência social entre as pessoas, prevalecerem o fracasso da moralidade; a conivência; a ganância e o privilégio, jamais, aqueles que adotam a corrupção como procedimento, sensibilizar-se-ão com o sofrimento de centenas e milhares de outras pessoas – que convivem bem ao lado, impotentes, carentes e clamando por melhores dias. 

O IV Fórum Global de Combate à Corrupção (IV FG) acontecerá em Brasília no próximo mês, no período de 07 a 10 de junho de 2005. O tema central do IV FG é “Das Palavras à Ação”, com o objetivo de discutir medidas práticas e eficazes de prevenção e de luta contra a corrupção. Representantes de aproximadamente cem países são aguardados no evento. A quarta edição, desse encontro mundial não poderia ter melhor lugar para ser realizada.

Eu escrevi este artigo numa quarta-feira, 11 de maio de 2005. Impressionante como tudo isso está tão atual. Coincidentemente, no mesmo ano do IV Fórum Global de Combate à Corrupção, o “Mensalão do PT” eclodiu. O até então maior escândalo de corrupção política do Brasil revelou o esquema de compra de votos dos parlamentares no Congresso Nacional em troca de apoio político ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do “Mensalão do PT” até o “Petrolão de todos”, uma quantia inimaginável de verbas públicas alimentou a máquina mortífera da corrupção Made in Brazil. A corrupção, nessas terras de Cabral, tornou-se endêmica e sistêmica, com o aval dos eleitores. Pergunto: Pra que servem os Fóruns Globais de Combate à Corrupção?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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