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Política

Brasil inconsertável – 4ª parte

Brasil inconsertável – 4ª parte

Amigos leitores, eu juro a vocês que ainda estou comovido com o teor da carta encaminhada por Geddel Vieira Lima ao presidente Michel Temer, oficializando a sua exoneração do cargo de Ministro-chefe da Secretaria de Governo. Abaixo a transcrevo, em itálico, para ficar mais elegante, assim como a postura do povo brasileiro, que ainda não tomou uma atitude mais drástica contra esses FDPs.

Meu fraterno amigo Presidente Michel Temer,

Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair.

Diante da dimensão das interpretações dadas, peço desculpas aos que estão sendo por elas alcançados, mas o Brasil é maior do que tudo isso.

Fiz minha mais profunda reflexão e fruto dela apresento aqui este meu pedido de exoneração do honroso cargo que com dedicação venho exercendo.

Retornado a Bahia, sigo como ardoroso torcedor do nosso governo, capitaneado por um Presidente sério, ético e afável no trato com todos, rogando que, sob seus contínuos esforços, tenhamos a cada dia um país melhor.

Aos Congressistas, o meu sincero agradecimento pelo apoio e colaboração que deram na aprovação de importantes medidas para o Brasil.

Um forte abraço, meu querido amigo.

Geddel Vieira Lima.

Concordo com um único ponto desta carta, “O Brasil é maior do que tudo isso”, o resto é mera perfumaria, papo furado. Michel Temer está numa posição extremamente incômoda. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. O caso Geddel é simbólico, um duro recado aos políticos que insistem no erro, e que não aprendem, nem por reza braba, que misturar o público com o privado traz consequências catastróficas, para eles em primeiro lugar. Particularmente, eu acho que estão se lixando pra isso, como sempre estiveram. Na verdade, a maioria dos políticos, anestesiada pela corrupção, não tem medo de ser apanhada com a boca na botija – ou em outro lugar mais quente. De todo modo, temos que concordar que a opinião pública, hoje, está mais conectada do que nunca, o que aumenta consideravelmente o poder de vigilância por parte dos cidadãos e mobiliza as massas no sentido de cobranças mais contundentes por todos os cantos do país. As redes sociais estão aí – um avanço da sociedade moderna –, e em pleno funcionamento, como determinadas Instituições; não todas. A união de forças é o que esperamos nesses tempos difíceis, muito embora os políticos não estejam entendendo a sua gravidade e, sobretudo, não escutando as vozes do povo nas ruas, ou melhor, nas redes.

Um contrassenso. O ainda presidente Michel Temer está se identificando como o “Rei” dos jantares na residência oficial do primeiro mandatário da República. Será que não dava pra se reunir com os seus supostos aliados e/ou apoiadores à base de água e cafezinho? Discutir assuntos de governo (e por vezes pessoais) a um custo elevado para os cofres do país, a mim me parece não razoável, totalmente na contramão da estrada econômica. Há 12 dias (quarta-feira, 16/11), Michel Temer promoveu um jantar com 60 (sessenta) senadores no Palácio da Alvorada, com o propósito de buscar apoio do Senado à PEC 55, que fixa o teto dos gastos públicos pelos próximos 20 anos. Dias depois, também em suntuoso jantar, MT se reuniu com proeminentes figuras do PSDB, desta vez com a finalidade de se agarrar no saco deles para não ser arrastado pela forte correnteza provocada pelos noticiários políticos. Como bom cidadão que vive de trocados, recomendarei pacuera de bode como prato principal.

Via de regra, bons exemplos deveriam partir de cima, ainda mais agora que a população está sendo chamada a apertar os cintos, e não estamos vendo o governo trabalhar no sentido de reduzir as suas, digamos, “despesas extras”. Não entrando no mérito da qualidade do cardápio servido, tampouco da carta de vinhos, todos nós sabemos que tudo aquilo que é combinado naqueles banquetes com guardanapos de linho inglês, longe está de ser cumprido por todos os parlamentares “formalmente” convidados. O povo, de acordo protocolo cerimonial, ficou fora da festa. O Brasil está precisando de mudanças emergenciais de posturas dos seus governantes e acabar de uma vez por todas com a “velha prática” de se fazer política no Brasil, sobretudo nos bastidores da nova República. Para reflexão: O suinocultor, quando percebe que a pocilga está superlotada, em decorrência de fraco mercado, trata logo de mandar matar alguns porcos para manter vivos os que julga de melhor pedigree.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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