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Política

Favas contadas – parte X

Favas contadas – parte X

Os maiores partidos políticos do país, PMDB, PSDB e o PT, estão numa cruzada contra a Lei, contra a Ordem e contra o Judiciário. Mais do que nunca, esses partidos estão unidos como gêmeos univitelinos, com o propósito declarado de impedir o bom funcionamento dos órgãos de Justiça, sobretudo de barrar as operações da Lava-Jato. Aqui, por enquanto, não se trata do “abraço dos afogados”, mas da imperiosa necessidade da concentração de forças para que todos se salvem no meio do bombardeio das investigações. Todos são iguais perante o crime, por isso, compartilham as estratégias de defesa nos diversos flancos. Escolheram contra-atacar com artilharia pesada. Esta percepção salta aos olhos.

Eu já tive a oportunidade de dizer isto em outras ocasiões, mas, reafirmo agora. A Operação Lava-Jato deveria ser transformada em “Política de Estado”, com todas as garantias inerentes, e, sobretudo, livre de pressões de quaisquer naturezas. A costumeira perseguição política que se faz a ela é inaceitável sob todos os aspectos. Diuturnamente testemunhamos parlamentares e outras autoridades públicas agindo na intenção de coibir ações, de prejudicar os agentes de investigação. O mais importante dos algozes é o presidente da República Michel Temer, que vem se comportando como o “Pinóquio de Brasília”, que vem usando a estrutura de governo para cometer crimes paralelos. Parece surreal.

Os atos de retaliação por parte daqueles que têm contas a acertar com a Justiça são gravosos e certamente provocarão reações em cadeia das mais diversas. Os desdobramentos são certos. A lógica do poder corrupto é esmagar os acusadores ou levantar sobre eles suspeitas levianas e torná-las públicas. Na linha de tiro estão o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot e o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava-Jato na 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Janot, que já sofreu ameaças de morte e teve telefones grampeados, deixará o cargo no dia 17 de setembro deste ano. Fachin mexeu com gente graúda quando autorizou a abertura de investigação do presidente Michel Temer com base nas gravações (áudios) do dono da JBS Joesley Batista. Na sua literalidade, cortes de cabeças já foram encomendados.

Muito sangue pode rolar das guilhotinas palacianas. O Brasil está apresentando contornos de “Estado policial”, que visa controlar total e ideologicamente a população, os opositores e os dissidentes – uma organização estatal sem limites. Não dá para identificar a Polícia Política de Michel Temer porque ela ainda não está fardada. Iminente perigo ronda os nossos quintais. As Instituições precisam se proteger, agir com rigor e não se intimidar em hipótese alguma.

Revista Veja, edição 2534, de 14 de junho de 2017. Chamada de capa: AGORA É GUERRA. O governo Temer decide atacar de frente a Lava-Jato e até acionou o serviço secreto para investigar o ministro Edson Fachin, do STF. Página 43 – […] o governo acionou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o serviço secreto, para bisbilhotar a vida do ministro com o objetivo de encontrar qualquer detalhe que possa fragilizar sua posição de relator da Lava-Jato. O pecado de Fachin, aos olhos do governo, foi ter homologado a explosiva delação do dono da JBS, Joesley Batista, que disparou um potente petardo contra o governo Temer. […].

“É inadmissível a prática de gravíssimo crime contra o Supremo, contra a democracia e contra as liberdades”.  Cármen Lúcia, presidente do STF.

“O desvirtuamento do órgão de inteligência fragiliza os direitos e as garantias de todos os cidadãos brasileiros”.  Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República.

“O Executivo alistou-se voluntariamente nessa guerra, posicionando-se no lado errado do conflito, portanto, está sujeito a sofrer as consequências por pisar em terreno minado”. Augusto Avlis, jornalista.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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