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Política

Carta de Renúncia de Michel Temer

Carta de Renúncia de Michel Temer

Amigos leitores, antes que o colunista do Jornal O GLOBO, Lauro Jardim, dê outro “furo de reportagem”, o que revelou a delação premiada do dono da JBS, Joesley Batista, eu tomo a dianteira e publico, com exclusividade, aqui no meu Blog, a Carta de Renúncia do presidente Michel Temer, escrita nesta madrugada. Leia a sua íntegra abaixo.

Brasília, domingo, 21 de maio de 2017.

Brasileiros (as).

Eu começo esta carta parabenizando todas as noivas do Brasil, em razão do mês de maio ser comemorativo a elas. Que seja especial para essa parcela de brasileiras. A ligação das flores com a feminilidade traz romantismo.

No meu caso, se houver qualquer ligação com flores, tudo indica enterro próximo. A seguir eu faço uma indagação: “O quê eu estou fazendo aqui no governo?”. Ajudem-me, caros brasileiros e estimadas brasileiras, a decifrar o enigma da pirâmide.

A minha mulher, Marcela Temer (ainda primeira-dama do Brasil), bela, recatada e “do lar”, livre, leve e solta, deve estar, neste momento, passeando nas ruas de Nova Iorque de mãos dadas com um dos irmãos Batista – não bastassem as afrontas por eles dirigidas à minha pessoa nos últimos meses. Recebo Joesley Batista altas horas da noite em minha casa de passagem, ou seja, no Palácio do Jaburu, e o cidadão me apronta poucas e boas; ingrato, nem a “dança do ventre” oferecida em sua homenagem serviu para estreitar relações triangulares. Antes tivesse ordenado o seu afogamento no Lago Paranoá.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em sessão extraordinária na sede da Instituição em Brasília, que terminou na madrugada deste domingo (21), decidiu apoiar e formalizar o Impeachment deste humilde presidente, sendo que o pedido será protocolado na Câmara dos Deputados no início da próxima semana – se tiver alguém lá para recebê-lo.

A partir daquele instante, como advogado que sou, compreendi perfeitamente o recado dado, de modo que passei a refletir mais profundamente sobre a situação. Sei que é inglória a luta que travo para me manter no “Poder”, na presidência da República Federativa do Brasil. Antes de ela se transformar de fato numa “República das Bananas”, resolvi tomar uma atitude derradeira, sem antes consultar os meus cúmplices, perdão, os meus pares peemedebistas – Eliseu Padilha e Moreira Franco, segundo e terceiro presidentes do Brasil, consecutivamente, também vítimas de perseguição política como eu.

A despeito de ter afirmado categoricamente, em meu pronunciamento feito na tarde da última quinta-feira, 18, no que digo “não renunciarei”, “não renunciarei”, face às frívolas acusações dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, feitas ao Ministério Público Federal (MPF) contra a minha singela pessoa, eu, neste ato contínuo, comunico ao povo brasileiro, residente dentro e fora do Brasil, que estou deixando o “Poder” para quem dele queira se apropriar através de um “Golpe” premeditado, com o forte apoio do PIG – Partido da Imprensa Golpista. Não preciso de cargo, de reconhecimento, de imprensa, de salário. Epa! Deste último sim.

Portanto, RENUNCIO ao cargo de presidente da República a contar do dia de hoje, domingo, 21 de maio de 2017, para o bem de todos os políticos honestos e felicidade geral da ex-presidente Dilma Rousseff, pela qual nutro os mais impublicáveis sentimentos. Agora sei o que o meu aliado, ex-deputado Roberto Jefferson, quis dizer lá por época do Mensalão.

Não quero choro nem vela, quero uma fita amarela gravada com o nome de Marcela Temer, meu amor eterno de alcovas furtivas. Agora me sobrará mais tempo para planejar um novo filho (com ela) que, com certeza, não será político do PMDB como o pai – não será desmérito para o novo rebento se for corneteiro.

