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Política

Brasil inconsertável – 3ª parte

Brasil inconsertável – 3ª parte

Meus fraternos amigos leitores, vocês devem ter ouvido por muitas vezes esta máxima popular: “Bandido bom é bandido morto!”. Pois é, eu também. A sabedoria do povo rompe fronteiras. Agora, ouve-se aos quatro cantos: “Político bom é político morto!”. Ambos, bandido e político, são da mesma espécie. Há entre eles uma diferença capital: o bandido honra a sua profissão, assumindo-a; o político a desqualifica, mentindo.

O episódio que sacudiu Brasília esta semana, envolvendo o Ex-Ministro-chefe da Secretaria de Governo do Brasil, Geddel Quadros Vieira Lima (PMDB-BA), é simplesmente mais um, dentre tantos casos, com maior ou menor gravidade, com maior, menor ou nenhuma publicidade. Imaginem vocês, fraternos amigos leitores, o que aconteceu, o que tem acontecido e o que ainda está por acontecer nos porões do palácio, nas sombras das suas colunas; quantos acertos, conchavos, intimidades, cumplicidades, tramas, planejamentos criminosos, enfim. Os cidadãos que pagam a conta do desgoverno não fazem a mínima ideia. Há uma espécie de governo paralelo (poder) voltado à prática de crimes generalizados contra a Res publica.

Geddel Vieira Lima formalizou o seu pedido de exoneração na manhã desta sexta-feira, 25 de novembro de 2016, em carta romântica e calorosa encaminhada ao querido amigo Michel Temer, ainda presidente desta Pátria mui gentil. Geddel era o responsável pela articulação política do governo federal junto ao Congresso Nacional; ele possuía grande habilidade nas tratativas com as raposas que habitam as duas Casas de Leis, dada a sua larga experiência em tocas de carnívoros selvagens, sobretudo na localização dos 20 “esconderijos de comida”.

Foi exatamente numa das suas atividades crepusculares que Geddel se ferrou. O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero revelou que Geddel o havia “pressionado” para que intercedesse junto ao IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, no sentido de liberar a obra de um prédio (empreendimento La Vue Ladeira da Barra), localizado em Salvador, Bahia. Por quê? Porque Geddel comprou um apartamento neste empreendimento e o IPHAN embargara a construção, e como este Instituto está vinculado ao Ministério da Cultura, não fica difícil juntar as pedras do quebra-cabeça. Tráfico de influência é só um dos crimes. O pior é que a merda jogada no ventilador está sujando o terno de Michel Temer e, de quebra, a cara do ministro da Casa Civil Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Leia-se: “Tráfico de influência é um dos crimes praticados por particular contra a administração em geral. Consiste em solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função. A pena prevista é de reclusão, de 02 a 05 anos, e multa. A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário. Veja Art. 332 do Código Penal”.

Para alguns, ou melhor, para a maioria dos políticos, o fato da necessidade de se estabelecer sistemas de governo sob a bandeira da democracia, significa corromper os valores nacionais com a aquiescência do povo e com o auxílio de “propaganda de guerra”. Desta feita, estamos pagando um preço amargo por uma falsa crença – e o livramento do jugo dos políticos custará ainda mais caro. O país está em completa submissão.

No dia 11 de dezembro de 2015, aqui mesmo no meu Blog, eu publiquei artigo de título “Carta de Michel Temer”, e no antepenúltimo capítulo eu escrevi o que segue abaixo (entre aspas):

“Em primeiro lugar, convém destacar que na política não existe, como nunca existiu, confiança no trato comum, ou, na melhor das hipóteses, “confiar desconfiando sempre”, e, em segundo lugar, o canibalismo é praticado pelos políticos à luz do dia, seja na presença de quem for. Não vamos aqui achar que canibalismo é tão somente um tipo de relação ecológica na qual determinadas espécies de animais irracionais se alimentam de indivíduos da mesma espécie – os seus iguais são comidos pelos seus iguais num ritual fratricida. Isso não se trata de hermafroditismo. Alguns acreditam que o canibalismo contribui para a evolução da espécie, uma vez que os mais fracos e menos aptos são eliminados, ainda que de terrível maneira. Na política ocorre a mesma coisa, de modo que políticos provenientes de partidos defeituosos ou imaturos são exterminados sem dó e piedade pelos seus “diferentes” irmãos. Incluem-se nessa decretada sentença de morte – ter o corpo devorado em vida – os políticos que não se contentam com o tamanho da fatia do bolo da corrupção, os políticos que se rebelam contra práticas delituosas, os políticos que escondem o rabo e condenam os seus iguais”.

Muita coincidência com o atual momento político vivido em Brasília. Não? Em homenagem ao empreendimento “La Vue” um amigo francês disse que faltou ao presidente Michel Temer “Avoir une vue générale de la situation”, ou seja, ter uma visão geral da situação.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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