>
Você está lendo...
Fatos em Foco

5 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente

5 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente

Os 7,5 bilhões de habitantes do planeta Terra não têm muito que comemorar hoje. Todos nós estamos vivendo momentos extremamente críticos, preocupantes, que exigem uma parada para reflexão profunda. A humanidade está em perigo, dela se exige ações emergenciais em combate à destruição exponencial do meio ambiente, visando preservar todas as formas de vida, bem como o restante do ecossistema formado por matérias não vivas. Só o homem pode salvar o homem. Deus observa à distância.

Ao longo de décadas a ação do homem tem sido daninha, num compasso frenético com contornos irreversíveis. Não existe ‘plano B’ em caso de colapso. Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta última quinta-feira, 01/06, abandonar o Acordo de Paris sobre o clima, acendeu um enorme ponto de interrogação sobre o futuro do planeta, sobretudo na questão da poluição ambiental. Até quando os líderes das grandes potências, as principais e maiores poluidoras, tomarão atitudes irresponsáveis? Talvez quando perceberem que dinheiro não se come!

Escrevi e publiquei aqui no meu Blog, em 02/03/2012, um artigo de título “Para onde vamos?” e, a meu sentir, hoje é um dia especial para reeditá-lo. Leia abaixo.

Para onde vamos?

O planeta Terra é uma nave espacial com Diâmetro equatorial de 12.756,2 km, a área da superfície é de 510.072.000 km², nela viajamos pelos caminhos infinitos do cosmos, rumo a um destino incerto, a uma Velocidade orbital média de 107.208 km/h (29,78 km/s), rápido o suficiente para percorrermos o diâmetro da nave (12.600 km) em apenas sete minutos. Período orbital = 365,256363004d (1.000017421a). Dependemos dos estoques de suprimentos para a nossa sobrevivência nessa viagem, porque não sabemos quanto tempo levará. Somos todos astronautas, humanos por excelência – os demais seres vivos, animais e plantas, os nossos assistentes de vôo. O controle racional do consumo dos recursos energéticos determinará o sucesso da viagem; ar, água, víveres, combustíveis, condições climáticas e, sobretudo, comportamento. A escassez de qualquer um dos produtos obrigará o comandante a mudar o plano de vôo. Inevitavelmente alguns passageiros terão que abandonar a nave, ficarão à deriva, entregues à própria sorte no espaço inóspito, e, fatalmente sucumbirão. O co-piloto informou ao comandante que registrou superlotação na nave: 07 bilhões de passageiros (a cada minuto nascem 266 novos passageiros e morrem 108). Com sorte, se prosseguirmos na viagem, na próxima década (tempo terrestre), essa estatística já terá pulado para 08 bilhões de seres humanos, de modo que a nave Terra ficará pequena, caso alguns se sintam grandes demais.

A resistência humana tem um limite, cada indivíduo possui sua própria capacidade de resistir ou suportar as adversidades impostas. Sem condições primárias não há chances de continuar vivendo, tampouco de sobrevida por falta de opções que supram as necessidades. Uma vez acionado o botão do racionamento, cada tripulante, cada passageiro deverá pegar o manual de bordo e seguir as instruções: 1ª) Levantar as disponibilidades, 2ª) Consumir o necessário, 3ª) Não desperdiçar, 4ª) Dividir, 5ª) Conceder prioridades, 6ª) Preservar, 7ª) Reciclar, 8ª) Renovar o ciclo, 9ª) Seguir regras de adaptabilidade e 10ª) Não procriar. Quem não fizer isso será punido segundo o RDE – Regulamento Disciplinar do Espaço.

Há passageiros brigando em alguns cômodos da nave. A falta de entendimento desestabiliza o sistema e, a sua quebra, terminal. Os passageiros não ficam quietos nos seus aposentos, querem porque querem perturbar a paz de quem descansa no quarto ao lado. Intrigas, mexericos, até os comissários de bordo não escapam.  Não existe a possibilidade da troca de nave, essa é a única que dispomos, muito embora já tenha gente em busca de outra, mas, até agora o universo não concedeu essa descoberta. Estamos todos, invariavelmente, na mesma nave, não há como fugir dessa realidade. O homem, com o seu espírito aventureiro, lança-se fora das suas fronteiras para novas conquistas motivado por falsas crenças e megalomania, não obstante, retorna para a casa onde nasceu, carregando desventuras, malogros, e aí sente a necessidade de vingança – o ciclo se completa realimentando o ódio.

