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Política

Irmãos Joesley e Wesley – pedra ou bosta?

Irmãos Joesley e Wesley – pedra ou bosta?

“Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni! […] Vai com ele, vai, Geni! Vai com ele, vai, Geni! Você pode nos salvar. Você vai nos redimir. Você dá pra qualquer um. Bendita Geni! Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!” (Trechos da música “Geni e o Zepelim” – Chico Buarque).

Na tarde deste domingo, 11 de março de 2018, o empresário Wesley Batista, um dos donos da J&F, foi hostilizado por clientes que estavam numa churrascaria localizada no “nobre” bairro Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo, ao ser confundido com o irmão Joesley Batista. Como ator coadjuvante (secundário) das artes cênicas de corrupção com o governo federal, Wesley Batista não deveria, ou poderia, ter sido admoestado pelas impolutas pessoas que foram degustar suculentos pedaços de carne, provavelmente fornecida por sua acossada empresa. Quem deveria levar com um bife na cara era o ator diretamente responsável por interpretar a trama principal, no caso específico o seu irmão Joesley Batista. Os tais clientes, verbalmente agressores e famintos por sangue (carne mal passada), não levaram em consideração que Joesley e Wesley são malditos e benditos ao mesmo tempo. Fato é que entre os irmãos Joesley e Wesley Batista há trocas de sentimentos numa relação de cumplicidade, um apóia o outro – reciprocidade comprometedora. Os clientes da tal churrascaria farta e iluminada foram seletivos na escolha; mandando de volta pra cozinha o prato com descartes bons de cuspir.

Debaixo de uma chuva de sucessivas vaias, Wesley Batista foi obrigado a escutar, sem direito de abrir a boca: “Fora, ladrão”, “Fora, Joesley”, “Palhaço”, “Vagabundo”, “Vai pra casa, ladrão”. A empresa J&F e o Grupo JBS afirmaram que não comentarão o ocorrido, porque reprovam palavras de baixo calão. Quem manda Wesley ter a “cara” do irmão. Isso tudo porque a churrascaria fica em bairro nobre da capital paulista. Se Wesley Batista fosse visto comendo uma buchada de bode no distrito de Marsilac muito provavelmente teria o estômago perfurado por uma faca – e, pode crer, não seria confundido com o irmão Joesley. Pobre não costuma confundir cara de corrupto com a de outro corrupto, muito menos comer em churrascaria.

Tanto ele, o ofendido por engano, Wesley, quanto o seu irmão, Joesley – portanto, ambos –, tiveram a prisão preventiva substituída por “medidas cautelares” por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Wesley deixou a carceragem da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo na quarta-feira, dia 21 de fevereiro deste ano, e Joesley foi solto dois dias depois, ou seja, na sexta-feira, 23. “A prisão de Joesley (decretada em setembro de 2017) estava durando tempo demais e que o excesso de prazo estava gerando um inegável constrangimento ilegal a ele, Joesley” – disse, mais ou menos nessas palavras, o digno juiz Marcos Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, mandante da soltura. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda vai julgar o pedido da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, no sentido de cancelar a delação premiada deste cidadão-empresário. Por isso, não comentarei decisão judicial. Por enquanto. Denunciantes e denunciados se entendem.

Vamos recordar o passado recente. O furo de reportagem que deu ao colunista do jornal O GLOBO, Lauro Jardim, dez minutos de exposição na passarela da fama, estremeceu o Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Quando revelou, com exclusividade, a gravação da conversa entre o presidente Michel temer e o dono da JBS, Joesley Batista, na intimidade do Palácio do Jaburu, residência “oficial” de Temer, naquele fatídico dia 07 de março de 2017, Lauro Jardim não imaginava que muito sangue jorraria das cabeças decepadas nos cepos da República. Políticos estão sendo desossados sem piedade. Lauro Jardim é dono de um currículo invejável que o habilita a ter fontes reconhecidamente inquestionáveis. Os vazamentos de informações, rotulados de matérias jornalísticas exclusivas, fazem parte da profissão, aliás, todos os furos de reportagem são objeto de imediatas tentativas de “desqualificação da fonte” por parte das vítimas. É bom lembrar que políticos bandidos não gostam de exposição na passarela policial.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por 25 votos a 01, decidiu entrar com pedido de Impeachment contra o presidente Michel Temer, que foi protocolado na Câmara dos Deputados. A sessão extraordinária, que durou cerca de oito horas, foi realizada na sede da Instituição em Brasília, iniciada num sábado, 20 de maio de 2017, com término na madrugada de domingo (21). A representação da OAB no Estado do Acre não votou porque não marcou presença e a representação da OAB do Amapá foi a única a votar contra o pedido de Impeachment. Uma comissão formada por 04 (quatro) conselheiros da OAB analisou a documentação divulgada na quinta-feira, 18/05/2017, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após o ministro Edson Fachin ter levantado o sigilo das delações premiadas dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista. O conteúdo dessas delações, quando veio a público, provocou um efeito devastador no meio político e grande perplexidade na sociedade. O relatório do Conselho concluiu que “as condutas do presidente da República, constantes de inquérito do STF, atentam contra o artigo 85 da Constituição Federal e podem dar ensejo para pedido de abertura de processo de Impeachment”. Ficou evidente que Michel Temer cometeu crime de responsabilidade. Até hoje, terça-feira, 13/03/2018, não aconteceu absolutamente nada com relação à iniciativa da OAB. Tudo como dantes no Quartel de Abrantes.

