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Política

Vaccari, o homem do dinheiro

Vaccari, o homem do dinheiro

Para refrescar memórias, eu colo matéria de VEJA.com/VEJA, escrita há dois anos por Robson Bonin, em 27 de junho de 2015, 09h36min. Leia abaixo.

O tesoureiro do PT e a República do pixuleco

Era essa a palavra que, por pudor, vergonha, ou puro despiste, João Vaccari Neto usava para se referir ao dinheiro de propina com que a empreiteira UTC abastecia o caixa de seu partido.

MOCH – Ricardo Pessoa contou que o tesoureiro do PT ia regularmente a seu escritório em São Paulo nos sábados para buscar dinheiro desviado dos cofres da Petrobras.

Homem do dinheiro, João Vaccari Neto é citado em diferentes trechos da delação de Ricardo Pessoa. O tesoureiro do PT aparece cobrando propina, recebendo propina, tratando sobre propina. O empreiteiro contou que conheceu Vaccari durante o primeiro governo Lula, mas foi só a partir de 2007 que a relação entre os dois se intensificou. Por orientação do então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, um dos presos da Operação Lava-Jato, Pessoa passou a tratar das questões financeiras da quadrilha diretamente com o tesoureiro. A simbiose entre corrupto e corruptor era perfeita, a ponto de o dono da UTC em suas declarações destacar o comportamento diligente do tesoureiro: “Bastava a empresa assinar um novo contrato com a Petrobras que o Vaccari aparecia para lembrar: Como fica o nosso entendimento político?”. A expressão “entendimento político”, é óbvio, significava pagamento de propina no dialeto da quadrilha. Aliás, propina, não. Vaccari, ao que parece, não gostava dessa palavra.

Como eram dezenas de contratos e centenas as liberações de dinheiro, corrupto e corruptor se encontravam regularmente para os tais “entendimentos políticos”. João Vaccari era conhecido pelos comparsas como Moch, uma referência à sua inseparável mochila preta. Ele se tornou um assíduo frequentador da sede da UTC em São Paulo. Segundo os registros da própria empreiteira, para não chamar atenção, o tesoureiro buscava “as comissões” na empresa sempre nos sábados pela manhã. Ele chegava com seu Santa Fé prata, pegava o elevador direto para a sala de Ricardo Pessoa, no 9º andar do prédio, falava amenidades por alguns minutos e depois partia para o que interessava. Para se proteger de microfones, rabiscava os valores e os porcentuais numa folha de papel e os mostrava ao interlocutor. O tesoureiro não gostava de mencionar a palavra propina, suborno, dinheiro ou algo que o valha. Por pudor, vergonha ou por mero despiste, ele buscava o “pixuleco”. Assim, a reunião terminava com a mochila do tesoureiro cheia de “pixulecos” de 50 e 100 reais. Mas, antes de sair, um último cuidado, segundo narrou Ricardo Pessoa: “Vaccari picotava a anotação e distribuía os pedaços em lixos diferentes”. Foi tudo filmado.

Nota de rodapé: Sublinhei as partes mais significativas da matéria de Robson Bonin. A meu sentir, provas há das visitas de Vaccari à sede da UTC, até porque ele era um assíduo frequentador. Horários das chegadas e saídas constam dos registros da empreiteira, bem como a identificação do tesoureiro. O carro de Vaccari, um Santa Fé cor prata, provavelmente ficava na garagem da UTC, de modo que também deve ter algum tipo de controle de acesso. O elevador que conduzia Vaccari ao 9º andar para se encontrar com Ricardo Pessoa, com mínima margem de erro, deve ter câmera de segurança. O mesmo equipamento, a se supor, também estava instalado na sala de Ricardo Pessoa, portanto, a tal mochila de Vaccari, cheia de “pixulecos” de 50 e 100 Reais foi alvo de filmagem. A propósito, Robson Bonin encerra a matéria afirmando que “Foi tudo filmado”, inclusive o momento em que João Vaccari joga os picotes daquela folha de papel comprometedora em diferentes lixeiras. João Vaccari Neto, este é o emissário do PT para fins de recebimento de propinas junto às empreiteiras do cartel, bandido dissimulado, que solicitou o seu afastamento da Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento da legenda, mas, que até hoje não foi expulso do Partido dos Trabalhadores. Um dia Vaccari será inocentado por “excesso de provas” contra ele. Já vimos esse filme no TSE.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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