Brasileiros e brasileiras, digo-lhes que “O Poder seduz e o dinheiro satisfaz a ganância do homem”. Se você tem os dois, o poder e o dinheiro, então, sinta-se completado e verá que a vida passa a ter e fazer mais sentido, sobretudo aos olhos dos outros. Por isso, lutei tanto para chegar aqui, por conquistar esta cadeira, da qual me levanto definitivamente, sem olhar pra trás. Não serei condenado ao ostracismo, porém, lutarei com todas as minhas forças, unhas e dentes, para me livrar das garras do juiz Sérgio Moro e, portanto, dos terríveis aposentos carcerários, confiante que no Brasil a cadeia não foi feita para todos os criminosos.

Guardo, em rascunho, o texto de uma provável delação premiada, do qual prêmio se valeram outros tantos covardes da República, ao contrário do José Dirceu, verdadeiro patriota, que dá a vida pelo Brasil, não se verga diante da tortura, que tem amigos no Supremo Tribunal Federal. Prometo que abrirei o leque de amizades no STF, passando de 02 ministros íntimos (Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes), quem sabe para 06, na tentativa de “ganhar maioria”. Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski já fecharam contrato com Lula. Tem gente graúda do Judiciário envolvido na trama do Petrolão, de sorte que isto também está no referido rascunho. Alguém há de me perguntar: E o Aécio Neves? Responderei: É um bundão!

Nenhuma reforma política resolverá o problema do Brasil, porque a verdadeira causa de todo esse caos e da profunda crise ética-moral que nos abateu, consolidada em todas as nossas Instituições, é o desgraçado DNA do brasileiro, que o faz corrupto por vocação, desonesto pela oportunidade. O brasileiro quer levar vantagem em tudo, inclusive aceita vender o voto em troca de dentadura, de pão com “mortandela” de marca duvidosa, em troca de falsa promessa.

Sei, de antemão, que eu não deveria dizer isto, mas, direi porque me julgo morto politicamente. Eu vejo a necessidade do aperfeiçoamento dos métodos jurídicos de punição aos corruptos, sobretudo aos políticos envolvidos em atos ilícitos, tudo aquilo que é contrário à Lei.

Não serão as “Dez medidas de combate à corrupção e à impunidade” que resolverão a questão da perpetração de crimes contra o erário e à ordem pública. O Brasil precisa muito mais do que isso. Se eu fosse honesto de pensamento e atitudes, certamente proporia ao Ministério Público as seguintes ações: 1ª. Todo o político investigado seria afastado imediatamente do cargo, sem direito a vencimentos – nesse caso, o suplente não assumiria porque teríamos a continuidade delitiva; 2ª. Todo o político denunciado em ação penal perderia automaticamente o cargo, que ficaria vago até as próximas eleições; 3ª. Todo o político condenado em 1ª Instância de Justiça iria diretamente para a cadeia, em regime fechado; 4ª. Ratificada a sentença em 2ª Instância de Justiça a pena imposta ao político criminoso dobraria, sem direito à fiança e à progressão de regime. Simples assim. As Leis brasileiras existem para punir negros, pobres e renegados.

Outra coisa de suma importância: o efetivo bloqueio de todos os bens do político criminoso a partir do início das investigações (e de todos os seus familiares), permitindo o seu sequestro pelo Estado em caso de condenação, tendo em vista o ressarcimento dos cofres públicos.

Amigos leitores de alma fraca, o demônio do político o está seduzindo. Cuidado. Os astutos políticos iludem, acenam com promessas vãs, induzem a erros constantes de julgamento. O povo em geral, esse eu sei que continuará sáfaro, sem perspectivas, sem esperança. Está posto o cenário para os políticos continuarem a praticar crimes de toda a ordem e atos graves no curso dos seus mandatos.

