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Política

Crônica do absurdo

Crônica do absurdo

Joesley Batista não disse, ainda, tudo o que sabe. Tenho a impressão que o dono da JBS está guardando preciosas informações para usá-las na hora certa. Foram tantos anos de relação criminosa com o governo federal e não seria numa delação ou numa entrevista que ele faria revelações completas, sempre fica algo para depois, até porque todas as cartas não devem ser colocadas na mesa, diria um bom jogador. Só nos governos petistas, oito anos de Lula e seis anos de Dilma, a empresa JBS nadou de braçada no esquema de corrupção, segundo Joesley Batista, institucionalizado no Brasil pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pelo próprio Lula. Isso não é novidade pra ninguém. A atividade de roubar passou a ser dever de ofício, descrita nos manuais partidários e parte integrante da “Certificação de Qualidade” – ISO dos Poderes da República.

Como um ex-torneiro mecânico semi-analfabeto governaria um país como o Brasil? A resposta é simples: permitir que seu grupo de sequazes roubasse os cofres públicos em troca de apoio político. Apoio político imprescindível, sem o qual Lula não se sustentaria no poder e, portanto, não faria sucessores. Só que a coisa tomou proporções incontroláveis pela facilidade das ações criminosas e maior aderência de partidos “alinhados” com essas práticas. Grande parte do dinheiro desviado serviu para o enriquecimento ilícito pessoal, cuja soma sobressaiu ao volume destinado aos simples financiamentos de campanha – aliás, financiamentos esses usados como justificativa para as sangrias, por conta de Caixa 01 (propina oficial), Caixa 02 (propina oficiosa) e Caixa 03 (propina terceirizada). Malas com dinheiro vivo estão sendo utilizadas em operações de “pronta entrega” da propina, provando a que ponto chegou a desfaçatez dos envolvidos, políticos e empresários, bem como o nível do descrédito na Justiça e nos órgãos de repressão. O Brasil virou uma espécie de “crônica do absurdo”.

Nesse sentido, posso afiançar que a profissão de ladrão foi desqualificada pelos políticos e seus partidos. A famosa máxima “A oportunidade faz o ladrão” perde muito do seu sentido porque “o roubo qualificado, livre e continuado passou a ser permitido”, de modo que os políticos não precisam aguardar a ocasião favorável para praticar o roubo. Aí vem o Marketing político construindo santos-do-pau-oco e ídolos de barro para alimentar o imaginário popular. As mentiras contadas como expressões de verdades absolutas e os implacáveis processos de dominação das massas levaram o país a amargar o maior déficit de legitimidade dos políticos.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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