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Política

Favas contadas – parte VIII

Favas contadas – parte VIII

Começo a oitava parte deste artigo lembrando fatos interessantes. O presidente Michel Temer confessou os seus crimes “extrajudicialmente” durante entrevistas dadas por ele logo após a divulgação pela mídia da delação premiada de um dos donos da JBS Joesley Batista. Escreveu o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot: “Cumpre ressaltar que, em pronunciamentos recentes, o presidente da República não negou o encontro nem diálogo noturno e secreto com o colaborador Joesley Batista, tampouco nega que o colaborador tenha lhe confessado fatos criminosos graves, o que demandaria, no mínimo, comunicação de tais crimes às autoridades competentes”.

E tem mais. Na análise de Rodrigo Janot, há, no trecho do diálogo gravado, a revelação que o presidente Michel Temer deu diretamente o seu aval para que Joesley Batista “comprasse o silêncio” do ex-deputado (cassado) Eduardo Cunha, ou melhor, que Joesley continuasse com o pagamento das parcelas desse “contrato de compra”, uma vez que a “aquisição do silêncio” não foi feita à vista. Obviamente que tendo algo de muito grave a revelar contra Michel Temer, Eduardo Cunha sabia que para ficar de boca fechada o preço a ser pago a ele deveria ser muito alto. Sem ter dinheiro do próprio bolso, Temer usou Joesley para bancar os pagamentos parcelados, preferível assim, pagar para não ver, pagar para não escutar.

Os advogados de defesa de Temer insistem na tese de que o Ministério Público Federal está tentando criar fatos novos com o intuito de contaminar o julgamento da chapa Dilma-Temer 2014 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a começar hoje, 06/06, por volta das 19 horas. Na lista de autoridades agredidas verbalmente estão o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot e o relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal ministro Luiz Edson Fachin. Os fatos contra Temer estão surgindo com muita velocidade, deixando a defesa sem condições de agir com idêntica rapidez, portanto, resta aos advogados do presidente a prática da conhecida chicana processual.

São contestações feitas de má-fé que unicamente buscam ganhar tempo, como no caso das convocações de Michel Temer para prestar depoimentos à Polícia Federal, que, na conclusão da sua defesa apenas deveriam acontecer após o término da perícia dos áudios da conversa furtiva entre Temer e Joesley Batista no Palácio do Jaburu no dia 07 de março deste ano. Contudo, as etapas dos processos correm no seu ritmo, não precisam de empurrões ou de freios. Prova disso é que ontem, 05, a Polícia Federal fez chegar às mãos de Michel Temer um questionário contendo 82 perguntas objetivas, que focam o objeto da gravação (áudios) na qual a relação promíscua entre o presidente e Joesley Batista ficou demonstrada. Não é à toa que a JBS é a maior processadora de carne do mundo – sem o “apadrinhamento” do governo certos status empresariais seriam impossíveis.

Agora, com base em que os advogados de defesa de Michel Temer insistem na tese de que o Ministério Público Federal, com o apoio de Fachin, está tentando criar fatos novos com o intuito de contaminar o julgamento da chapa Dilma-Temer 2014 pelo TSE? Com base no fato de o Rodrigo Rocha Loures, o “homem da mala” de Michel Temer, ter sido flagrado carregando uma mala com R$ 500 mil em espécie (dos quais ele tirou R$ 35 mil e depois devolveu), recebidos como propina da JBS, nós podemos achar que esta é uma prova plantada para incriminar o presidente às vésperas daquele tão esperado julgamento? Idem a sua prisão? As Instituições estão funcionando independentemente de pressões externas, que hoje acontecem às claras, fora das sombras. A Polícia Federal está trabalhando e cumprindo, a rigor, o seu papel constitucional. Vale dizer que o que já existe de argumentos comprobatórios para embasar os votos dos ministros do TSE, excluindo-se os prejulgamentos com relação à JBS e ao “homem da mala”, é o bastante, restando provado o abuso de poder político e econômico da chapa Dilma-Temer na campanha presidencial de 2014, de modo que na ação não cabe a boa ou má vontade dos julgadores, mas sim o dever de fazer Justiça. O embate será prolongado e muita coisa pode acontecer, sobretudo a desconsideração das delações premiadas dos executivos da Odebrecht por parte de alguns ministros do TSE comprometidos até a alma com o Palácio do Planalto.

Ora, o presidente da República Michel Temer confessa os seus crimes “extrajudicialmente” durante entrevistas, dadas por ele, logo após a divulgação pela mídia da delação premiada de um dos donos da JBS Joesley Batista; o seu ex-assessor especial, de sua extrema confiança, é flagrado carregando uma mala com R$ 500 mil em espécie. Podemos chamar esses casos de fatos novos? São contaminantes de processos? Saibam os defensores do presidente Michel Temer que o julgamento de hoje no TSE já está contaminado na origem, na medida em que os ministros que compõem aquela Corte Eleitoral lá estão por indicações meramente políticas (sublinho), portanto, torna-se imprevisível o resultado final, não há como prever eventual sentença, seja ela qual for. Refiro-me à existência de “Bandas podres” atuando em diferentes segmentos institucionais, de modo que isso não é segredo pra ninguém. Importante ressaltar declarações pessoais de certos magistrados em relação a específicas ações em curso nos Tribunais, opiniões essas que podem influenciar decisões de colegiado. As provas (conjunto probatório) contra a chapa Dilma-Temer estão postas, são volumosas e irrefutáveis – no geral, é robusta a materialidade, muitos documentos receberam etiqueta de confidencialidade. Resta saber, no entanto, como os sete ministros do TSE interpretarão cada um dos crimes citados na denúncia. O cidadão comum só queria matar uma curiosidade, se algum empresário vai novamente bancar “pagamentos parcelados”, para que os políticos envolvidos na ação julgada escutem sentenças favoráveis.

Liberdade, Democracia e Justiça são bens jurídicos inalienáveis, que devem ser perseguidos e respeitados por todos.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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