O relator da Lava-Jato no STF, ministro Luiz Edson Fachin, abriu inquérito contra o presidente Michel Temer, por considerar a existência de provas de autoria e materialidade de crime. Os depoimentos dos executivos da JBS, o farto material anexado aos autos, e, sobretudo a fita gravada contendo o diálogo entre Michel Temer e Joesley Batista no Palácio do Jaburu (local e horário impróprios) são extremamente comprometedores. Fica difícil para o presidente Michel Temer explicar os fatos e quase impossível desqualificar os delatores e desacreditá-los. Vários crimes foram confessados por Joesley Batista ao padre Michel Temer, que não lhe imputou nenhuma penitência, ainda que dentro do confessionário. O padre Michel Temer pecou na sacristia quando deu o seu aval a Joesley Batista para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba e condenado na Lava-Jato pelo juiz federal Sérgio Moro a 15 anos e 04 meses de prisão pelos crimes de Corrupção passiva, Lavagem de dinheiro e Evasão fraudulenta de divisas.

Os amigos leitores devem lembrar que o plenário da Câmara dos Deputados rejeitou duas denúncias contra Michel Temer formuladas pelo então Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, e encaminhadas àquela Casa de Leis pelo relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. A votação da primeira denúncia ocorreu numa quarta-feira, 02 de agosto de 2017; o resultado já era esperado: 263 votos pela rejeição e 227 pelo acolhimento da denúncia. Desse modo, não foi dada autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para abrir processo criminal contra o presidente da República em exercício, Michel Temer, pela prática do crime de Corrupção passiva. A votação da segunda denúncia criminal ocorreu também numa quarta-feira, 25 de outubro de 2017. O resultado, embora mais apertado, era aguardado pelo Palácio do Planalto. Foram 251 votos pela rejeição (arquivamento) e 233 pelo acolhimento da denúncia. Nessa segunda denúncia, Michel Temer respondia pelos crimes de Obstrução de Justiça e Organização criminosa. Dito isso, as Ações Penais contra Michel Temer ficarão no forno da Justiça até que perca o mandato e, por consequência, o foro privilegiado que protege os políticos criminosos das garras da Lei. Nesse roldão saíram beneficiados os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), igualmente corruptos, arrolados nas mesmas denúncias.

Outros personagens citados nas delações (gravações), como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) e o senador pelo PMDB-MG Zezé Perrella (José Perrella de Oliveira Costa), não tirarão os holofotes de cima do chefe mor da quadrilha, presidente Michel Temer, por conta da sua importância no contexto das provas de autoria e materialidade de crime. Ser presidente do Brasil não é tarefa fácil, exige-se estômago de avestruz e disposição para práticas nada republicanas. Juridicamente falando, o presidente da República, no mínimo, será condenado com base na Teoria do Domínio do Fato.

Posto isso, de nada adianta questionar a veracidade das gravações, se foram ou não editadas, se 30 ou 50 vezes o número de cortes. O fato é que houve o encontro entre Michel Temer e Joesley Batista, o fato é que aconteceu no Palácio do Jaburu (residência da família Temer), o fato é que a reunião furtiva ocorreu altas horas da noite, o fato é que nada foi registrado, o fato é que Michel Temer ficou omisso diante da confissão de tantos crimes pelo empresário, o fato é que Temer tenta explicar o batom na cueca, o fato é que Temer quer discutir o sexo dos anjos, o fato é que o Ministério Público Federal não é incompetente, o fato é que o ministro Fachin não colocaria a mão em casa de vespas, o fato é que a imprensa cumpre o seu papel de informar, o fato é que boa parte da população não é burra. A Justiça tem a identificação do assassino, a arma do crime, as provas materiais e o corpo da vítima autopsiada. O quê falta? Matar a dúvida, se ela, a Justiça, joga pedra ou bosta. Maldita Geni!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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