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Política

Favas contadas – parte VII

Favas contadas – parte VII

“Quem não deve não teme.”

Começo este artigo fazendo referência ao dito popular tão usado por todos. De fato, quem não tem “rabo preso” faz uso do tal ditado com certo ar desafiador.

Por que os políticos temem tanto a delação premiada dos seus pares e de outros cúmplices quando presos?

Em primeiro lugar, toda pessoa que participa de crime ou de ações ilegais procura ficar livre de acusações, longe daqueles que possam apontar o dedo na sua cara, para não correr risco de incriminações e, portanto, da eventual prisão. Em segundo lugar, tentará por todos os meios proteger a sua imagem junto à sociedade e assim garantir simpatia de grupos de apoio. Há um terceiro ponto nesta questão, ou seja, o comparsa “não dedurado” ficará mais confiante na impunidade, portanto, manterá comportamento ardiloso e condenável de livre vontade.

No universo político a cumplicidade é dever de ofício, o coleguismo um trato comum, situações que favorecem a prática de atos espúrios. A omissão dos políticos que se julgam “quase honestos” se mostra outro tipo de câncer funcional. É aquela coisa, o parlamentar vê o colega político cometer crime e não o denuncia, não faz nada, fica quieto, porque tem compromisso com os partidos – do qual pertence e outros. O sequestro da decência, da moral e da ética públicas emparedou os representantes do povo – em todos os níveis.

Com a prisão pela Polícia Federal do ex-deputado e ex-assessor especial do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, na manhã deste sábado, 03/06, abre-se a porta principal do Inferno. O “homem da mala”, como ficou alcunhado Rodrigo Rocha Loures, pode comprometer definitivamente o seu chefe. O coronel reformado da Polícia Militar (PM), João Batista Lima Filho, o “Lima”, guardava em sua casa documentos comprometedores e que o ligavam ao presidente Temer. Após a Polícia Federal, numa ação de busca e apreensão, vasculhar a casa do ex-militar, tais documentos foram capturados. O Lima é amigo geminado de longa data de Michel Temer, é dono da empresa Argeplan Arquitetura e Engenharia, que teria “administrado” uma reforma na casa da filha do presidente, até onde se desconfia, com dinheiro fruto de propina desviado pelo Grupo J&F. Lima não é bode expiatório, é cúmplice, enquanto Rodrigo Rocha Loures é pau mandado. Lima não abrirá a boca, mas Loures vomitará o que sabe.

São tantas as preocupações na cabeça de Michel Temer que o fizeram esquecer da carta que escreveu, ainda como vice, para a então presidente Dilma Rousseff. A missiva foi encaminhada com carimbo “Confidencial” e recebida por Dilma “dentuça” às 17h20min de uma segunda-feira, 07/12/2015, mesma data da sua emissão. Nos três primeiros parágrafos, escreveu Michel Temer: “Verba volant, scripta manent” (As palavras voam os escritos permanecem). Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio. Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo. Sublinho. O raio caiu duas vezes no mesmo lugar.

Dilma Rousseff à época não respondeu oficialmente ao emissor da carta capital. Acredito que o fará agora, às vésperas do julgamento da chapa Dilma-Temer 2014 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a conferir amanhã, 06 de junho de 2017. Dilma dedicará palavras escritas a Michel Temer para que fiquem registradas na história política do Brasil, confidenciará alguns fatos e descarregará toda a sua angústia desde o episódio do Impeachment. A meu sentir, depois da carta-resposta de Dilma, Michel Temer deveria renunciar, se bem que esta palavra não consta do seu dicionário. Ele resistirá, ele resistirá, ele resistirá – até Marcela Temer ameaçar abandoná-lo na porta do Inferno.

Falta grandeza ao presidente Michel Temer. Volto a repetir isso, de modo que fica tão evidente a fraqueza do governo que lhe fogem as condições para conduzi-lo. Por que se apegar tanto ao poder? São muitas as respostas, certamente determinadas desagradarão. Todo mundo defende uma ideologia, tem um ponto de vista, algo em que acreditar. Não fosse assim, disputas não haveriam, nem confrontos, nem puxadas de tapete. Sem dúvida alguma estamos presenciando a maior crise política enfrentada pelo presidente Michel Temer após a delação da JBS, porém, longe de estar no seu auge. Joesley Batista chutou o balde usado pelos políticos na ordenha, a vaca se assustou e correu desenfreadamente chifrando tudo que encontrava pela frente.

Chifres também nascem na cabeça de cavalo. A Polícia Federal acaba de entregar ao presidente Michel Temer, através do seu advogado, um questionário com 84 (oitenta e quatro) perguntas do Inquérito no Supremo Tribunal Federal (Delação da JBS). O presidente tem 24 horas para respondê-lo. Certamente não dormirá esta noite em casa, nem no Palácio da Alvorada. Marcela Temer não precisará vestir o Baby Doll sexy que ganhou de presente de Joesley Batista.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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