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Política

Favas contadas – parte III

Favas contadas – parte III

O elefante está passando bem ao nosso lado e estamos preocupados com as formigas que passeiam livremente pela relva. Alguém precisa mudar de foco, alterar um pouco o centro da visão. A jornalista Miriam Leitão (Jornal O Globo, GLOBONEWS, Bom Dia Brasil e Rádio CBN) já vem fazendo isso, dando publicidade ao escândalo da gigantesca sangria ocorrida no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no mínimo, por uma década de governos do PT, protagonizados por Lula e Dilma.

Parece que as palavras de Miriam Leitão tiveram eco. O processamento de sinal de áudio foi captado pelo Congresso Nacional. Ontem, terça-feira, 30 de maio de 2017, o seu presidente, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), leu o pedido de criação de uma CPMI para investigar os empréstimos tomados pela Holding J&F, empresa-mãe controladora do frigorífico JBS, junto ao BNDES entre os anos de 2007 e 2016. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito será formada por 32 raposas políticas (16 deputados federais e 16 senadores), que não precisarão apresentar reconhecido atestado de idoneidade – não basta aparentar ser honesto. Penso eu que esta é uma atitude casuísta tomada pelo Congresso Nacional. Por outro lado, a motivação do senador Eunício Oliveira e dos seus pares foi uma só: Vingança, causar prejuízos de toda ordem à Holding J&F e empresas componentes em razão da sua delação premiada.

Leia-se no G1: “25/02/2016 11h09 – Atualizado em 25/02/2016 11h19. CPI do BNDES aprova relatório final sem pedidos de indiciamento. Oposição chegou a apresentar votos alternativos sugerindo indiciar Lula. Para relator, que é da base aliada, não havia elementos suficientes. Fernanda Calgaro, do G1, em Brasília. A CPI do BNDES aprovou nesta quinta-feira (25) o relatório final do deputado José Rocha (PR-PA) e deixou de fora qualquer pedido de indiciamento. O parecer foi aprovado por 20 votos a 07. A Comissão Parlamentar de Inquérito foi criada no ano passado para apurar supostas irregularidades envolvendo empréstimos do BNDES entre os anos de 2003 e 2015. O relatório de José Rocha recebeu elogios, inclusive de deputados da oposição, por apontar problemas nas práticas adotadas pelo banco na concessão de empréstimos. […]”.

Como podemos observar os parlamentares não cansam de “brincar de fazer” CPIs. A CPI do BNDES, criada em 2015, não deu em nada, ficou tudo por isso mesmo, ninguém foi indiciado, ninguém foi julgado, ninguém foi preso. A única certeza, clara e evidente, é que a roubalheira no BNDES continuou solta. Quem não cansa sou eu em dizer que CPI é “Coisa Pra Idiota”. Como políticos ladrões podem inquirir seus pares igualmente ladrões? É total perda de tempo, querem passar diploma de idiota para o povo, que vê o dinheiro dos seus impostos ir direto pro ralo da corrupção. O escândalo do BNDES é caso para a criação de uma nova Operação do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Justiça Federal, nos moldes da Operação Lava-Jato – é algo muito mais sério do que se pensa, que deveria envolver Instituições de respeito e, portanto, de credibilidade. Deixar essa grave questão nas mãos dos políticos é antever o que irá acontecer, como da vez passada. Lula e Dilma, os mandantes dos assaltos ao BNDES, souberam dar ordens aos seus ministros da Fazenda, Antonio Palocci e Guido Mantega, no sentido da coordenação das operações fraudulentas.

Nunca houve transparência quanto aos financiamentos, sobretudo em atuações internacionais. Segundo os irmãos Batista, Joesley e Wesley, donos da JBS, houve pagamentos de propinas a políticos para obterem incentivos fiscais e conseguirem a liberação de dinheiro do BNDES e dos Fundos de Pensão. Joesley Batista afirmou, ainda, que o frigorífico JBS gozava de “grande influência” no BNDES através do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Uma afirmação que chama atenção porque o BNDES não está subordinado ao Ministério da Fazenda, e sim vinculado à Secretaria de Planejamento da Presidência da República. A teia de corrupção que se instalou no governo federal fez ramificações em todos os órgãos, por onde os corruptos se revezavam.

Quando a “Caixa Preta” do BNDES for aberta e decifrada o Petrolão parecerá uma ação que deveria ser julgada em Juizado de Pequenas Causas. Pessoas hão de concluir que o Petrolão teve baixa complexidade operacional e movimentado pouco dinheiro em propinas tão logo tomem conhecimento da grandiosidade do rombo naquele banco público. O mesmo sentimento que hoje temos quando comparamos o Mensalão do PT (Ação Penal 470) com o Petrolão. Proporções à parte, todos os criminosos devem ser punidos no rigor das Leis, tanto o elefante, ou melhor, a manada inteira, quanto as tranquilas formigas que passeiam na relva fresca. Sem dúvida faltará espaço nos noticiários para a divulgação de tantos escândalos de corrupção.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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