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Política

Brasil inconsertável – 2ª parte

Brasil inconsertável – 2ª parte

Amigos leitores, eu tenho comentado e escrito por várias oportunidades que a corrupção por si é absolutamente abominável, uma vez praticada por entes públicos, sobretudo por políticos, o seu efeito é extremamente devastador, provocando danos coletivos irreparáveis, bem como enorme prejuízo à população. Dinheiro público desviado para fins privados ilegítimos ajuda a matar enfermos que necessitam de hospitais, de médicos, de leitos e de remédios; verba pública roubada ajuda a tirar a merenda escolar da boca das crianças, por vezes a única refeição do dia, ajuda a destruir programas educacionais, a desqualificar os professores; o rombo do erário ajuda a deixar a população carente ao relento, sem moradia decente e digna; esvaziar os cofres públicos criminosamente ajuda a aumentar a criminalidade em razão da falência da segurança pública e despreparo dos seus agentes.

Amigos leitores, não há como termos condescendência com os políticos corruptos – cadeia por si não basta. Penas mais severas deveriam ser aplicadas nos casos de corrupção, seja ela ativa como passiva. As duas pontas da ação, igual, severa e proporcionalmente punidas. O modus operandi dos ladrões de terno e gravata tem se sofisticado ao longo do tempo, na esteira da desinformação, da falta de cultura e educação do povo, da ignorância dos eleitores. Uma triste realidade que enterra a esperança de mudança no longo prazo, e ainda somos convidados de honra para a missa de “corpo ausente”.

Nos últimos dias temos assistido à celeuma decorrente da votação do pacote anticorrupção na Câmara dos Deputados. O relator das medidas, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), parece uma prostituta de ocasião com a bolsa vazia correndo atrás de clientes ávidos por prazer. Põe medida, tira medida, muda medida, esquece medida, aceita medida, enfim, Onyx Lorenzoni um político aprendiz de meretriz se transformando em vaca de presépio. O pacote original chegou ao Congresso Nacional numa terça-feira, 29/03/2016, levado em mãos pelo Ministério Público Federal. Batizado de “10 medidas contra a corrupção”, o Projeto de Lei de Iniciativa Popular está sendo discutido desde julho de 2015. Primeiro, o PLIP é votado na Comissão Especial, depois vai ao plenário da Câmara e para entrar em vigor precisa ser aprovado pelo Senado.

Fala sério. Os políticos corruptos (50% do Congresso) estão esperneando, não poderíamos esperar outra coisa. Não dá pra acreditar que um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que trata exclusivamente do aprimoramento da Legislação Brasileira no que diz respeito ao combate à corrupção política (hoje endêmica e sistêmica) seja votado pelos próprios políticos. Entendendo que a função do Congresso é legislar, ou seja, criar majoritariamente Leis inúteis, um projeto dessa envergadura deveria receber outro tipo de tratamento. A meu sentir, levantando a questão da excepcionalidade do momento político pelo qual passa o Brasil, a tal “Comissão Especial” deveria ser formada pelo Supremo Tribunal Federal com a indispensável participação de setores da sociedade civil, que representariam os 2,028 milhões de cidadãos que colocaram os seus nomes e dados pessoais no abaixo-assinado. Mais cedo ou mais tarde esse assunto poderá ser levado aos tribunais superiores (matéria judicializada), caso as “10 medidas contra a corrupção” sofram retaliações que comprometam significativamente os anseios da sociedade.

“Não queremos misturar um projeto sério, que busca fechar as brechas por onde escapam corruptos e corruptores, com iniciativas que possam ser usadas para cercear a ação de investigadores”. Disse o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), relator do PLIP.

Estou pagando pra ver, caro deputado.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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