O acumulo de coisas inservíveis é regra de vida; compramos o que não precisamos, vendemos o que queremos, consumimos o que mandam e, na paralela, misturamos as sobras de tudo aquilo que não mais nos serve, segundo nossa percepção, e arremessamos ao léu, em forma de lixo, com o qual convivemos pacificamente por gerações. A nave possui um compartimento que cuida bem disso, há know How disponível, mas, o descompromisso com o planeta é fator imperativo. Poluímos o ar que respiramos, a água que bebemos, envenenamos os alimentos que comemos, destruímos a terra que pisamos, somos extrativistas recorrentes, canibalizamos os nossos iguais, exterminamos os nossos assistentes de vôo sem piedade, acumulamos riquezas e negamos um pedaço de pão dormido a quem tem fome, cultuamos o supérfluo como determinante de status. A indulgência não faz parte do nosso vocabulário, a paz, ilusão. A nave Terra está passando por fortes turbulências faz algum tempo, desde que embarcou o primeiro ser humano. Buraco negro à vista. Na sua órbita será bombardeada por meteoritos, e, o que é bem provável, por asteróides; há perigo iminente de colisão. Contudo, o maior perigo está dentro dela, alguns passageiros estão mexendo em máquinas que não podem, mesmo com placas de aviso: “Risco de morte”.

Voz do Comandante:

“Vivemos no caos, a intolerância e a desunião entre as raças e os povos reinam. Senhores tripulantes e passageiros, a nave Terra está suja, em todos os sentidos, logo, precisa de uma imediata limpeza pesada – só com a convocação de mutirões simplesmente não resolverá o problema, aparentemente insolúvel. A consciência tem que ser global, caso contrário a humanidade jamais chegará a algum lugar; estaremos fadados a ficar perdidos no espaço para sempre. Uma nave fantasma, sem qualquer vestígio de vida. Os problemas técnicos são muitos, e graves, com certeza demandará tempo para reparos. Grupos desavisados estão interferindo agressivamente no meio ambiente, nas condições climáticas da nave, mas, cumpre-me alertá-los, para o que solicito a atenção de todos: sem oxigênio, todos morremos em poucos minutos; sem água, a sobrevivência é de, no máximo, sete dias; sem comida, uma pessoa vive 45 dias, se nesse período perder 30% do seu peso, morre de inanição. Ninguém, absolutamente ninguém, pode se considerar semideus. Necessitamos uns dos outros, somos frágeis, efêmeros, somos uma incógnita na equação da vida. Os nossos assistentes de vôo estão quietos, até agora não se manifestaram, o que podem fazê-lo a qualquer momento. Devemos estar preparados. A fauna e a flora podem dar um basta! Todo ser vivo merece respeito. Eu sou o construtor dessa nave chamada Terra; ao qual vocês se referem através de vários nomes, em várias línguas, mas isso não importa, porque procuro, de certo modo, atender a todos em suas aparentes necessidades, sem distinção. Coloquei nas vossas mãos o livre arbítrio, a liberdade e o direito de escolha, porém, há quem queira mudar as leis do universo. Concedo-vos tudo, sem cobrar nada em troca. Algum passageiro já parou pra pensar que eu posso ser o vosso Deus, apresentado em forma de Comandante da nave Terra, com a identidade preservada por toda a minha tripulação? Alguém, em algum momento, concebeu a possibilidade deste aviso ser a última e derradeira chance da humanidade continuar vivendo? Fiquem à vontade, quem desejar desembarcar é só dar o sinal, quem preferir outro Comandante, é só avisar – tem outro lá embaixo querendo ocupar o meu lugar!”.

Boa viagem.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 804 artigos publicados em 16 Categorias. Boa leitura.

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 145 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: