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Política

Favas contadas – parte I

Favas contadas – parte I

O mundo político ruiu literalmente, essa é a realidade dada como certa, como inevitável – para o seu acontecimento, apenas uma mera questão de tempo. A estrutura governamental ficou desorganizada e não há como se estabelecer novos rumos, esperar articulações de apoio e prever o que irá acontecer nas próximas horas. O grau de imprevisibilidade é grande em razão da grave crise ética que chegou ao Palácio do Planalto. Grupos de pressão serão formados por políticos da base aliada do presidente Michel Temer ao som das ruas “Fora Temer”, “Diretas Já”. Pular para fora do barco é a ordem do dia. A oposição, mais raivosa, engrossará o coro.

A imprensa precisa melhor se posicionar diante dos fatos; os escombros estão espalhados pelo chão e a mídia insiste em dizer “suposto desmoronamento da casa”. Malditos, o verbo “supor” e as expressões correlatas, cujo emprego sistemático nos noticiários, são responsáveis por construir uma atmosfera de dúvidas na cabeça dos cidadãos comuns, por conta de hipóteses plantadas – “supõe que os corruptos sejam desonestos”, “a suposta delação”, e por aí vai. As informações jornalísticas não podem se basear em conjecturas, mas sim em fatos e fontes fidedignas. Os fatos apurados na Lava-Jato estão aí, para quem se interessar, que nos dão a certeza total, portanto, vamos divulgá-los na sua exatidão, conforme manda o manual da boa comunicação. A corrupção não é imaginação, o corrupto não é presumido, o crime praticado não é conto de fadas. Vamos parar com essa de achar que tudo é “suposto”.

O crime organizado está infiltrado em todas as Instituições brasileiras, está praticamente dando as cartas nos Poderes da República – este é um fato concreto, não suposto. Restou provada esta premissa, na medida em que evoluem as investigações provenientes da Operação Lava-Jato, trazendo à tona irrefutáveis informações. Isso é estarrecedor, contudo, totalmente dentro da previsibilidade segundo ambiente criado. Torna-se impossível o modus operandi sofrer solução de continuidade, não houvesse a participação da cúpula do Executivo, do Legislativo e do Judiciário nas operações da quadrilha, facilitando-as. De tal modo, se conclui, também, que todos tinham pleno conhecimento do que se passava no submundo do crime, onde o conjunto de marginais e delinquentes de colarinho branco agiam e continuam agindo à plena luz do dia, confiantes na impunidade – o que é pior, este grupo criminoso organizado não parou com as suas atividades ilícitas mesmo com todas as operações da Polícia Federal em andamento, mesmo com o Ministério Público Federal apresentando denúncias, mesmo com a Justiça Federal de Curitiba condenando réus do Petrolão em curtos espaços de tempo.

Duas recentes conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Patmos (deflagrada a partir das delações dos donos da JBS) comprovam isso. A primeira conversa é entre o presidente Michel Temer e seu ex-assessor, deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), cujo assunto tratado era sobre as novas regras para o setor de portos, ficando claro o interesse de Temer em saber se Loures dominava o tema e qual seria, portanto, a sua expectativa a respeito. Com qual intenção? A segunda conversa interceptada pela PF, ocorrida no dia 26/04/2017, foi entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, no qual contato Aécio pede ao referido ministro que interceda junto ao senador Fernando de Souza Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que acompanhe o seu voto no projeto de “Abuso de Autoridade”, em tramitação no Congresso Nacional. Será esta a primeira ligação de um parlamentar a um ministro do STF com o propósito de interferência direta em assuntos de interesse corporativo? Por que Aécio Neves buscou ajuda de Gilmar Mendes para convencer um senador de mesmo partido? Será que outros ministros do STF também são acionados a “dar” uma ajudinha extra em troca sabe-se lá do quê? O quê não se passa nos bastidores dos Poderes da República? Fato é que nós estamos sendo enganados e passados pra trás todo o tempo, não sabemos de nada e ainda aplaudimos fervorosamente. Muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo; os desdobramentos dos fatos revelarão novas surpresas. Aguardemos.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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