Por falar em demônio político, vejam o Lula, fazendo de tudo para não ser acusado de “mandante” do assassinato de Celso Augusto Daniel (2002), ex-prefeito da cidade de Santo André pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Celso Daniel sabia de mais. Lula será condenado na Lava-Jato por conta do Triplex do Guarujá e depois pelo caso do sítio de Atibaia – não tenho dúvidas sobre isso, assim como o Triplex e o sítio são “bois de piranha” no processo. Nós, políticos, sabemos que o “grosso” da corrupção passiva de Lula ainda está por ser revelado pelas investigações. Quando a Justiça chegar à metade do iceberg terá motivos de sobra para decretar a prisão perpétua de Lula. Por enquanto, eu ficarei de boca fechada para que não decretem a minha pena de morte. Outra questão que causa intriga: Não fizeram a Autópsia Forense no corpo do piloto do avião que caiu no mar, na região de Angra dos Reis (RJ), matando o ministro do STF Teori Zavascki, à época relator do Petrolão. Por quê? Muitas verdades ainda vão aparecer. Preparem-se.

A propósito, aproveitando o teor do parágrafo anterior, com relação ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba e condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 15 anos e 04 meses de prisão pelos crimes de Corrupção passiva, Lavagem de dinheiro e Evasão fraudulenta de divisas, tenho a dizer que realmente eu morro de medo caso ele venha a dar com a língua nos dentes. Quando crianças, fizemos o tal “troca-troca”, ambos dizíamos aos restantes colegas que não dávamos a bunda, só comíamos o parceiro. Mentira pura. Depois de adultos, participamos de orgias (de bacanais, de festins dissolutos), sobretudo em Brasília. O “Eduardinho”, como era conhecido na roda, tem muitos segredos a revelar contra mim, por isso dei aval ao Joesley Batista para que continuasse com o pagamento de suborno, uma forma de comprar o silêncio dele. De todo modo, eu não quero que o juiz Sérgio Moro me diga na cara que eu “traí o mandato, que a minha culpabilidade é elevada, que a responsabilidade de um presidente é enorme, que não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato e a sagrada confiança que o povo nele deposita para obter ganho próprio”. É claro que o povo não confia em mim e também não gosta. Meus índices de popularidade estão mais baixos do que CU de cobra.

O romântico programa do PMDB, editado em 29 de outubro de 2015, “Uma ponte para o futuro”, foi transformado em “Bungee Jumping”. Leia-se no Caput original: “Este programa destina-se a preservar a economia brasileira e tornar viável o seu desenvolvimento, devolvendo ao Estado a capacidade de executar políticas sociais que combatam efetivamente a pobreza e criem oportunidades para todos. Em busca deste horizonte nós nos propomos a buscar a união dos brasileiros de boa vontade. O país clama por pacificação, pois o aprofundamento das divisões e a disseminação do ódio e dos ressentimentos estão inviabilizando os consensos políticos sem os quais nossas crises se tornarão cada vez maiores”. Leia-se no Caput do programa “Bungee Jumping”, de 21 de maio de 2017, de autoria daquele que subscreve esta carta: “Fodeu! Pulem da ponte e salvem-se do canibalismo político”.

O PMDB é como merda n’água, ou seja, ele boia, navega em todas as direções, aproveita todas as correntes marítimas. O Partido do Movimento Democrático Brasileiro sempre esteve em todos os governos, deles participando de alguma forma. Para o partido, o mais importante é estar junto do “Poder” e se locupletar das oportunidades que ele oferece. Não tenho por costume cuspir no prato que como, contudo, não mexam comigo, não me importunem com gracejos! Não sei quem será o 38º presidente do Brasil, nem quero saber! Fiquei pouco tempo no cargo, desde 31 de agosto de 2016, mês do desgosto, símbolo de mau agouro e de dias difíceis pela frente. Eu não acreditei! Um anu preto pousou na minha janela. O jaburu não conseguiu espantá-lo.

Não me alongarei além da conta porque tenho que comprar uma passagem para New York. De lá, seguiremos direto para o Líbano.

Fiquem em paz, não sei se com Deus.

Michel Miguel Elias Temer Lulia,

Ex-presidente da República Federativa do Brasil sem ser eleito diretamente para o cargo.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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